Rio - A medida que proíbe o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais do Rio divide opiniões entre passageiros. Ao DIA, cariocas que pegavam o transporte na Central do Brasil na manhã desta quinta-feira (14) chegaram a concordar com a decisão, enquanto outros a descreveram como absurda. A mudança passa a valer a partir do dia 30 de maio.
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Morador de Piedade, na Zona Norte, o engenheiro civil Thiago Ramos, 36 anos, demonstrou ser favorável à iniciativa. "Achei prático. A única questão que fica em dúvida é como a população vai se adequar a não usar o dinheiro no transporte público. Acho que vai ser uma questão de adaptação", disse.
No ponto de ônibus, a moradora do Rio Comprido, no Centro, Adriana Azevedo, 53 anos, também acredita que a decisão traz mais segurança. "No meu caso eu achei bom, até porque protege mais o motorista de roubos e furtos", relatou.
Já Tatiana de Lima, 36 anos, que saiu de Marechal Hermes, afirmou que o fim do pagamento em dinheiro atrapalha a população.
"Eu achei um absurdo porque eles não aceitam nem o Pix. Hoje eu não peguei o trem por isso, porque não aceita nada. No trem só aceita Bilhete Único e agora, nos ônibus, ou você tem o cartão ou fica andando por aí", reclamou.
Moradora da Ilha do Governador, Paloma da Silva, 33 anos, passa pelo Centro para seguir até Laranjeiras de segunda a sexta e também discorda.
"Achei péssimo, porque se a pessoa não tiver o cartão e o celular estiver descarregado? Não usa. Eu tenho filho, mas ele usa o cartão especial. Mas eu achei sem lógica isso, um absurdo", acrescentou.
A auxiliar de limpeza Luana Cristina, 30 anos, que seguia para casa em Campo Grande após uma audiência, relatou que a mudança na forma de pagamento prejudica aqueles que só têm acesso ao cartão pelo celular.
"Achei péssimo, porque as vezes a gente está sem internet, o crédito acaba e fica como? E nem todo lugar tem terminal para carregar. Eu só tenho o Jaé pelo QR-code, ou seja, se eu ficar sem celular, fico na rua", afirmou.
Para as amigas e estudantes Beatriz Carvalho, 24 anos, e Sara Fontana, 20, os turistas também serão prejudicados.
"Para mim não vai fazer muita diferença porque eu uso gratuidade dada pela universidade, então não tenho muito a opinar, mas vai dificultar para os turistas", disse Beatriz.
"Acho que vai melhorar na questão da rapidez, mas também vai influenciar pessoas que não são do Rio e vão ter que comprar o cartão para utilizar", explicou Sara.
A auxiliar administrativa Stefanie Silva, 25 anos, também criticou a medida. "Se eles são prestadores de serviços, eles tem que aceitar dinheiro. Se eu chamo um marceneiro na minha casa, ele vai falar que não vai aceitar dinheiro? Então, assim, ainda tem idosos que não tem auxílio em casa, alguém que consiga fazer o Jaé ou Riocard, como que eles vão ficar? Tem também o idoso que tem dificuldade com celular, é complicado", disse.
Morador de São Gonçalo, Roberto Malaquias, 42 anos, citou ainda que pode ter problemas quando faltar saldo no cartão.
"Eu acho errado, tem que aceitar dinheiro. E se a pessoa não tem cartão? Porque é difícil fazer, e demora a chegar, eu uso o cartão e dinheiro. Mas se não tiver saldo? Porque nem todo lugar tem local para recarregar. Eu moro em São Gonçalo, Apollo III, e lá não tem Jaé, é Riocard. E a nossa passagem é cara. O ônibus que eu pego é R$ 32, se não tiver dinheiro a gente não vai nem para um lado, nem para o outro", finalizou.
A partir deste domingo (17) a linha 634 Saeñs Pena x Bananal (Ilha do Governador) não aceitará dinheiro. O trajeto faz conexões para o Fundão, Benfica, São Cristóvão e Rodoviária do Rio e está sob gestão da Mobi-Rio.
A partir do dia 30, o acesso aos demais modais será feito exclusivamente pelo Jaé ou pelo Riocard, neste último caso apenas para usuários do Bilhete Único Intermunicipal (BUI). Nas linhas municipais, a integração do Bilhete Único Carioca será feita exclusivamente pelo cartão Jaé preto.
O cartão avulso do Jaé (verde) deixará de ser aceito nas integrações tarifárias do Bilhete Único Carioca (BUC) e do Bilhete Único Margaridas (BUM). Saiba como adquirir os cartões aceitos:
Onde comprar o cartão Jaé (verde):
- em todas as estações do BRT - em todas as estações do VLT - e nas estações de metrô: Jardim Oceânico, São Conrado, Antero de Quental, Jardim de Alah, Nossa Senhora da Paz, General Osório, Cantagalo, Siqueira Campos, Cardeal Arcoverde, Botafogo
Ele custa R$ 5 e o valor pode ser recuperado posteriormente. Basta o passageiro devolver o cartão em um posto de atendimento e solicitar o reembolso.
O Jaé preto, por sua vez, pode ser pedido diretamente no aplicativo e custa R$ 7,95. O usuário pode optar por retirar em um posto de atendimento ou receber em casa. Se o interessado tiver dificuldade, pode procurar um dos postos do cartão levando documento oficial com foto e fazer presencialmente.
Ele vai passar a ser o único que valida os benefícios do Bilhete Único Carioca (BUC) e do Bilhete Único Margaridas (BUM), como fazer três viagens, no caso do primeiro, ou quatro, no segundo, pelo valor de R$ 5.
Todos os terminais de atendimento continuam aceitando dinheiro para recarga.
Já no aplicativo, as recargas podem ser feitas por Pix ou cartão de crédito, com liberação imediata do saldo.
Onde ficam os pontos do Jaé no Rio:
Os postos de atendimento funcionam de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Lá é possível fazer os dois cartões Jaé (verde e preto).
Zona Oeste e Sudoeste
Campo Grande — Rua Barcelos Domingos, 89 Santa Cruz — Rua Felipe Cardoso, 148, loja H Taquara — Rua Nacional, 641 Terminal BRT Alvorada — Av. das Américas, s/n, Barra da Tijuca Terminal BRT Pingo D’Água — Estrada da Pedra, s/n, Guaratiba Centro e Zona Norte
Centro
Cidade Nova — Rua Ulysses Guimarães, 16, loja A (em frente ao metrô Estácio) Terminal Intermodal Gentileza — Av. Francisco Bicalho, 312, São Cristóvão
Zona Norte
Terminal BRT Fundão — Cidade Universitária, Ilha do Governador Shopping São Luiz (Shopping dos Peixinhos) — Rua Dagmar da Fonseca, 26, 2º andar, Madureira Guadalupe — Av. Brasil, 22.155, Shopping Guadalupe, 1º piso, loja 118/11
Zona Sul
Copacabana — Rua Raimundo Corrêa, 47, loja A
A Prefeitura recomenda que os passageiros que ainda usam pagam passagem com dinheiro façam a migração digital antes do dia 30 para evitar transtornos nos embarques.
*Colaborou a estagiária Ágatha Araújo sob supervisão de Luiz Maurício Monteiro
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