Prefeitura entrega as chaves dos 11 primeiros imóveis históricos contemplados pelo Reviver Centro Patrimônio PRÓ-APAC Carlos Elias Junior/ Agência O Dia

Rio- A Prefeitura do Rio entregou, nesta quarta-feira (12), as chaves dos primeiros imóveis históricos contemplados pelo programa Reviver Centro Patrimônio PRÓ-APAC. Ao todo, 11 unidades localizadas na Rua do Teatro e no entorno do Largo de São Francisco de Paula serão revitalizadas com apoio financeiro do Município.
A cerimônia foi realizada no Real Gabinete Português de Leitura e contou com a presença dos secretários municipais de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, e de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, Gustavo Guerrante, além do secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, e da presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Laura Di Blasi.

O programa busca estimular a recuperação de prédios degradados, preservar imóveis históricos e incentivar novos usos para a região central, com impacto na moradia, no comércio, nos serviços e nas atividades culturais.
 
Segundo Osmar Lima, a revitalização precisa unir diferentes setores para produzir efeitos econômicos e sociais na região.

“A revitalização do Centro precisa ser pensada de forma integrada, porque a recuperação dos imóveis e a ocupação dos espaços geram impactos que vão muito além da transformação física da região”, disse o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico.

Imóveis terão subsídio para as obras

Os imóveis foram desapropriados por hasta pública e arrematados em leilão pela House RJ e pelo Real Gabinete Português de Leitura. Os proprietários poderão receber subsídio de até R$ 3.212 por metro quadrado para custear obras de restauração e requalificação, seguindo os critérios previstos no edital e no termo de adesão.

Também integra o programa a Venerável Ordem Terceira dos Mínimos, com sede na Igreja de São Francisco de Paula. A instituição assumiu o compromisso de restaurar imóveis no entorno do Largo de São Francisco de Paula e dar novos usos aos espaços.

Como a igreja é tombada, existem restrições para intervenções que possam afetar sua estrutura, inclusive em prédios próximos. Por isso, a recuperação dos imóveis também busca preservar o conjunto arquitetônico e cultural da região.

Os imóveis contemplados ficam na Rua do Teatro, nos números 9, 11, 13, 15, 17, 19 e 37, e no Largo de São Francisco de Paula, nos números 19, 21 e 23. O programa inclui ainda o terreno denominado “Lote 1”, na Rua Particular, sob os números 2, 4, 6, 8 e 10.

Para Gustavo Guerrante, a iniciativa pretende associar preservação histórica, ocupação e desenvolvimento urbano.

“Reabilitar a Rua do Teatro e a área do Largo de São Francisco significa trazer moradia, novos usos e segurança jurídica, mostrando que a preservação da memória e o desenvolvimento urbano podem caminhar juntos,” afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento.

As equipes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU) mapearam mais de 4 mil imóveis degradados na região. A partir do levantamento, foram definidos núcleos de atuação e realizados os leilões. Caso as obras não sejam realizadas conforme as condições estabelecidas no edital, os imóveis poderão retornar ao domínio do Município.

O Reviver Centro Patrimônio PRÓ-APAC é coordenado pela SMDE e pela SMDU e reúne ações de requalificação urbana, preservação do patrimônio histórico e fortalecimento da atividade econômica.

Reviver Centro amplia moradias e novos usos

Criado em 2021 para estimular a recuperação da região central, o Programa Reviver Centro contabiliza 81 licenças, que representam 8.903 novas unidades residenciais e 95 destinadas a atividades comerciais, de serviços e culturais, totalizando 8.998 imóveis. Os dados são do Painel Oficial de Monitoramento, atualizado em 6 de agosto.

Somente em 2026, foram licenciadas 1.528 moradias em 12 empreendimentos. Outros 27 pedidos de licença estão em análise e podem acrescentar mais 824 unidades residenciais à região.

A estratégia busca aproveitar a infraestrutura já existente no Centro, como transporte, serviços e equipamentos de lazer, para atrair moradores e novas atividades. Para Laura Di Blasi, a entrega das chaves representa uma etapa importante para a preservação do patrimônio carioca.
“O Pró-APAC foi desenhado para garantir que a requalificação urbana preserve a identidade, a arquitetura e os detalhes que fazem do Centro do Rio um patrimônio único.”

Projetos estimulam novos usos

Além do Patrimônio PRÓ-APAC, a Prefeitura mantém outros projetos voltados à recuperação de imóveis e à ocupação do Centro.

O Reviver Rua da Cerveja busca transformar a Rua da Carioca em um polo de cervejarias artesanais, incentivando a instalação de estabelecimentos no modelo brewpub, que produzem e comercializam cervejas e alimentos no próprio local. Nove cervejarias aderiram ao programa e seis já estão funcionando.

O projeto também prevê intervenções urbanas na Rua da Carioca, com ampliação das calçadas, criação de áreas de convivência, nova iluminação, arborização e reorganização das faixas destinadas a carros e ônibus. A iniciativa reúne a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CCPar), o IRPH e outros órgãos municipais.

Cultura ocupa imóveis

Outra iniciativa é o Reviver Cultural, criado para dar novos usos a imóveis ociosos e ampliar a presença de atividades ligadas à Cultura no Centro. O programa oferece apoio financeiro para a recuperação de espaços considerados estratégicos e busca conectá-los a projetos e estabelecimentos artístico-culturais.

A proposta é ampliar a ocupação dos imóveis, atrair novos negócios e fortalecer a recuperação econômica e urbana da região. Criado inicialmente pelas áreas de Desenvolvimento Urbano e Desenvolvimento Econômico, em parceria com a CCPar, o programa passou, em 2025, a integrar também a Secretaria Municipal de Cultura.

As iniciativas fazem parte da estratégia municipal para recuperar imóveis, ampliar a ocupação do Centro, atrair moradores e novos negócios e fortalecer a região como polo de cultura, serviços, comércio e lazer.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Marlucio Luna