Thaís Iolanda, ao lado do marido Leandro Abreu, segurando a roupinha e o perfume de Eduarda CruzÉrica Martin/ Arquivo Agência O Dia
Em entrevista a O DIA, Thaís Iolanda da Cruz, mãe da criança, contou que ela e o marido, Leandro Abreu, são donos de uma loja de roupas na cidade. Segundo ela, com o lucro do comércio, ele passou a emprestar dinheiro com juros, atividade que a família reconhece como ilegal.
"Meu marido pega dinheiro que vem da nossa loja de roupas e empresta. Nós também acumulamos alguns bens materiais ao longo desses anos. Mas as pessoas veem as nossas conquistas e acham que estamos extorquindo alguém, mas não é verdade. Ele sempre foi trabalhador e começou a emprestar o dinheiro que era dele", afirma Thaís.
Em outro momento, a mãe reconhece que a atividade pode ter contribuído para a tragédia. "Por um erro nosso, porque sabemos que isso não é o correto, veio a consequência, que foi a morte da Eduarda. Só pedimos por justiça nesse momento", desabafa.
Ainda segundo Thaís, após o crime, a família passou a ouvir rumores de que Leandro teria ligação com a milícia, o que ela nega. "Começaram a falar que meu marido era miliciano e levaram isso até chefes de comunidades. Mas não é verdade. Tanto que, quando fomos à delegacia, os policiais viram que não temos nenhum antecedente criminal", diz.
Pai de Eduarda pulou o muro para pedir ajuda
Na madrugada de segunda-feira (22), criminosos pularam o muro, arrombaram o portão e invadiram o imóvel à procura de Leandro. Segundo a família, os invasores usavam roupas semelhantes às do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e se identificavam como policiais.
Assustada com a movimentação, Thaís pediu que o marido pulasse o muro da casa para buscar ajuda. Ela também orientou Eduarda a se esconder no closet, mas a menina acabou atingida por um disparo na cabeça.
"Eles entraram para executar a nossa família. Meu marido estava dentro de casa e eu pedi para ele pular o muro para pedir ajuda. Passou pela nossa cabeça que eles fariam a mesma coisa de três anos atrás, quando outra casa nossa foi invadida e nos fizeram reféns. Mas, dessa vez, eles chegaram atirando. Foram muitos tiros de fuzil. Entraram no quarto e eu gritava muito tentando avisar que o Leandro não estava em casa", lembra Thaís.
Imagens de câmeras de segurança instaladas na residência registraram a ação dos criminosos e estão sendo analisadas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), responsável pelas investigações. Até o momento, ninguém foi preso.
"A Eduarda tinha três anos naquela época, e a abordagem foi do mesmo jeito. Arrombaram o portão da casa e começaram a gritar, dizendo que eram policiais civis. Eles pediam dinheiro e queriam saber onde estava a arma do meu marido. Nos fizeram reféns. Apontaram uma arma para a cabeça da Eduarda. Depois que conseguiram o que queriam, nos soltaram", lembra Thaís.
O corpo da menina foi sepultado na terça-feira (23), no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu.
"Há dores que nenhuma família deveria conhecer. Há ausências que nenhuma comunidade deveria experimentar. Diante da morte da pequena Eduarda Cruz, unimo-nos em oração e solidariedade aos seus familiares, amigos, colegas e educadores. Em meio à tristeza e à indignação que uma perda como essa provoca, renovamos nosso compromisso com a defesa da vida, especialmente da vida das crianças. Que o Deus da consolação acolha E. em seus braços e fortaleça todos os que hoje choram sua partida", lamentou.



Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.