Material apreendido na clínica e casa do falso médico foi levado para a 14ª DP (Leblon)Érica Martin/Agência O Dia

Rio - Uma das pacientes do falso médico que fazia abortos em uma clínica clandestina está internada no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul, em estado grave. Ela precisou passar passar por histerectomia total – retirada de todo o útero – após ser ferida por José Luiz Gonçalves, 61 anos. Ele foi preso nesta sexta-feira (5).
O caso veio à tona depois que uma outra mulher morreu após realizar o procedimento com José Luiz, que se apresentava como Doutor Bruno. De acordo com a Polícia Civil, ele não possui formação em Medicina.

"Tivemos notícia de duas vítimas, uma delas acabou falecendo há um mês e a outra encontra-se até o presente momento em estado grave no Hospital Miguel Couto, tendo que realizar uma histerectomia. Ela tirou todo o aparelho reprodutivo. A partir das informações, iniciamos as investigações", explicou a O DIA a delegada Cristiane Uchôa, da 14ª DP (Leblon).

O cumprimento dos mandados de busca e apreensão aconteceram na clínica em que atendia, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste, e na casa de José. A Polícia Civil recolheu diversos instrumentos usados nos procedimentos, celulares, cartões de crédito e dinheiro, além de munições de revólver calibre 380.

A delegada classificou a clínica como "insalubre" e revelou que diversos medicamentos fora da validade foram encontrados no local. Segundo as investigações, ele chegava a usar papel toalha durante os procedimentos.
"A clínica funcionava na Barra da Tijuca, na Olegário Maciel. Ao adentrarmos ali, verificamos que estava em uma situação bastante insalubre, contendo diversos medicamentos com prazo de validade vencido, estocados de maneira completamente irregular – sem a temperatura adequada – e várias luvas utilizadas juntamente com não utilizadas", detalhou.

José Luiz possui outras passagens pela polícia pelo mesmo crime. De acordo com a delegada, as investigações continuarão para apurar se há mais pessoas envolvidas no esquema. Caso haja mais vítimas de José Luiz, a Polícia Civil pede para que prestem depoimento.

"A Polícia Civil busca conscientizar as mulheres de que a prática do aborto é criminosa. Entretanto, a gente busca ter mais vítimas vindo aqui e colaborando com as investigações. O sigilo vai ser mantido e vamos fazer de tudo para que essa possível vítima, colaborando com as investigações, não venha a ser gravemente punida", afirmou.
*Colaboração: Érica Martin