Pescadora Priscila Amorim reflete sobre a esperança de recuperar o sustento de sua família com a nova ETEDivulgação

"Meu neto foi internado duas vezes com infecções intestinais graves depois de brincar na água." A lembrança é da pescadora Priscila Amorim, moradora de Nova Iguaçu, que viu o Rio dos Poços deixar de ser fonte de sustento e lazer para se transformar em um risco à saúde de sua família e de toda a comunidade local. Ao longo de décadas, o lançamento de esgoto no curso d'água, que integra a Bacia do Guandu, degradou o manancial e comprometeu a vida de quem dependia dele.

Agora, a entrada em operação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Queimados, construída pela Águas do Rio, inaugura uma nova etapa para a recuperação ambiental da Baixada Fluminense. Com capacidade para tratar 51 milhões de litros de esgoto por dia, a unidade beneficiará cerca de 270 mil moradores de Queimados, Japeri e de parte de Nova Iguaçu.

A recuperação de rios degradados ao longo de décadas pelo despejo irregular de efluentes é um processo gradual, ressalta a concessionária. Ainda assim, a perspectiva de ver o Rio dos Poços voltar a produzir como antes foi suficiente para levar Priscila a conhecer a nova estação. A pescadora sonha em recuperar os tempos em que conseguia retirar entre 100 e 150 quilos de peixes por dia.

"Hoje, mesmo após jornadas de até 12 horas no rio, dificilmente voltamos para casa com mais de 20 quilos de peixe. Nossa renda caiu e hoje não ultrapassa um salário mínimo. A nova estação traz a esperança de que a água limpa cure o rio e devolva a nossa rotina", disse ela.
Vista aérea da ETE Queimados, cuja área de 38,4 mil metros quadrados foi estrategicamente escolhida nas proximidades do Rio Guandu - Divulgação
Vista aérea da ETE Queimados, cuja área de 38,4 mil metros quadrados foi estrategicamente escolhida nas proximidades do Rio GuanduDivulgação
Setecentos quilômetros de novas redes

É justamente esse cenário que a ETE Queimados começa a ajudar a reverter. A unidade, que entrou em operação pela concessionária do grupo Aegea no mês passado, integra um investimento de R$ 640 milhões, que inclui a implantação de 700 quilômetros de redes de esgoto em Japeri, Queimados e Nova Iguaçu, além de 60 estações elevatórias e 13,2 quilômetros de coletores-tronco — tubulações de grande porte que recebem o esgoto de redes menores e o conduzem até a estação de tratamento.

Instalada em uma área de 38,4 mil metros quadrados, nas proximidades do Rio Guandu, a estação permitirá que os efluentes antes lançados sem tratamento na Bacia do Guandu passem a ser tratados, reduzindo a carga de poluição do manancial responsável pelo abastecimento de 9 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio.
imagem do Rio Guandu, cercado por verde, simboliza o patrimônio natural da Baixada Fluminense - Divulgação
imagem do Rio Guandu, cercado por verde, simboliza o patrimônio natural da Baixada FluminenseDivulgação
Legado ambiental e social

Para Felipe Esteves, diretor-executivo da Águas do Rio, a entrada em operação da estação representa um passo importante para recuperar um patrimônio ambiental da Baixada Fluminense e ampliar os impactos positivos do saneamento para a população.

"Quando recuperamos um rio, recuperamos muito mais do que um curso d'água. Tiramos um importante fator de risco para doenças, como hepatite A e diarreias, e criamos condições para que atividades tradicionais, como a pesca, possam voltar a prosperar. Assim, deixamos um legado ambiental que será sentido pelas próximas gerações. O saneamento tem esse poder de transformar o presente sem perder de vista o futuro, criando oportunidades para que as pessoas vivam melhor, com mais qualidade de vida e perspectivas de desenvolvimento."
Nova Estação de Tratamento de Água (ETA) de Queimados é responsável por garantir o acréscimo de 9 milhões de litros diários no abastecimento - Divulgação
Nova Estação de Tratamento de Água (ETA) de Queimados é responsável por garantir o acréscimo de 9 milhões de litros diários no abastecimentoDivulgação
Oferta de água também é ampliada

A transformação do saneamento em Queimados também avança na área de abastecimento de água. Entregue pela Águas do Rio no início deste mês, a primeira Estação de Tratamento de Água (ETA) do município ampliou a oferta em cerca de 9 milhões de litros por dia, beneficiando aproximadamente 45 mil moradores e reforçando o fornecimento para a cidade.

Construída em contêineres para atender a uma necessidade emergencial, a unidade realiza tratamento convencional integral e complementa a operação da Represa São Pedro, integrante do Sistema Acari, cuja vazão costuma diminuir nos períodos de estiagem.

"A nova estação amplia a capacidade de abastecimento e traz mais segurança hídrica para Queimados. É uma infraestrutura que acompanha o crescimento da cidade, reduz a dependência de outras fontes de produção de água e garante mais estabilidade ao sistema, especialmente nos períodos de maior consumo", explicou Esteves.