Thais Iolanda segurando a roupinha e o perfume de Eduarda Cruz dos Santos Bastos, de 7 anosÉrica Martin/Agência O Dia
"Levaram o que eu tinha de maior. A covardia acabou com a minha filha. Acabou com a minha vida", desabafou o pai da criança, Leandro Abreu. Segundo as investigações iniciais, homens armados invadiram a casa da família, no bairro Rodilândia, durante a madrugada. A principal hipótese apurada pela polícia é a de que criminosos procuravam o pai da menina. No momento da invasão, estavam na casa apenas Eduarda e a mãe, Thais Iolanda da Cruz.
De acordo com o relato da família, os invasores pularam o muro, arrombaram o portão e entraram no imóvel à procura de uma pessoa. Assustada com a movimentação, Eduarda tentou se proteger no closet, mas acabou atingida por um disparo na cabeça.
A menina foi levada em estado gravíssimo para o Hospital Geral de Nova Iguaçu. Apesar dos esforços da equipe médica, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória na manhã de segunda-feira e morreu horas depois.
Durante o velório, a mãe era a mais emocionada. Amigos e familiares a abraçaram nesse momento tão difícil. Ela afirmou que nunca imaginou passar pela dor de enterrar uma filha. "Eu já vi muito enterro aqui e nunca pensei que um dia fosse enterrar minha filha. Ela era uma princesa. Era sorridente, alegre, carinhosa. Todo mundo gostava dela. Você olha para esse lugar cheio de gente e entende o quanto ela era amada. Ela morreu por causa de uma violência que não tinha nada a ver com ela", lamentou.
Leandro disse que a covardia acabou com o que ele tinha de "maior". "Estou muito triste. Muito triste mesmo. A gente nunca imagina que uma coisa dessas vai acontecer dentro da nossa própria casa. Eu só peço justiça pela minha filha. Justiça pela maldade que fizeram com ela. Isso destrói qualquer pai. Eu sempre trabalhei, sempre cuidei da minha família, nunca fiz maldade com ninguém. E hoje estou aqui enterrando a pessoa que eu mais amava. A covardia acabou com a minha filha e acabou com a minha vida.", pontuou.
Em outro momento, o pai negou qualquer envolvimento com o tráfico de drogas, já que as primeiras informações apontaram que os assassinos procuravam por ele no momento do crime. "Sempre trabalhei. Tenho 20 anos de carteira assinada. Não tenho envolvimento com tráfico, não tenho envolvimento com nada. Se tiver alguma coisa, podem procurar. Nunca fiz covardia com ninguém. Parece que basta você tentar crescer na vida para aparecer gente querendo destruir tudo o que você construiu", criticou.
A morte da criança provocou revolta entre parentes e amigos, que acompanharam o enterro carregando flores e cartazes pedindo a identificação e a prisão dos responsáveis.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Os agentes realizam diligências, colhem depoimentos e analisam imagens de câmeras de segurança da região para tentar identificar os autores da invasão e esclarecer a motivação do crime. Até o momento, ninguém foi preso.
"Há dores que nenhuma família deveria conhecer. Há ausências que nenhuma comunidade deveria experimentar. Diante da morte da pequena Eduarda Cruz, unimo-nos em oração e solidariedade aos seus familiares, amigos, colegas e educadores. Em meio à tristeza e à indignação que uma perda como essa provoca, renovamos nosso compromisso com a defesa da vida, especialmente da vida das crianças. Que o Deus da consolação acolha E. em seus braços e fortaleça todos os que hoje choram sua partida", lamentou.
A instituição também comentou sobre a questão da violência no estado. "Rezemos também para que a violência não tenha a última palavra em nossa sociedade e para que nossas crianças possam crescer em segurança, dignidade e esperança", disse.

























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