Equipes da Light atuam na Rua marquês Porto na Tijuca, Zona NorteÉrica Martin

Rio - Moradores de diversas regiões do Rio seguem sem energia elétrica pelo terceiro dia consecutivo, nesta sexta-feira (31), devido à ventania que atingiu a cidade e causou estragos na última quarta-feira (29). Segundo a Light, até 12h, cerca de 80 mil clientes ainda estava sem luz em sua área de concessão. Já a Enel ressalta que 99% dos consumidores tiveram o serviço restabelecido até o início da tarde.
Nas rede sociais, relatos revelam os transtornos em meio a falta de energia. "Uma tremenda falta de responsabilidade com os clientes! Zona Sudoeste com diversos bairros sem luz. Freguesia fará 48h sem luz! Isso é um absurdo!", disse uma moradora.
"Eu estou sem luz até agora! Mais de 40h. Perdi tudo da geladeira", contou outra. "Desde 16h sem luz aqui em Nilópolis, com medicamento de alto custo que precisa ser refrigerado, se eu não tivesse gente perto com luz ia ser R$ 60 mil e minha saúde de prejuízo", afirmou mais uma.
Ao DIA, o auxiliar administrativo José Rodrigues, de 67 anos, que mora no bairro Jardim José Bonifácio, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, já está há quase 40h sem energia. Ele explica que ainda nem conseguiu avaliar o total dos prejuízos causados.
"Ainda vamos computar o que foi perdido na geladeira. A Light deu previsão para ontem da retomada, mas ainda não voltou. Essa é a primeira vez que ficamos tanto tempo sem luz", relatou.
Em outro ponto, na Rua Marechal Marques Porto, Tijuca, Zona Norte, a Light precisou isolar uma área na manhã desta sexta-feira (31) após a queda de um fio de alta tensão, que também deixou moradores da região sem energia elétrica. Já na Avenida Renê Laclette, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste, a luz retornou por volta das 21h de quinta (30), depois de quase 30h às escuras.
No bairro Grande Rio, em São João de Meriti, a produtora cultural Regiane Sobral, de 49 anos, contou que o serviço foi parcialmente restabelecido na tarde de quinta (30), mas que parte da vizinhança ainda segue sem energia.
"Só um terço do meu bairro voltou a ter energia. O restante continua todo sem luz. No grupo, está todo mundo desesperado. Tem uma árvore caída na rede, que a Light não consegue consertar porque a prefeitura ainda não retirou. Eu descobri que sou uma felizarda, faço parte de um pedacinho do bairro que conseguiu ter a energia restabelecida, enquanto a grande maioria continua com apenas uma fase. Eu cheguei a perder arroz e feijão que estavam congelados", contou.
Morador da Rua Andrade Neves, na Tijuca, o síndico Luiz Damião, 65 anos, revelou que o prédio em que administra continua enfrentando transtornos desde a ventania.

"Nós estamos parcialmente sem energia, ela está indo e voltando. Tem vários moradores que têm luz num quarto, mas não têm na cozinha, o outro tem na cozinha mas não tem no quarto. E além disso, corremos risco de estragar geladeira e televisão. Fora que o prédio não está com as três fases, então eu não posso ligar nem bomba para subir água, nem elevador. E eu tenho várias pessoas de muita idade. Tem gente lá beirando 90 anos", frisou.

Damião ressaltou que chegaram a ficar totalmente sem energia na quarta-feira (29), por volta de quatro horas, e que desde então a Light não deu previsão para conclusão do reparo.

"Já foram feitas várias reclamações e a resposta é que não dá pra precisar porque estão com muita demanda em função do que aconteceu. O problema é que na calçada em frente tem energia, quer dizer, é só um trecho da rua que está sem e aí estamos sofrendo com esses transtornos', acrescentou.
Nas redes sociais, o prefeito Eduardo Cavaliere informou que a Prefeitura do Rio e do Centro de Operações Rio (COR) atuam para minimizar os impactos causados pela ventania na cidade.

"Seguimos cobrando a atuação da Light até que todas as casas tenham a energia elétrica restabelecida. Até agora, mais de 90% dos domicílios e estabelecimentos afetados já tiveram o fornecimento normalizado, de um total de 1 milhão de imóveis impactados. Vamos seguir aprimorando nossos protocolos de prevenção e atuação durante o período de Super El Niño", disse.
Até 8h, ainda havia 37 ocorrências de quedas de árvores em andamento no município. Ao todo, foram registrados 359 incidentes deste porte desde a ventania.
O que dizem as concessionárias?
Em nota, a Light informou que muitas árvores atingiram diretamente a rede elétrica da companhia, causando desligamentos e danos em diversas regiões. Na noite de quinta (30) o número de consumidores sem energia na capital era de 243 mil. Ao todo, no momento mais crítico da queda de luz em meio ao vendaval, aproximadamente 1,1 milhão de clientes foram afetados. Já na manhã desta sexta (31), 124 mil imóveis ainda estavam sem energia.

Os trabalhos seguem concentrados nas áreas mais afetadas da Zona Oeste e da Baixada Fluminense. Na capital, os bairros com maior impacto são Campo Grande, Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio. Na Baixada, os municípios mais afetados são Nova Iguaçu e Duque de Caxias.

"A Light informa que mais de 2 mil colaboradores estão empenhados ininterruptamente em uma força-tarefa para a normalização do fornecimento de energia, que entra agora em uma etapa mais complexa, com serviços de engenharia para a reconstrução da rede elétrica", afirmou a companhia em comunicado.

Segundo a Enel, do total de 36 mil clientes sem energia na manhã desta sexta-feira (31), 5 mil foram impactados nas primeiras ocorrências relacionadas aos fortes ventos e estão concentrados nos municípios de Niterói e Maricá, na Região Metropolitana.

"Esses são os casos mais complexos, que exigem a reconstrução de trechos inteiros da rede elétrica danificados pela queda de árvores de grande porte durante o evento climático, com a substituição de postes, transformadores e, por vezes, recondução de quilômetros de cabos. Em muitos pontos, a atuação das equipes também depende da remoção das árvores e da liberação de vias interditadas para permitir o acesso aos locais", afirmou em nota.

A Enel explicou que mantém a mobilização de equipes em campo para recompor sua infraestrutura elétrica e estima concluir na tarde desta sexta (31) o atendimento às ocorrências causadas pelo vendaval. 
Moradores fizeram manifestações

A demora no restabelecimento da energia provocou revolta em diferentes regiões do Rio. Nesta quinta-feira (30), moradores interditaram trechos da Avenida Brasil, em Santa Cruz, e da Estrada do Mapuá, em Jacarepaguá, para cobrar uma solução para os apagões.

Além dos bloqueios, a falta de energia também afetou semáforos, estações de transporte, estabelecimentos comerciais e residências.