Rio - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu a prisão preventiva do pastor Márcio Poncio em regime domiciliar, mediante o cumprimento de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. Ele foi preso no último dia 2 pela Polícia Federal, durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne.
Na ocasião da prisão, agentes da PF o localizaram em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Poncio é investigado por lavagem de dinheiro supostamente praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e por um possível esquema envolvendo integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.
Moraes justificou a decisão com base no estado de saúde de Márcio, que sofre de retocolite ulcerativa grave, passou por cirurgia para retirada do intestino grosso e do reto e precisa de tratamento contínuo. O ministro também considerou a gravidez de alto risco da esposa do investigado.
Além do monitoramento eletrônico, o pastor também está proibido de manter contato, por qualquer meio, com os demais investigados e de utilizar redes sociais. A medida determina ainda a suspensão imediata de eventuais documentos de porte de arma de fogo em seu nome e a entrega dos passaportes.
Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que foi notificada oficialmente da decisão judicial. "No entanto, para a liberação do citado é necessário, por parte da defesa, o cumprimento de exigências impostas pelo Supremo Tribunal Federal", explicou em comunicado.
Na noite desta sexta-feira (10), o ministro também determinou a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, detido no âmbito da mesma operação. Ele também deverá cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Márcio Poncio construiu um império empresarial no setor de cigarros, atividade que lhe rendeu o apelido de "pastor do cigarro". Com o patrimônio acumulado, passou a ostentar uma vida de luxo, com mansões e imóveis de alto padrão no Rio de Janeiro, além de uma casa em Angra dos Reis, na Costa Verde. Paralelamente, atua como líder religioso da Igreja da Nuvem.
Nas redes sociais, ele se apresenta como servo de Deus, patriarca da família Poncio e empresário. Nos últimos anos, porém, a atuação dele fora do ambiente religioso passou a chamar atenção, enquanto a família ganhou notoriedade nas redes ao compartilhar a rotina com milhares de seguidores. Episódios envolvendo supostas traições, conflitos familiares e investigações policiais colocaram a família Poncio em evidência na mídia.
O investigado é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Ele é casado com Simone Poncio, que, aos 50 anos, está grávida do terceiro filho do casal. Assim como os herdeiros, Simone compartilha nas redes sociais detalhes da rotina da família e dos preparativos para a chegada do bebê.
Com influência no meio político fluminense, Márcio Poncio disputou uma vaga de deputado federal nas eleições de 2022, mas não teve votos suficientes e terminou como segundo suplente. Em 2025, anunciou candidatura à Prefeitura de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, em eleição suplementar convocada após a cassação do mandato do então prefeito Joa Barbaglio (Republicanos). Ele foi derrotado por Jonas Dico (Podemos).
Operação Unha e Carne
A 5ª fase da Operação Unha e Carne investiga a lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e um possível esquema com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. Os agentes cumpriram 14 mandados de busca e apreensão na cidade do Rio e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Os três alvos de prisão preventiva foram o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho; o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar; e o pastor Márcio Poncio.
Adilsinho, apontado como chefe da máfia de cigarros ilegais, e Bacellar já estão presos. Após a operação deflagrada nesta quinta, o antigo deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativo do Rio (Alerj) será transferido para um presídio federal.
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