Cláudio Rafael Landeiro Moreira, 37 anos, recebeu mais de 50 pauladas e morreu na noite de 11 de agosto após ser perseguido em CopacabanaReprodução / Câmeras de Segurança

Rio - A Polícia Civil identificou mais três pessoas que teriam participado direta ou indiretamente do espancamento que resultou na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, em Copacabana, na Zona Sul. O caso é investigado pela 12ª DP (Copacabana), que já prendeu quatro suspeitos.
Segundo o delegado Ângelo Lages, responsável pelas investigações, os novos identificados são um homem que aparece nas imagens acompanhando as agressões, a funcionária de um estabelecimento que teria entregue um porrete ao segurança Davi Santos Machado e o responsável pela contratação do vigia que atuava na região. Todos deverão prestar depoimento nos próximos dias.

De acordo com o delegado, comerciantes da área também serão ouvidos nesta terça-feira (25). Já na quarta-feira (26), estão previstos os depoimentos do homem que aparece nas imagens usando camisa branca e da funcionária apontada como responsável por fornecer o objeto utilizado nas agressões.

Apesar dos avanços, a polícia ainda tenta identificar um homem que aparece em gravações analisadas pelos investigadores desferindo chutes contra Cláudio quando ele já estava caído no chão. A participação dele é considerada uma das frentes prioritárias da apuração.

Segundo a investigação, ao menos oito pessoas participaram direta ou indiretamente da ação que terminou na morte do ciclista. Até o momento, quatro delas estão presas: os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, além dos entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva.

Família cobra responsabilização

O advogado da família da vítima, Bryan Rojtemberg afirmou que ainda aguarda acesso formal às novas informações reunidas pela polícia, mas considera que os desdobramentos reforçam a importância da repercussão do caso.

"Para nós, está claro que, se não houvesse a repercussão que a Fabiana conseguiu, poderíamos estar diante da impunidade. Isso é ratificado por dois motivos: Davi mente no primeiro depoimento e também chega pedalando a bicicleta da pessoa que ele havia matado", declarou.

A defesa da família também espera esclarecimentos sobre um vídeo gravado por Davi durante a ocorrência. Segundo o advogado, os investigadores ainda buscam identificar para quem o segurança enviou a gravação em que comenta sobre a ausência de câmeras de segurança no local das agressões.

Relembre o caso

Cláudio Rafael Landeiro Moreira foi abordado na madrugada de 11 de agosto após ser acusado de ter roubado uma bicicleta. Segundo a investigação, a suspeita surgiu depois que seguranças que atuavam informalmente na região questionaram a origem do veículo. A bicicleta, no entanto, pertencia à irmã da vítima.

Imagens de câmeras de segurança registraram parte das agressões na Rua Felipe de Oliveira. De acordo com a Polícia Civil, Cláudio recebeu ao menos 57 golpes, entre pauladas, socos e chutes, e continuou sendo agredido mesmo após cair e ficar sem condições de reação.

Socorrido pelo Corpo de Bombeiros, ele foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas morreu no dia seguinte em decorrência de traumatismo craniano e hemorragia interna.

A investigação prossegue para esclarecer o grau de participação de cada envolvido e identificar todos os responsáveis pelo espancamento.