Grevistas da Uerj cobram investimentos e fim do impasse Leonardo Brito/Agência O Dia
Alerj aprova indicação para servidores da Uerj e grevistas cobram resposta do governo
Categorias aguardam avanço das negociações para decidir futuro da greve
Rio - Em meio à greve que já dura três meses, a Alerj aprovou, nesta quinta-feira (25), uma indicação que pede ao governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, o envio de um projeto de lei para criar um adicional destinado a professores e técnicos-administrativos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A medida foi recebida como uma vitória pelos servidores.
De autoria do deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ), a proposta prevê a criação de um mecanismo que substitua os antigos triênios para os servidores que ingressaram no serviço público após a Lei Complementar 194/21. O texto aprovado pelos deputados ainda depende do envio de uma mensagem do governo estadual para que possa tramitar como projeto de lei e ser votado pela Casa.
No mesmo dia da aprovação, docentes, técnicos e estudantes realizaram um ato em frente ao Tribunal de Justiça do Rio, no Centro, onde Ricardo Couto exerce as funções como presidente do TJ-RJ e governador em exercício. Os manifestantes cobraram a retomada das negociações e a realização de uma nova reunião com o chefe do Executivo estadual.
Segundo o professor Léo Kaplan, integrante do Comando de Greve Docente, a aprovação da indicação representa uma demonstração clara de apoio da Alerj à reivindicação da categoria.
"Hoje foi aprovada, na Alerj, por unanimidade, uma indicação legislativa assinada por mais de 40 deputados de vários espectros políticos. Isso mostra ao governador que a Assembleia quer votar e pretende aprovar essa matéria", afirmou.
Kaplan ressaltou que a principal expectativa dos grevistas é o envio imediato do projeto de lei pelo Executivo.
"A questão é que o governador precisa encaminhar essa mensagem para que o projeto seja votado em caráter de urgência até o dia 30 de junho. Nossa expectativa, enquanto Comando de Greve Docente, é justamente quanto ao envio desse texto para a Alerj", disse.
O professor também afirmou que a categoria deseja uma nova reunião com Ricardo Couto, mas considera a tramitação do projeto o ponto mais urgente das negociações.
"Nós gostaríamos de outra reunião com o governador. Mas, para os docentes, o principal, neste momento, é que ele envie o projeto para que a Assembleia possa apreciá-lo ainda neste semestre", acrescentou.
A próxima assembleia dos professores está marcada para o dia 1º de julho. De acordo com Kaplan, uma eventual aprovação do projeto poderá influenciar diretamente a avaliação da categoria sobre a continuidade da paralisação.
"Se o projeto for aprovado, esse será um elemento importante a ser considerado. A categoria vai decidir, em assembleia, se manterá ou não a greve", explicou.
Enquanto as negociações seguem sem definição, estudantes da Uerj e do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (Cap-Uerj) permanecem sem aulas.

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