Túmulo do ex-presidente Médici foi vandalizadoReprodução / Necrotour RJ
'Ditadura nunca mais': Túmulo de Médici é vandalizado em Botafogo
Ex-presidente, sepultado no cemitério São João Batista, governou o país de 1969 a 1974; pena sobre o vandalismo pode chegar a três anos
Rio - O túmulo do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, que morreu em outubro de 1985 aos 79 anos, foi vandalizado com os dizeres "ditadura nunca mais". A sepultura está localizada no cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul.
Nesta sexta-feira (7), o perfil Necrotour RJ - idealizado pela professora e guia de turismo Samantha Lobo - divulgou fotos da pichação. O página, que tem mais de 50 mil seguidores, reúne pessoas para visitas guiadas em cemitérios da cidade.
"Hoje [sexta], durante uma visita ao cemitério, me deparei com essa cena no túmulo do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici: 'Ditadura Nunca Mais'. Mais do que uma frase, um lembrete de que a história continua sendo discutida - até entre os túmulos", diz a postagem.
O perfil ressaltou que o São João Batista possui muitos funcionários circulando e que isso não reflete descaso da administração. "É humanamente impossível controlar tudo o tempo todo", finalizou.
O estabelecimento registra diversas sepulturas de famosos, como, por exemplo: Carmem Miranda, Santos Dumont, Cazuza, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Nilton Santos e Chacrinha. Também estão enterrados outros ex-presidentes, como Floriano Peixoto e Café Filho.
Violar ou profanar sepultura ou urna funerária é crime previsto no artigo 210 do Código Penal. A pena varia de um a três anos de prisão, além de multa.
A reportagem entrou em contato, via e-mail às 9h19 e 10h, com a concessionária RioPax, que administra o cemitério, mas ainda não recebeu retorno. O espaço está aberto para manifestação.
Quem foi Médici?
Emílio Garrastazu Médici foi presidente do Brasil durante a ditadura militar. Depois de um longo período nas Forças Armadas, foi nomeado, em 1960, o subcomandante da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Um ano depois, recebeu promoção para general-de-brigada.
Fez parte do golpe militar de 1964. Em outubro de 1969, após o então presidente Costa e Silva adoecer, foi indicado pelo Alto Comando das Forças Armadas para assumir a presidência.
Seu governo foi marcado pelo crescimento da repressão política - época de maior número de torturas e mortes, período conhecido como "Anos de Chumbo" - e da censura aos meios de comunicação.
Durante o governo, houve o período conhecido como "milagre econômico", com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e aumento do poder de consumo da classe média. Contudo, a maioria da população tinha o salário real diminuído, o que gerou o crescimento da desigualdade da distribuição de renda.
Em 15 de março de 1974, transferiu o cargo para o general Geisel.





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