Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu o funcionamento de quatro empresas de voo panorâmico no RioReginaldo Pimenta/Agência O Dia

Rio - Três das quatro empresas de voo panorâmico de helicóptero no Rio que foram suspensas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ainda não se manifestaram até o fim da manhã desta quarta-feira (19), um dia após a medida anunciada em conjunto com a Prefeitura do Rio. As fiscalizações se intensificaram depois que acidentes recentes com este tipo de aeronave deixaram mortos na cidade.

De acordo com a Anac, os fiscais encontraram irregularidades em quatro empresas: Voo Rio Panorâmico (VRP), Broad Fly, Nobre Turismo e Mr. Top Fly.

Após a suspensão, nesta terça-feira (18), a VRP, responsável pelo helicóptero que caiu e matou quatro pessoas na região da Vista Chinesa, na Zona Norte, no início do mês, foi a única que respondeu os questionamentos da reportagem. Ao DIA, o advogado Arnaldo Muniz afirmou que a determinação é um "procedimento interno da Anac para que a empresa possa comprovar o cumprimento das exigências" e que a empresa está trabalhando para cumprir o exigido.

Nesta quarta-feira, a reportagem voltou a entrar em contato com as demais companhias. A Nobre Turismo, foi contactada através de mensagem no WhatsApp às 10h06 e não retornou. A empresa continua disponibilizando o catálogo com os valores de voos panorâmicos. Pela mesma plataforma, O DIA também entrou em contato com a Mr. Top Fly, às 10h09. A Broad Fly não respondeu aos questionamentos feitos no e-mail enviado às 10h17.
As empresas também foram questionadas sobre como está a situação com reservas futuras, já que não poderão operar passeios deste tipo, mas apenas a VRP respondeu, dizendo que não fecha pacotes desde o acidente na Vista Chinesa.

O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Fiscalizações de voos panorâmicos no Rio

Segundo a Anac, 12 empresas possuem autorização para a prática no município. Até esta terça, nove haviam sido fiscalizadas. A capital tem 46 helicópteros disponíveis para realizar esses passeios. Dos 18 já fiscalizados, nove sofreram suspensões.

"Até hoje, 50% das atividades de voos panorâmicos da cidade estão com alguma irregularidade. Esse é um número preocupante e altíssimo. É um cenário complexo de fiscalização. Nós já vínhamos no processo de fiscalização desde março. O que fizemos após os acidentes foi intensificar o trabalho de inteligência. Com esse processo de intensificação, tivemos alguns resultados. Sabemos que esse setor precisa de um olhar mais de perto", destacou Tiago Faierstein, diretor-presidente da Anac, nesta terça-feira.

Acidentes recentes deixaram diversas vítimas

Três turistas colombianas e um piloto morreram na queda do helicóptero na região da Vista Chinesa, em 8 de agosto. O velório de Rocío Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofía Murillo, de 17 aconteceu no Crematório e Cemitério da Penitência, no Caju, Zona Portuária, no último domingo (16). A família optou pela cremação.

Familiares e amigos também se despediram do piloto Alessandro Rocha, de 40 anos, no último dia 10. O corpo dele foi velado e sepultado no Cemitério de São Gonçalo, na Região Metropolitana.

Além deste, outro acidente recente deixou vítimas. Em junho, dois helicópteros colidiram no ar e caíram na garagem de uma concessionária de carros elétricos, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste. Seis pessoas morreram, incluindo o cantor norte-americano Oliver Tree Nickel, de 32 anos.

Em um dos helicópteros estavam o piloto Alexandre Souza e o produtor musical brasileiro Lucas Brito Chaves, o cantor americano Oliver Tree, o diretor de clipes argentino Lucas Vignale e o influenciador argentino Gaspar Prim. Na outra aeronave, estava apenas o piloto Charles Marsillac.