CPI da Alerj vai investigar investimentos do Rioprevidência no Banco Master Divulgação / Governo do Rio

Rio - A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) vai instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os investimentos da RioPrevidência e da Cedae no Banco Master e em empresas coligadas ou subsidiárias da instituição. Segundo os deputados, o volume total das operações pode chegar a R$ 2,8 bilhões.
O requerimento para abertura da CPI foi protocolado nesta quarta-feira (6) pelo deputado estadual Flavio Serafini (PSOL-RJ), durante sessão plenária. A comissão terá como objetivo avaliar os impactos dos investimentos no Banco Master para servidores, aposentados e pensionistas do estado do Rio de Janeiro, que dependem dos recursos administrados pela autarquia.
Para Serafini, que presidiu entre 2019 e 2021 a CPI do RioPrevidência na Alerj, a instauração da nova Comissão de Inquérito é urgente. "A necessidade de investigação é imediata diante da liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Este evento potencializa radicalmente os riscos e impactos sobre os ativos do RioPrevidência, dos quais dependem milhares de servidores, aposentados e pensionistas do Rio de Janeiro", disse o deputado, que em novembro do ano passado denunciou os investimentos do RioPrevidência no Master à Polícia Federal.

O requerimento protocolado por Serafini, conta com apoio de 24 assinaturas dos seguintes parlamentares do legislativo fluminense: Renata Souza, Dani Monteiro, Professor Josemar, Yuri Moura (PSOL), Elika Takimoto, Zeidan, Verônica Lima, Renato Machado, Marina do MST (PT), Lílian Bhering, Dani Balbi (PCdoB), Martha Rocha, Vitor Júnior (PDT), Jari Oliveira, Carlos Minc (PSB), Luiz Paulo, Vinícios Cozzolino, Célia Jordão, Carla Machado (PSD), Índia Armelau, Márcio Gualberto (PL), André Correia (PP).

Segundo o Regimento Interno da Alerj, por contar com as assinaturas de um terço dos deputados, a CPI deve ser criada automaticamente no prazo máximo de 48 horas.
Relembre o caso 
Em janeiro, a Polícia Federal realizou uma operação contra a suspeita de operações financeiras irregulares envolvendo o patrimônio do Rioprevidência e o Banco Master. Entre os alvos estavam o presidente da autarquia, Deivis Marcon Antunes; o ex-diretor de investimentos, Euchério Lerner Rodrigues; e o ex-gerente de investimentos, exonerado em dezembro, Pedro Pinheiro Guerra Leal.
Segundo as investigações, iniciadas em novembro de 2025, aconteceram nove operações financeiras entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes ao Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. A ação apurou crimes como gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
Em novembro de 2025, o deputado estadual Flávio Serafini (Psol) e o líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT), acionaram o Ministério Público Federal (MPF) e a PF para uma investigação da gestão financeira do Rioprevidência. Segundo dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) citados na representação do parlamentar, o fundo tinha R$ 2,6 bilhões aplicados no Banco Master até julho do ano passado.
Ainda em novembro de 2025, o Rioprevidência informou ter aplicado cerca de R$ 960 milhões, entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034. A instituição negou que o valor de investimento seja superior a R$ 2,6 bilhões, como destacado. A autarquia ressaltou que está em negociação para substituir as letras por precatórios federais e garantiu o pagamento de aposentadorias e pensões.
De acordo com o apurado, o banco emitiu falsas operações de créditos, simulando empréstimos e outros valores a receber. A instituição financeira também negociou carteiras de crédito fraudulentas com outros bancos. O Master ficou conhecido por adotar uma política agressiva para captar recursos, oferecendo aos clientes um rendimento de até 140% do Certificado de Depósito Bancário (CDI)