Jairinho é acusado por homicídio qualificadoDivulgação/Brunno Dantas e Felipe Cavalcanti/TJRJ
Babá de Henry Borel presta depoimento no sétimo dia de julgamento
Depoimento de Thayná Ferreira é um considerado crucial para o processo
Rio - O sétimo dia de julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros, acusados pela morte do menino de Henry Borel, de 4 anos, começou da babá Thayná Ferreira. Apontada como responsável por comunicar a mãe da criança sobre possíveis agressões de Jairinho, ela é considerada uma das principais testemunhas do processo. A sessão estava marcada para 10h deste domingo (31), mas atrasou cerca de uma hora.
Além de Thayná, são esperadas testemunhas da defesa de Jairo. A babá, que acompanhava a rotina de Henry, mudou de versão pelo menos duas vezes durante o processo das investigações. Na audiência de instrução, realizada em outubro de 2021, afirmou que não havia observado nada que pudesse gerar desconfiança na relação entre a criança e o padrasto. O depoimento contradiz a própria apuração da delegacia: a Polícia Civil descobriu, através de recuperação de dados no celular de Monique, que Thayná comunicava sobre possíveis agressões de Jairinho para a mãe do menino.
Meses antes, ela admitiu ter presenciado agressões sofridas por Henry e mencionou ter conversado com Monique Medeiros sobre os incidentes. Antes disso, em março, logo após a morte do menino, no primeiro depoimento, a babá negou que tenha presenciado agressões e falou positivamente sobre a relação do ex-vereador tanto com Monique quanto com Henry.
Ao chegar no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio, o advogado Rodrigo Faucz, que representa o ex-vereador, falou sobre a expectativa de ouvir um número maior de testemunhas neste domingo visando a celeridade do julgamento.
"Ontem, um depoimento acabou pegando praticamente todo o dia. A gente espera que, hoje, a gente consiga ouvir ao menos cinco ou seis testemunhas para que o júri termine até quarta, no máximo quinta-feira. Está sendo demonstrado aquilo que a defesa tem falado desde o início: há um conluio para uma responsabilização e manipulação da opinião pública que não condiz com as provas do processo. A gente espera que o Jairo seja absolvido", apontou.
A defesa de Monique Medeiros também disse estar confiante na absolvição da ex-professora. O advogado Hugo Novais afirmou que a ré não praticou nenhum crime contra o filho e precisa ser inocentada.
"Todas as provas foram muito importantes para o processo e mostraram categoricamente que Monique Medeiros é inocente, além de ser vítima também. A defesa procura, além da absolvição, o reconhecimento para a sociedade de que ela não praticou nenhum ato contra o filho. Justiça, nesse caso, efetivamente se faz absolvendo Monique", ressaltou.
Neste sábado, a sessão ficou marcada pela oitiva de Bryan Medeiros da Costa e Silva, irmão de Monique. Diante dos jurados, ele afirmou que a irmã teria sido orientada a mentir no início das investigações e responsabilizou a antiga defesa do casal pela construção de uma versão apresentada à polícia logo após a morte da criança. A ideia, segundo ele, de Jairinho e do advogado era de manipular e mentir na narrativa do caso.
"A Monique foi treinada para mentir no primeiro depoimento, e a gente não tinha ideia de que isso seria extremamente prejudicial. Ele não defendeu a Monique, porque modificou a narrativa dos fatos após a morte do Henry" declarou Bryan, ao citar o advogado André França, que à época atuava na defesa de Monique e de Jairinho.
Além de Bryan, os jurados ouviram os depoimentos de Ari Mamed, ex-colega de trabalho de Monique, e Marcia Eduarda Andrade Vieira, que era funcionária do condomínio Majestic e responsável pela brinquedoteca. Nos seis primeiros dias de julgamento, foram ouvidas 16 testemunhas.
Monique Medeiros e Jairinho são julgados por homicídio triplamente qualificado e tortura. O Ministério Público sustenta que Henry foi submetido a uma sequência de agressões físicas antes de morrer, dentro do apartamento onde morava com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, em março de 2021.








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