Candidatos perfilados no primeiro debate para o governo do RioLucas Figueiredo/Band
No primeiro bloco, os concorrentes responderam à mesma pergunta formulada pela direção. Ao longo do encontro, Douglas Ruas foi um dos principais alvos. Adversários o associaram ao ex-governador Cláudio Castro (PL) e ao ex-deputado Rodrigo Bacellar (PL), preso desde março. Paes também apareceu diversas vezes nas críticas. No segundo bloco, jornalistas fizeram perguntas aos candidatos. Depois, vieram os confrontos diretos.
A abertura trouxe uma questão sobre a crise institucional do estado. A pergunta lembrou que os quatro últimos governadores eleitos não concluíram os mandatos. Os candidatos precisaram explicar como pretendem garantir uma gestão pautada pela integridade e pela transparência.
Garotinho afirmou que não pretendia disputar a eleição. Segundo ele, mudou de ideia após um "clamor da população". A segurança pública dominou sua resposta. O ex-governador citou a criação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e o projeto Delegacia Legal. Também afirmou que o estado enfrenta uma combinação de milícias, tráfico e problemas políticos na Alerj.
Douglas Ruas começou falando da própria trajetória. Nascido e criado em São Gonçalo, destacou a experiência na segurança e na administração pública. Para ele, o combate ao crime precisa ocupar o centro das políticas estaduais.
Siri afirmou conhecer "na pele" os problemas do estado e prometeu "revolucionar" o Rio. André Marinho disse ser o único candidato que "não deve nada na política" e defendeu uma transformação nos serviços públicos e privados.
Segurança pública concentra os ataques
A segurança pública dominou boa parte do debate. No primeiro confronto direto, William Siri questionou Douglas Ruas sobre supostas relações políticas envolvendo integrantes do governo e pessoas apontadas em investigações relacionadas ao crime organizado.
Ruas negou qualquer negociação com criminosos. Ele também ressaltou a condição de servidor de carreira e afirmou que sempre colocou a missão profissional acima de interesses políticos. O candidato também criticou o índice de letalidade violenta.
O ex-governador prometeu adotar no Rio medidas inspiradas no modelo de segurança de El Salvador, comandado pelo presidente Nayib Bukele. Também afirmou que "os bandidos estão no governo". Em outro momento, disse ter ouvido que o chamado "gabinete do crime" funcionava no Palácio Guanabara.
Marinho apresentou uma política que resumiu pela frase "sai fuzil, entra Brasil". Defendeu uma supersecretaria de Segurança Pública, o fechamento das divisas e o monitoramento das rodovias estaduais. Chamou o projeto de "Escudo Rio".
Paes vira alvo mesmo fora do debate
A ausência de Eduardo Paes não impediu as críticas. O ex-prefeito do Rio foi citado diversas vezes. Em determinado momento, os adversários passaram a chamá-lo de "candidato fujão". Ruas questionou Marinho sobre a relação com Paes. Ele citou episódios envolvendo acusações de comportamento machista e agressões atribuídas a integrantes do grupo político ligado ao prefeito.
Marinho respondeu com a defesa da Lei Maria da Penha. Prometeu levar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) para cidades com mais de 100 mil habitantes. Também falou em respeito às mulheres.
Ruas citou uma declaração de Paes sobre uma mulher que recebeu uma casa, em 2016, e relembrou um episódio envolvendo a vereadora Thalita Galhardo (PSDB), em 2024. Também mencionou o caso envolvendo o deputado Pedro Paulo (PSD) e uma acusação de agressão contra uma mulher.
O candidato prometeu ampliar as patrulhas da Lei Maria da Penha. Marinho defendeu ainda a criação de um "superconselho" de Segurança Pública.
Ruas voltou a criticar o grupo político de Paes. Disse que o prefeito se cerca de pessoas acusadas de agressão e citou Bernardo Fellows, ex-subchefe do gabinete de Paes, condenado por agressão a ex-mulher em 2018
Jornalistas questionam candidatos
No segundo bloco, jornalistas fizeram perguntas aos candidatos. Yasmin Bachour, da Band, abriu a rodada com uma questão para Douglas Ruas sobre segurança. O candidato afirmou que o crime organizado ampliou sua atuação e defendeu a retomada de territórios dominados por grupos criminosos.
Ruas também prometeu mais apoio aos policiais. Entre as propostas, citou assistência jurídica para agentes e a convocação de todos os aprovados ainda pendentes em concursos da segurança pública.
Berenice Seara, da Band e do Tempo Real, questionou William Siri sobre a piora do desempenho do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Ele perguntou pelas causas do resultado e pelas medidas para o ensino médio.
Siri criticou os salários dos profissionais da educação. Defendeu o ensino integral e prometeu renda básica para estudantes. Também anunciou a construção de 30 Cieps em seis meses, com modelo de ensino integral, dentista e alimentação.
Carlos Andreazza, da Band, perguntou a Garotinho sobre o transporte ferroviário e o futuro do sistema após o fim da operação da SuperVia.
Garotinho prometeu pagar o piso estadual, investir na Faperj e criar mecanismos de valorização dos professores. Também falou em capacitação e criticou o modelo de transporte. O candidato comparou o modelo da Supervia ao do sistema Jaé de transporte, e citou que seriam ligados ao consórcio Burundi, que seria ligado ao banco BTG, em que faz parte Guilherme Paes, irmão de Eduardo Paes.
Na saúde, a jornalista da Band, Agatha Meirelles questionou os candidatos sobre a demora no atendimento e as filas do Sisreg.
André Marinho prometeu criar um "código vermelho da saúde". A proposta prevê integração do sistema, uso de telemedicina e ampliação da capacidade de atendimento.
O candidato também defendeu mutirões para exames e procedimentos. Citou um modelo implantado em São Paulo. Segundo Marinho, hospitais privados e filantrópicos poderiam participar da iniciativa.
Servidores e saúde entram nos confrontos
William Siri questionou Douglas Ruas sobre promessas não cumpridas por Eduardo Paes aos servidores públicos. Ruas respondeu com foco na educação, defendeu 200 escolas cívico-militares, com participação de militares da reserva. Segundo ele, o modelo poderia ajudar a melhorar os indicadores educacionais.
Siri criticou a proposta do concorrente e reiterou a defesa em escolas de tempo integral, reajuste anual para servidores e um calendário de concursos públicos. O candidato também acusou Ruas de não ter defendido os policiais durante a reestruturação da carreira. O político de São Gonçalo rebateu e manteve a defesa das forças de segurança.
Na sequência, Ruas perguntou a Marinho como pretende ampliar o atendimento de saúde em casa. Marinho defendeu eficiência, clareza e uso de tecnologia. Ruas apresentou outra proposta: um Centro Integrado de Saúde, com consultas, exames e pequenas cirurgias. O candidato também prometeu um Centro de Saúde da Mulher. Falou em políticas públicas para mães atípicas e equipes multiprofissionais.
Marinho defendeu parcerias com hospitais privados e filantrópicos. Também citou a necessidade de um novo hospital na Zona Oeste. Ruas criticou a gestão de Paes na saúde municipal. Segundo ele, o prefeito não consegue explicar a falta de cirurgias e de medicamentos.
Marinho e Garotinho batem de frente
André Marinho voltou a questionar Garotinho sobre segurança pública. O candidato criticou a atuação das forças policiais no combate ao roubo de cargas. Também acusou seguradoras de manterem um suposto conluio com policiais e criminosos.
Garotinho prometeu criar um "Bope 2.0", que prevê ocupação de áreas pela Polícia Militar, com apoio da Polícia Civil. O ex-governador também atacou Ruas. Ele disse que o adversário passou "o tempo inteiro como secretário" e não apresentou resultados.
Marinho relembrou rebeliões ocorridas durante o governo Garotinho, em 2001. Ele pontuou principalmente a crise no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste. O candidato defendeu mais clareza na política de segurança.
Marinho também afirmou conhecer a localização de traficantes e milicianos apontados como lideranças criminosas no estado e citou nominalmente Doca, do CV, Peixão do TCP e Naval, herdeiro de Zinho na Milícia. Disse que pretende prendê-los e declarou que, caso reajam, poderão ser mortos.
Garotinho e Siri discutem saúde e economia
Garotinho questionou Siri sobre o Sisreg. O ex-governador criticou a atuação de organizações sociais na saúde e citou o deputado federal Luizinho e o ex-secretário Daniel Soranz (PSD). Siri aproveitou a resposta para apresentar propostas econômicas, como a reindustrialização do Rio. Para ele, o estado não pode depender apenas dos royalties do petróleo.
O candidato prometeu investir R$ 5 bilhões na fábrica de vacinas da Fiocruz, em Santa Cruz. Também citou investimentos em ciência e tecnologia, com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em Campo Grande.
Siri falou ainda em um complexo produtivo e na atração de indústrias com agenda ambiental. Garotinho defendeu a retomada da indústria naval e da produção industrial. Siri também prometeu acabar com a GRT, a taxa cobrada pelo Detran.
Candidatos fazem considerações finais
André Marinho voltou a atacar Eduardo Paes. Disse que sua candidatura está pronta para governar o estado. Também afirmou que, apesar das provocações, votará em Romeu Zema e na direita.
Marinho criticou ainda uma possível aproximação entre Siri, PSOL e economia. Defendeu uma mudança na administração estadual e afirmou que pretende tirar o Rio da "baderna".
Siri agradeceu. Disse ser o único candidato que conhece o estado e afirmou que pretende acabar com a "politicagem". "Sou o único que não tenho rabo preso", declarou. Em seguida, resumiu sua candidatura com outra frase: "Chegou a hora do Davi derrotar Golias". Também prometeu governar ao lado da população.
Douglas Ruas agradeceu aos eleitores e a Jair Bolsonaro. Criticou o foco excessivo na capital e defendeu atenção ao interior e às demais regiões. "O Rio precisa de mais carinho", afirmou.
Em outro momento, resumiu sua trajetória com a frase: "Sou filho do Rio que não sai na novela". Ruas defendeu renovação, resultados e políticas voltadas às pessoas. "O Rio precisa de resultado, de cuidar das pessoas e não de show", declarou.
Garotinho encerrou com novas propostas para o funcionalismo. Prometeu criar o cashback do funcionário público. Pela proposta, despesas com alimentação e limpeza poderiam gerar retorno de até 18% em impostos.
O ex-governador voltou a atacar Eduardo Paes e prometeu melhorar a segurança pública. Também afirmou que pretende "consertar a bagunça" que, segundo ele, administrações anteriores deixaram no estado.

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