Ele foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste. O agente chegou a passar por cirurgia, mas não resistiu e morreu durante a tarde. Ainda não há informações sobre o sepultamento.
O oficial ingressou na corporação em dezembro de 2023 e, desde maio, era lotado na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Ele deixa a mulher e dois filhos.
Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol) lamentou a morte de Carlos Alberto. "Neste momento de dor, a instituição se solidariza com familiares, amigos e colegas de trabalho, prestando suas mais sinceras condolências", afirmou,
Além dele, uma policial também foi atingida na perna. Ela tem quadro de saúde estável e segue em avaliação. Uma terceira agente também recebeu atendimento, mas sem ferimento por arma de fogo e a princípio sem sinais de gravidade.
O governador do Rio, Ricardo Couto, também lamentou a perda do agente. "Recebi com profunda tristeza a notícia da morte do policial civil Carlos Alberto Freire Neto. Neste momento de dor, me solidarizo com seus familiares, amigos e colegas da Polícia Civil", diz um trecho da nota.
Ainda segundo Couto, o governo acompanhará de perto as investigações para que os responsáveis por esse crime sejam identificados, presos e responsabilizados. "Ataques contra agentes de segurança são inaceitáveis e receberão uma resposta firme das instituições", finalizou.
De acordo com a Polícia Civil, os agentes da DHBF faziam diligências de inteligência na região quando foram atacados. Uma viatura da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) passava pelo local e parou para dar apoio, dando suporte até o hospital.
A corporação classificou a ação como covarde e reforçou que “ataques contra agentes de segurança pública representam um ataque direto ao Estado”. Após o ocorrido, centenas de agentes se dirigiram ao local. Eles realizam buscas na comunidade do Muquiço atrás dos envolvidos.
Segundo o subsecretário de Planejamento da PCERJ, a corporação permanecerá por tempo indeterminado na comunidade do Muquiço para prender os envolvidos no ataque. “Nesse momento a decisão é essa. Até nós temos todas as informações necessárias para capturar esses elementos, mas isso não significa não estamos em outros locais, fazendo outras diligências. A finalidade é capturá-los. Vamos colocar toda a energia da Polícia Civil nisso", afirmou o delegado Carlos Oliveira.
Lideranças do Muquiço
Carlos Eduardo Barros de Oliveira, o Grisalho, e Bruno da Silva Loureiro, o Coronel do MuquiçoDivulgação
A comunidade do Muquiço tem como principal líder criminoso Bruno da Silva Loureiro, de 43 anos, conhecido como Coronel do Muquiço. Ele foi preso em junho deste ano no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, onde estava internado para tratar uma infecção.
Coronel possui anotações por homicídio, tráfico de drogas e lesão corporal, sendo considerado um criminoso de altíssima periculosidade pelas forças de segurança. Em 2025, ele foi investigado como mandante do assassinato de Sther Barroso dos Santos, de 22 anos. Após ser abordada por bandidos durante um baile funk na Vila Aliança, em Bangu, a jovem foi torturada até a morte.
As buscas, no entanto, começaram anos antes desse crime. Ainda em 2021, o Disque Denúncia divulgou um cartaz pedindo informações sobre o paradeiro de Bruno, com recompensa de mil reais. Na época, ele já era apontado como liderança do TCP.
Outro nome que exerce liderança na região e que pode ter coordenado o ataque aos policiais é Carlos Eduardo Barros de Oliveira, conhecido como Grisalho. Oriundo do Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio, ele também é apontado pelas autoridades como integrante de uma quadrilha especializada em roubos de carga.
Aliado de Thomaz Jhayson Vieira, o 3N, que chefiava o tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, Grisalho deixou a facção Comando Vermelho (CV) para integrar o Terceiro Comando Puro (TCP), seguindo o mesmo caminho de 3N.
Em 2019, Grisalho ganhou repercussão nas redes sociais ao publicar uma selfie acompanhada da legenda: "Quem me pegar tem um doce", em tom de deboche à polícia. Contra ele há 14 mandados de prisão em aberto, um deles por homicídio.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.