Rodrigo Bacellar (D) ao lado de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH JoiasReprodução/Redes sociais

Rio - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes votou, nesta sexta-feira (14), pelo recebimento da denúncia contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto. Eles são acusados de obstruir as investigações relacionadas ao vazamento de informações sigilosas de uma operação contra o Comando Vermelho. Os três estão presos.

O voto de Moraes se estende a Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado, mulher e ex-assessor de TH Jóias, respectivamente. Para o ministro, a denúncia apresenta elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal.

Moraes é o relator do caso e foi o primeiro a votar. O julgamento acontece no plenário virtual da Primeira Turma até o dia 21 de agosto. Caso ele seja acompanhado pela maioria dos ministros, os cinco passarão a ser réus.
O ministro também recebeu a denúncia contra Macário por violação de sigilo funcional. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o desembargador teria usado o cargo para revelar previamente a existência de medidas cautelares sigilosas contra TH e outros investigados
Segundo a denúncia apresentada pela PGR, os acusados teriam atuado no curso das investigações da Operação Zargun, entre 2 e 3 de setembro do ano passado. A ação investigava a atuação da facção Comando Vermelho e suas conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro.
De acordo com a acusação, Macário então relator das investigações no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), teria tomado conhecimento da data da operação e vazado as informações sigilosas para Bacellar. Um dia antes da ação, os dois se encontraram. Para a PGR, a reunião seria para o repasse dos dados. A defesa nega.
Ainda segundo a denúncia, as informações teriam chegado até TH Joias, que supostamente trocou de aparelho celular e retirou objetos de interesse da investigação de casa antes da chegada dos policiais. Conversas entre o ex-deputado e Bacellar indicam que eles tinham conhecimento da ação e trocavam orientações.
Já Thárcio, ex-assessor de TH Joias, é acusado de favorecimento pessoal. Ele teria ajudado o ex-deputado a escapar da operação e deixado que se escondesse em sua casa, conforme a denúncia. 
O DIA entrou em contato com a defesa de Rodrigo Bacellar às 13h22 desta sexta-feira através de mensagem por WhatsApp, mas não teve retorno até a última atualização deste texto. A reportagem tenta contato com os representantes dos demais investigados. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.