Lucélia Domingos Isidro morta em Caxias, de 44 anos, foi morta pelo exReprodução / Redes Sociais

Rio - Lucélia Domingos Isidro, de 44 anos, assassinada pelo ex-marido na frente da filha, foi sepultada, na tarde deste sábado (6), no Cemitério Nossa Senhora das Graças, também conhecido como Tanque do Anil, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
O crime ocorreu na noite da última quinta-feira (4), em uma casa, no bairro Parque Marilândia, também em Duque de Caxias. A vítima havia acabado de chegar na residência quando Sebastião Rogério Ventura Costa atirou nas suas costas.
A mulher chegou a ser socorrida e levada para o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN), mas não resistiu aos ferimentos.
No cemitério, Thaciana Isidro, irmã de Lucélia, revelou que o ex-cunhado tinha um comportamento agressivo e que começou a se incomodar quando a mulher mudou o estilo de vida.
"Ele destruía tudo dentro de casa, jogava comida fora, já tirou colchão, cama e ar-condicionado das crianças. Eu cheguei a conversar com ele porque, com isso, ele estava prejudicando as filhas e não só ela. Ele sempre teve um comportamento bem agressivo. De um tempo para cá, umas duas semanas, ela conversou comigo e estava entendendo que não queria mais. Ela decidiu seguir e acho que ele percebeu essa virada de chave na vida dela. Ela bloqueou, não queria tanto contato e começou a ter forças para sair dessa situação. Ele percebeu e cometeu o que sempre falava. Ninguém acreditava que ele seria capaz de fazer isso", disse.
Segundo Thaciana, Lucélia já tinha registrado uma queixa contra Sebastião anteriormente, mas não solicitou medida protetiva porque acreditava que ele mudaria e não queria evitar que o homem visitasse os pais, que moram embaixo da residência onde o crime ocorreu.
Uma das filhas do casal assistiu o pai atirando na mãe. O relacionamento gerou duas irmãs gêmeas, sendo uma delas uma jovem com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com deficiência física.
"Minha irmã era uma segunda mãe para mim. Era muito cuidadosa com as meninas. Muito guerreira. Eu não suportaria viver a vida exaustiva que ela viveu. Era trem e ônibus, para cima e para baixo, com as meninas. Não deixem chegar ao ponto que minha irmã deixou. Procurem ajuda, vão em delegacia e denunciem. Por muitas vezes, a gente tentou fazer isso. Ela não deixou porque acreditava que ele ia mudar. Nunca mudou", lamentou Thaciana.
Durante o sepultamento, os presentes pediram justiça. Renata Pimenta, amiga de Lucélia, afirmou que o autor queria que a mulher deixasse a residência, pois ia se mudar com a amante para o local.
"Como mulher, me sinto indignada. Essa lei tem que mudar. Quantas mulheres já morreram? Ele não tinha o direito de tirar a vida dela. Se estava com a amante, ia viver a vida dele, mas não perturbasse ela. Ele viu que ela não estava dando mais importância e começou o narcisismo. Ele podia fazer tudo, menos ela. Ele poderia sair com várias mulheres e ela em casa. Ela sempre respeitou ele. Ele que nunca respeitou ela", comentou.
Nas redes sociais, amigos também lamentaram. "Triste. Minha amiga não merecia isso. Era uma pessoa maravilhosa, cuidava das filhas com toda dedicação. Ele fez o inferno até acabar com a vida dela e das meninas. Quem vai cuidar da filha dela que é Pessoa com Deficiência (PCD)? A menina precisa da mãe. Agora, ninguém vai fazer como ela", escreveu uma internauta.
Prisão
O assassino se entregou na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Belford Roxo, outro município da Baixada Fluminense, nesta sexta-feira (5). Ele se apresentou acompanhado de advogados.
Sebastião foi autuado em flagrante pelo crime de feminicídio.
*Colaborou Érica Martin