Carro foi atacado com coquetel molotov em CopacabanaReprodução / Redes sociais

Rio - Um carro da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) foi atacado com um explosivo, conhecido como coquetel molotov, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, na noite desta quinta-feira (23). Nas redes sociais, o prefeito Eduardo Cavaliere afirma que o atentado pode ter sido uma represália contra o programa Tolerância Zero, que tem o objetivo de combater o comércio irregular na orla da cidade.

O prefeito publicou imagens capturadas pelas câmeras de segurança do Município e destacou que os autores do vandalismo foram identificados. O vídeo mostra o veículo estacionado em frente à Praça Serzedelo Corrêa no momento em que um clarão aparece abaixo dele. Os agentes da Seop correm em direção ao automóvel e conseguem controlar as chamas.

Veja o vídeo
“As tentativas de represália são claras e agora chegaram ao ponto de usar explosivos contra autoridades públicas em Copacabana. Alguém tem dúvida do tipo de organização que está por trás dessas ações? A Prefeitura do Rio não vai recuar e seguirá avançando com o programa Tolerância Zero, trabalhando em conjunto com as forças de segurança estaduais para preservar o espaço público e avançar para outras áreas da cidade”, escreveu Cavaliere.
O prefeito ainda afirmou que a orla estava sendo explorada com pontos de venda e distribuição ilegal de produtos sem origem comprovada, com cobranças de aluguel, diárias e taxas pelo crime organizado.
O ataque está sendo investigado pela 12ª DP (Copacabana). A distrital requisitou as imagens de câmeras de monitoramento para identificar a autoria do crime. "Outras diligências estão em andamento para esclarecer os fatos", comunicou a Polícia Civil.
Polêmicas com relação ao Tolerância Zero
O programa Tolerância Zero começou a ser implementado na quinta-feira passada (16) e gerou polêmica entre os ambulantes cariocas. Manifestações organizadas pelo Sindicato dos Trabalhadores Informais (Sindinformal) e pelo Movimento Unido dos Camelôs (Muca) fecharam as vias da orla de Copacabana e Ipanema. 
O grupo cobra a abertura de um canal de diálogo com o município e criticaram o que classificam como falta de apoio para a regularização da categoria. Os participantes levantaram cartazes com dizeres "deixa o povo trabalhar", "camelô não é bandido" e "respeite nossa história". 
Nesta sexta-feira (17), o MPF ingressou com ação civil pública, com pedido de tutela de urgência, para suspender os efeitos do programa instituído pela prefeitura nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon.
O procurador afirmou que a prefeitura implantou uma política permanente de fiscalização das praias sem observar as normas federais que disciplinam a gestão desses espaços. O MPF alega que o programa foi criado sem diálogo com a União, titular das praias marítimas, sem participação da sociedade e sem medidas voltadas à regularização de situação de milhares de trabalhadores que dependem do comércio ambulante para sobreviver.
Eduardo Cavaliere rebateu a ação, apontando "omissão de valores" e "omissão". "Após a atuação efetiva do Governo do Estado e da Prefeitura do Rio retomando a autoridade no espaço público para coibir as flagrantes ilegalidades: o tal procurador do MPF com histórico de postura meramente ideológica resolve entrar na justiça extrapolando as suas competências para defender o indefensável", escreveu nas redes sociais.
Programa Tolerância Zero
A primeira fase do programa Tolerância Zero pretende impedir que ambulantes irregulares se instalem no calçadão da Zona Sul. No primeiro dia, 88 comerciantes informais foram abordados, com a apreensão de cinco triciclos, 11 carrocinhas e três veículos que funcionavam como depósitos não autorizados, além de 108 bebidas e 136 alimentos sem comprovação de procedência ou nota fiscal. 
O programa é baseado na ocupação territorial contínua, no patrulhamento ostensivo e na fiscalização integrada, com uso de tecnologias de monitoramento, como drones que comunicam aos ambulantes a atuação em uma área não autorizada.
Segundo a prefeitura, as ações serão planejadas por ciclos operacionais, com protocolos padronizados, indicadores de desempenho e avaliação contínua dos resultados. O objetivo é assegurar o uso regular dos espaços públicos, garantir a livre circulação de pedestres, preservar a mobilidade urbana e o patrimônio público, fortalecer o turismo e reduzir fatores que possam favorecer a prática de crime.