Rio - A Polícia Civil aponta Flávio Vieira Bento, o “Mumu”, chefe do tráfico na comunidade Risca-Faca, em Maria Paula, São Gonçalo, como o mandante do chamado “tribunal do tráfico” que torturou duas mulheres. Segundo a corporação, ele já estava preso e comandou o crime de dentro da cadeia. As vítimas sofreram agressões físicas, tiveram os cabelos raspados e foram forçadas a caminhar sob coação pelas ruas do bairro pedindo desculpas aos criminosos.
O crime aconteceu em maio e foi registrado e divulgado pelos próprios traficantes nas redes sociais. Para a polícia, a exposição das vítimas fazia parte de uma estratégia de intimidação dos moradores e demonstração de força da facção que atua na região.
Após as agressões, as duas mulheres precisaram de atendimento médico e deram entrada no Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo. Em depoimento, uma delas afirmou ter sido espancada por ser amiga da outra vítima, que seria acusada de aplicar golpes na comunidade.
Flávio foi preso em abril de 2025, durante uma ação no Morro do Estado, no Centro de Niterói, junto a outros seis homens. Ele possui duas anotações por tráfico de drogas e uma por homicídio.
Secretaria de Polícia Penal informa medidas adotadas
Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que colaborou com a Polícia Civil no cumprimento do mandado de busca e apreensão na cela de Mumu, por meio da Subsecretaria de Inteligência do Sistema Penitenciário (Ssispen). Segundo a pasta, nenhum material proibido foi encontrado.
“Tão logo foi detectada a participação do interno no crime, ele foi imediatamente transferido para a Penitenciária Laercio da Costa Pellegrino (Bangu 1), onde ficou em isolamento. Um procedimento apuratório foi instaurado e, devido ao cometimento de falta disciplinar grave, o preso terá 180 dias de rebaixamento de comportamento. A Seppen vai solicitar, ainda, a mudança para o Regime Disciplinar Diferenciado à Vara de Execuções Penais.”
A secretaria acrescentou que mantém fiscalização constante nas unidades prisionais e reforçou o compromisso com a transparência pública e o controle da legalidade no sistema prisional fluminense.
As investigações foram concluídas, e Mumu e os outros três envolvidos foram indiciados pelos crimes de tortura, tráfico de drogas, associação para o tráfico e domínio social estrutural.
A reportagem de O DIA não localizou a defesa do detento. O espaço segue aberto.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral
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