Entidade já recebeu mais de 2,3 mil denúncias desde 2025Divulgação Flávia Freitas/OAB-RJ
Durante a mobilização, a presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basilio, além de advogados da Corregedoria e da Comissão Especial de Combate ao Golpe do Falso Advogado, tiraram dúvidas da população e explicaram como identificar abordagens suspeitas.
O golpe ocorre quando criminosos obtêm dados de processos públicos, fotos e informações dos profissionais para se passarem pelos advogados das vítimas, geralmente pelo WhatsApp. Os falsários cobram transferências via Pix com a justificativa de pagamento de taxas ou liberação de valores referentes aos processos.
Impactos nas vítimas
A advogada Claudia Correia, especialista nas áreas previdenciária e trabalhista, contou ao DIA que chegou a receber, em um único dia, mensagens de mais de dez clientes alertando para tentativas de fraude. Ela relatou o caso de um, que é policial militar e transferiu R$ 3 mil por acreditar que seu processo havia sido deferido.
“Os clientes acreditam porque os criminosos têm todas as informações. Hoje, preciso reforçar os alertas com os novos clientes para educá-los e evitar o golpe, o que acaba atrasando meu trabalho”, explicou Claudia.
Claudia também destaca que é possível verificar quem acessou as informações do processo. Em um dos casos em que sua cliente caiu no golpe, a advogada identificou que um registro da OAB havia feito a consulta apenas uma hora antes da ligação dos estelionatários.
Luciana destaca que o impacto vai além do prejuízo financeiro. “Os clientes se sentem envergonhados de cair nesse golpe e se culpam por não terem maldade e confiar em quem está ali”, explica, ressaltando que qualquer pessoa pode ser vítima devido ao nível de elaboração da abordagem.
O que fazer ao cair no golpe
Como o banco tem a responsabilidade de cuidado sobre as transações e o dever de desconfiar de valores fora do padrão do cliente, a instituição pode ser processada caso ocorra falha de segurança ao não confirmar a operação.
A partir de pedidos da OAB-RJ, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro adotou medidas para restringir a ação dos criminosos, como a limitação de filtros de busca no sistema eletrônico de consulta processual, dupla verificação de senha no acesso e uso de marca d’água para identificar advogados que consultam as peças.
Além disso, a entidade instalou um outdoor de 15 metros na sua sede, no Centro do Rio, com a mensagem: “Número diferente? Pediu dinheiro? Desconfie! Ligue para o seu advogado”.
“Infelizmente, esse tipo de crime tem crescido por todo o Brasil. O que estamos fazendo hoje é levar informação para que as pessoas não sejam vítimas. É fundamental desconfiar sempre de qualquer pedido de recursos e entrar em contato com o seu advogado imediatamente”, alertou a presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basilio.
A ação também contou com a participação da presidente da Comissão Especial de Combate ao Golpe do Falso Advogado, Luciana Pires, e da subcorregedora Kátia Rubinstein Tavares. A cartilha informativa está disponível no site da OAB-RJ.




Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.