Imóvel fica na Rua Barão de MesquitaReprodução / Tânia Rêgo
Iphan formaliza tombamento provisório de antigo centro de tortura da ditadura militar na Tijuca
Investigações revelaram que prédio sofreu modificações arquitetônicas para facilitar prática de crimes entre as décadas de 1960 e 1980
Rio - O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou o tombamento provisório do prédio onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), antigo centro de tortura da ditadura militar, na Tijuca, Zona Norte.
Localizado nos fundos do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Rua Barão de Mesquita, o imóvel serviu como palco de sistemáticas violações aos direitos humanos entre as décadas de 1960 e 1980. Uma das vítimas foi o ex-deputado Rubens Paiva, cuja história inspirou o filme 'Ainda Estou Aqui'.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), autor do requerimento apresentado em 2013, a preservação da estrutura física é fundamental para a política de justiça de transição, servindo como registro material que impede o apagamento da memória das vítimas. O pedido de tombamento defende que o local não é apenas um prédio militar, mas um símbolo do aparato repressivo do Estado brasileiro.
As investigações revelaram que o prédio sofreu modificações arquitetônicas para facilitar a prática de crimes, como as portas de acesso exclusivo para evitar que presos fossem registrados oficialmente, e celas, como a notória "Maracanã", projetadas para isolar e torturar detentos. O documento do MPF destaca que o local funcionava como uma unidade de inteligência em que sequestros e assassinatos eram métodos comuns de operação.
Ex-presos políticos relataram o uso recorrente de choques elétricos, pau de arara, afogamentos e agressões físicas severas. As torturas muitas vezes resultavam em morte ou sequelas físicas e psicológicas permanentes.
Militares que atuaram na unidade admitiram, em depoimento, que as ordens para capturas e interrogatórios eram frequentemente verbais e sem qualquer mandado judicial, confirmando o caráter clandestino das operações.

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