Fábio Ferreira, o Fabinho, tinha 44 anos e possuía baixa visãoRede Social

Rio - O corpo de Fábio Ferreira da Silva, 44 anos, foi velado e enterrado, nesta segunda-feira (22), no Cemitério de Campo Grande, na Zona Oeste. Ele morreu após ser baleado durante uma confusão registrada na noite de sexta-feira (19), na Praça Rosária Trotta, enquanto moradores acompanhavam a partida entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Segundo a Polícia Civil, os envolvidos e testemunhas já foram ouvidos, e diligências seguem em andamento para esclarecer a dinâmica dos fatos. A corporação informou ainda que Wellington Sacramento dos Santos, o policial apontado como autor dos disparos compareceu espontaneamente à delegacia após o ocorrido e alegou ter sido agredido antes de atirar.

Segundo relatos de testemunhas, a confusão começou após uma briga entre crianças que estavam na praça. O desentendimento teria evoluído quando familiares passaram a discutir. Eles afirmam que Wellington, que estava no local acompanhado da esposa e dos netos, teria se envolvido na discussão após um dos menores ser agredido. Em meio ao desentendimento, o irmão de um dos meninos que teria sido agredido se aproximou para entender o que estava acontecendo.

Nesse momento, de acordo com relatos, o sargento, que é avô de uma das crianças, empurrou o adolescente e questionou onde estava o pai dele, o que aumentou a tensão no local. O pai das crianças estava próximo, assistindo ao jogo da Seleção brasileira com Fábio e foram até o local para se informar sobre o que aconteceu. A situação se agravou e terminou com o policial atirando em Fábio e agredindo Wanderson Soares da Silva, que seria pai de uma das crianças. 

A versão apresentada pelo policial é diferente. Em depoimento, ele afirmou que o neto estava no meio de uma discussão com um adolescente e que ele teria ido ao local para apartar a situação. Disse ainda que foi agredido pela vítima e por Wanderson.
O sargento declarou que sacou a arma para se defender e admitiu que efetuou dois disparos contra Fábio e que também agrediu Wanderson Soares da Silva, que recebeu atendimento no Hospital Rocha Faria e logo foi liberado.

A morte provocou comoção entre familiares e amigos. Nas redes sociais, parentes da vítima cobraram justiça e afirmaram que Fábio não costumava se envolver em conflitos. Amigos também relataram que ele possuía baixa visão desde a infância.

Segundo um amigo, Fábio tinha apenas entre 15% e 25% da visão e não costumava se envolver em confusões. Nas redes sociais, ele também publicou um desabafo direcionado ao policial militar.

"Fabinho desde novinho não enxerga direito, ele tem de 15% a 25% da visão e você tirou a vida do rapaz, sabe em que circunstância? Porque você arrumou um tumulto, entrou numa briga de criança, meteu a mão no filho dos outros sem o pai estar ali e eu conheço o pai, que também cresceu comigo, e agora não queria que ninguém falasse nada? Você é quem? Você tem que manter o respeito, tem que honrar a farda que veste, porque essa farda aí é pra proteger o cidadão, não é pra tirar a vida de cidadão", destacou.

De acordo com a Polícia Civil, o sargento não foi preso porque, após análise inicial dos fatos, não havia motivos para prisão em flagrante. A investigação prossegue com a coleta de depoimentos, análise de imagens e demais provas.

A reportagem de O DIA busca contato com a defesa de Wellington Sacramento dos Santos. O espaço segue aberto para posicionamentos.