Secretário de Polícia Civil do Rio, delegado Delmir Gouveia, no sepultamento do policial Carlos AlbertoLeonardo Brito/Agência O Dia

Rio - Durante o cortejo até a cremação do inspetor da Polícia Civil Carlos Alberto Freire Neto, 35 anos, no Cemitério Parque da Colina, em Niterói, o secretário de Polícia Civil do Rio, delegado Delmir Gouveia, demonstrou indignação com as circunstâncias da morte do agente. Segundo ele, mesmo após ser baleado na cabeça, Carlos ainda conseguiu conduzir a viatura, atravessar a Avenida Brasil e buscar socorro de colegas que passavam pelo local, na quarta-feira (8).

"O policial que nós estamos sepultando agora, que dirigia, ainda conseguiu conduzir o veículo por alguns metros, atravessou a Avenida Brasil e foi socorrido por outros policiais que estavam passando, por acaso, e que também foram atacados. Foi um ataque totalmente brutal e covarde. Não houve troca de tiros, não houve nada. Eles foram atacados dentro da viatura", afirmou o secretário.

Ainda de acordo com Gouveia, a viatura usada pelos policiais era descaracterizada, mas possuía placa oficial. "Eles sabiam que era uma viatura policial. Não foi um caso de um carro qualquer. Eles sabiam que era uma viatura da Polícia Civil, que estava apenas no acesso à comunidade, já retornando para a Avenida Brasil, quando os agentes foram atacados pelas costas", completou.

Ao lado de dezenas de colegas de Carlos, o secretário destacou que o inspetor tinha apenas dois anos e meio de atuação na corporação, mas já era reconhecido pelo comprometimento com o trabalho. "Tinha vários trabalhos realizados, era um policial dedicado e vinha se destacando. Trabalhava com afinco e dedicação, como praticamente todos os policiais trabalham. Era muito querido na unidade e também pelos demais colegas", disse.

Suspeitos identificados

O secretário da Polícia Civil afirmou que as investigações já identificaram alguns dos envolvidos no ataque.  "Vamos prender todos. Vamos agir dentro da lei, como sempre agimos, mas vamos prender todos. Ninguém vai atacar, ferir ou matar um policial civil e ficar impune", garantiu.

Em seguida, Gouveia fez um alerta às comunidades que eventualmente derem abrigo aos criminosos. "Criminosos de outras comunidades, da mesma facção, que derem abrigo a esses bandidos também sofrerão ações da Polícia Civil, assim como qualquer outro que os esconder. A Polícia Civil vai a qualquer lugar. Não há comunidade onde não entraremos, se necessário, com o apoio da Polícia Militar", finalizou.
Despedida de inspetor morto é marcada por revolta
Antes de ser cremado, o inspetor foi velado na Câmara Municipal de Niterói, Região Metropolitana. O corpo chegou ao local do velório por volta das 14h30. Colegas da Polícia Civil ajudaram a levar o caixão para dentro do salão principal, em que a despedida aconteceu.
O caixão deixou a Câmara às 15h37 sob uma salva de palmas. Agentes de várias unidades estiveram presentes para prestar as últimas homenagens. O corpo seguiu em cortejo no caminhão do Corpo de Bombeiros, seguido por um comboio de viaturas da Polícia Civil, até o Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, onde o agente foi cremado.
Às 17h250, o corpo chegou no cemitério e a tristeza era absoluta. Colegas de farda e amigos ficaram próximos do caixão enquanto acontecia o corteja que os levava para o momento da cremação. Em um determinado momento, o helicóptero da polícia jogou pétalas de rosas.

Morador de Niterói, Carlos Alberto ingressou na Polícia Civil em dezembro de 2023 e, desde maio, atuava na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Ele deixa esposa e dois filhos.