Ed MottaReginaldo Pimenta/Arquivo O Dia

Rio - O Circo Voador manteve o show do cantor Ed Motta, agendado para o próximo dia 29, mesmo diante de inúmeros protestos de internautas nas redes sociais, pedindo o cancelamento da apresentação, na casa localizada na Região Central do Rio. O artista é investigado pelo crime de injúria por preconceito ao chamar um funcionário de "paraíba", após se envolver em uma confusão num restaurante. A venda de ingressos segue em andamento numa plataforma digital.

"Cancelem Ed Motta! Não finjam que nada aconteceu", disse uma usuária do Instagram. "Absurdo o Circo Voador manter o Ed Motta na agenda", detonou um seguidor. "Ed Motta foi xenofóbico", apontou um internauta.
"Quem comprou ingressos para o Ed Motta poderia ter direito ao estorno do dinheiro gasto... Ninguém é obrigado a ver show de artista que cria confusão em restaurante e ofende trabalhador. Quebrou totalmente o clima", opinou outro.
"Vocês precisam se posicionar. Xenofobia é crime", expressou outra pessoa. As críticas ocorreram nos comentários de publicação feita na segunda-feira (11), quando a casa de show divulgou a agenda das apresentações.
Confusão
O cantor se envolveu em uma confusão no Restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, no dia 2 de maio. Na ocasião, Motta estava acompanhado de cinco pessoas, incluindo Diogo Coutinho do Couto, proprietário dos restaurantes Escama e Quinta da Henriqueta.

De acordo com as investigações, Ed jogou uma cadeira na parede e derrubou outra, onde estavam os pertences de um cliente. O artista tomou a atitude após o estabelecimento negar o pedido de retirada da taxa de rolha, cobrada quando o frequentador leva seu próprio vinho de casa.

Em seguida, houve uma discussão entre as duas mesas. Na ocasião, o homem, que seria primo de Diogo, se levantou e agrediu outro com um soco no rosto. Ainda de acordo com o cliente, ele não revidou e decidiu ir embora para não causar mais confusão. No entanto, na saída do local, o agressor lançou uma garrafa de vidro pelas costas dele, ferindo o lado esquerdo da cabeça.

Em nota, o restaurante informou que o grupo do cantor teria provocado a equipe e que agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada. Ed também foi acusado pelo estabelecimento de arremessar uma cadeira contra um garçom que estava de costas. Câmeras no local registraram a cena.
Depoimento
Durante depoimento realizado na terça (12), o cantor negou que tenha ofendido qualquer funcionário. Ele alegou que frequenta o estabelecimento há nove anos e nunca teve problemas com a equipe do restaurante, mas ficou "extremamente chateado" ao perceber que o atendente estava cobrando pela taxa de rolha.
Sobre o suposto xingamento xenofóbico proferido contra o garçom, o cantor afirmou que a acusação é falsa e acrescentou que é neto de baiano e bisneto de cearense, possuindo um amplo respeito pelos nordestinos. Além disso, declarou que é "negro e gordo", portanto repudia qualquer tipo de preconceito.
'Paraíba filho da p...'

No entanto, áudios atribuídos ao cantor mostraram que o artista já havia chamado a vítima de "paraíba" no ano passado. Em mensagem enviada ao restaurante, na ocasião, e divulgada pelo "RJ2", da TV Globo, Motta teria dito que agrediria o atendente e que estava no limite para não partir para a briga.

"Eu tive uma noite horrível por conta desse cara. Se eu falar com ele, vai sair porrada. É a Tijuca contra o Nordeste. Então, é tipo: 'Pô, cara, seu paraíba filho da p..., você está trabalhando com público, não pode se comportar desse jeito'. Não quis chegar perto dele para mostrar o quanto tenho ódio de tudo", diz no áudio, fazendo referência ao bairro da Zona Norte onde nasceu e cresceu.
"Muito mais que ele. Mesmo ele sendo um retirante, que veio da casa do c..., tenho um ódio muito maior do que o dele. Estou contando para ver se isso alivia de alguma forma. Não quero deixar de frequentar, mas me conheço. Estou no meu limite com ele. A próxima é pular o balcão e pegar ele. E polícia".
A 15ª DP (Gávea) apura o caso. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos envolvidos. O espaço está aberto para manifestações.