Dezenove ônibus foram sequestrados por criminosos e usados como barricadas na Zona Norte do RioReginaldo Pimenta / Agência O Dia
"Eles convivem agora com o sequestro dos ônibus em plena via para serem usados como barricadas ou levados para dentro das comunidades por marginais, o que acaba por afetar o lado psicológico do profissional", diz.
José Carlos lembra ainda que, segundo os principais registros de ocorrências de 2026, de janeiro a agosto, 50 ônibus foram usados como barricadas por traficantes. Foram 14 veículos em janeiro, cinco em março, oito em julho e 23 em agosto — sendo cinco na Cidade de Deus e 18 nesta quarta-feira, em Cascadura, na Zona Norte.
De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), em 2025, o Rio de Janeiro registrou 4.449 assaltos a ônibus. A maioria das ocorrências aconteceu entre 4h30 e 7h e entre 17h e 21h30, principalmente na Avenida Brasil, no trecho entre Campo Grande, na Zona Oeste, e Caju, na Região Central.
"Os trabalhadores do setor não suportam mais conviver diariamente com ônibus sequestrados, incendiados e até tendo seu itinerário alterado para atender ao tráfico. Ou seja, o estado perdeu totalmente o controle sobre o território. Não demora muito, o tráfico é quem irá definir por onde os ônibus irão ou não passar. O Rio de Janeiro virou uma piada no quesito segurança pública", disse o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários.
Aumento nos pedidos por atendimento psicológico
Além disso, o trauma psicológico provocado pela violência entre os profissionais fez aumentar o número de pedidos de afastamento dos trabalhadores por meio do sindicato. Até agora, mais de 310 solicitações foram feitas à direção da entidade.
"Ficamos surpresos e, principalmente, preocupados com o aumento no número de consultas. Quando iniciamos o serviço, em junho do ano passado, eram atendidas cerca de 25 pessoas por semana. Agora, esse número passou para cerca de 80 atendimentos semanais, não só para os motoristas, mas também para seus familiares. E a agenda para marcação de consultas só faz aumentar", disse.

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