Carlos Portinho (PL), Monica Benicio (PSOL), Marcelo Crivella (Republicanos), Carlos Jordy (PL), Waguinho (Republicanos) e Marcos Dias (Podemos) apresentaram propostas para o eleitor do Rio de JaneiroCarlos Elias Junior

Rio - Seis candidatos que disputam duas cadeiras do Rio de Janeiro no Senado tiveram a oportunidade de colocar propostas e posicionamentos frente a frente em um debate promovido por O DIA e pela Ordem dos Advogados do Brasil - seção Rio (OAB-RJ), na manhã desta terça-feira (1º). Mais de 29 mil pessoas assistiram de forma simultânea à transmissão.
Participaram do encontro: Carlos Portinho (PL), Monica Benicio (PSOL), Marcelo Crivella (Republicanos), Carlos Jordy (PL), Waguinho (Republicanos) e Marcos Dias (Podemos). Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD) também foram convidados, mas não compareceram.
Com a mediação do jornalista Sidney Rezende e transmissão ao vivo pelo canal do jornal no YouTube, os postulantes ao Senador responderam perguntas ao longo de quatro blocos.

Primeiro bloco

Na primeira etapa, todos os candidatos responderam à mesma pergunta, formulada pelo mediador, com tempo de dois minutos para cada resposta.

PERGUNTA: O Rio de Janeiro enfrenta uma das situações mais graves de violência de sua história. Se eleitos senadores, quais propostas os senhores têm para ajudar no combate à expansão do crime e ao domínio territorial das facções criminosas?

Carlos Portinho
O candidato observou que há um distanciamento entre o Poder Judiciário e a sociedade e afirmou que essa relação precisa ser mudada. "Fui relator do projeto de lei que criminaliza as barricadas, votei contra as saidinhas e, no próximo mandato, é ir para cima dos narcoterroristas. Uma das medidas é ter maior rigor na redução de penas. Bandidos têm que estar na cadeia. Não pode ter progressão de pena enquanto não cumprir [a pena]", afirmou.

Monica Benicio
A candidata argumentou que, para enfrentar a situação, é necessário perseguir o braço financeiro do crime. "Vemos a ocupação da política institucional como ferramenta de controle e organização do crime organizado. O atentado de Marielle nos revelou a relação entre a política, a milícia e a polícia. Que a gente possa combater essas desigualdades e o aprofundamento da corrupção, do crime e da violência no nosso estado", disse.

Crivella
O candidato relacionou a situação aos problemas nas fronteiras, que, segundo ele, são as principais portas de entrada para armas e munições. "É hora de o Exército ter recursos para colocar drones, satélites, aviação e aumentar a tropa nas fronteiras. É lá que tem que ser o combate. Quando é feito na cidade, muita gente inocente morre. Quero voltar ao Senado para acrescentar no orçamento para que a Marinha, o Exército e a Aeronáutica possam agir", afirmou.

Carlos Jordy
O candidato relacionou o tema à necessidade das forças de segurança retomarem e ocuparem de forma permanente os territórios dominados pelo crime. Também defendeu que assassinos de policiais cumpram pena em presídios federais, argumentando que, quando são encaminhados para unidades prisionais comuns, acabam assumindo posições de liderança nas facções. "Sabemos que esses criminosos quando vão para presídios comuns, sobem na hierarquia do crime. Se tornam, inclusive, chefes de facções. Isso são medidas que nós vamos fazer também e que sejam reproduzidas no Senado Federal", disse.

Waguinho

O candidato relacionou a responsabilidade pela segurança pública ao governador e afirmou que o Senado precisa atuar de forma unida. "Todos nós no Senado devemos estar unidos e não podemos mais permitir que o Rio de Janeiro tenha políticos e pessoas envolvidos com a milícia e traficantes", afirmou.

Marcos Dias

O candidato afirmou que há uma polarização em torno do tema, mas avaliou que as ações adotadas têm tido pouca efetividade. "A agenda da segurança pública é uma bandeira e trato como responsabilidade. O Brasil vive um momento de polarização com pouca efetividade. [É preciso haver] integração entre os poderes para asfixiar o braço financeiro do crime. Os atores da segurança pública estão desprestigiados", pontuou.

Segundo bloco
O segundo e o terceiro bloco foram destinados ao confronto direto entre os participantes. Os temas foram sorteados ao vivo e cada candidato teve um minuto para formular a pergunta, dois minutos e trinta segundos para a resposta, além de um minuto para réplica e um minuto para tréplica.

Educação

Por ordem de sorteio, Marcos Dias escolheu o candidato Crivella para responder sobre o tema Educação. A pergunta foi: "Nós sabemos que a consequência da insegurança e da violência do Brasil é parte do mau trato da educação. Com base na sua experiência, qual a sua proposta efetiva para transformarmos o país?"

Em resposta, Crivella argumentou que, quando estava no Senado, teve diversas iniciativas voltadas à educação. "Ela é muito importante, no sentido de ter universidades federais não ideológicas, em que os professores tenham um plano de cargos e salários que sejam respeitados, e os seus alunos, através do Prouni, possam ter acesso não só à boa educação, mas também à boa alimentação, também à moradia. Tudo isso foi um propósito que apresentei e votei a favor quando estava no Senado Federal", disse.

O candidato também apontou como ponto crucial a educação básica e a relação entre professores e alunos dentro da sala de aula: "Que a gente tenha cuidado, não só com os professores, com a sua carreira, para que não sejam eles esgotados no seu trabalho, mas também com as crianças que sofrem violência e assédio. Eu fui autor de uma lei em que faz com que os nossos professores sejam treinados para identificar se uma criança faz um desenho que é pornográfico, ou se ela apresenta marcas, por exemplo, de mordida ou roxo, onde não são áreas esportivas, para que a professora entre em contato com os conselheiros tutelares e os conselheiros tutelares entrem em contato com o Ministério Público".

Na réplica, Marcos Dias complementou a fala de Crivella ao citar a redução da maioridade penal. "Nós temos visto muitos meninos que são servidos pelo poder paralelo nessa violência, é descabido. Quando você vai para a educação, desde a creche até uma escola decente e a área acadêmica planejada, ao longo de 15, 17 anos nós teremos a sociedade transformada", afirmou.

Marcos Dias também reforçou a necessidade de valorização dos profissionais da educação.

Habitação

Crivella escolheu o candidato Waguinho para responder sobre o tema. A pergunta foi: "Quando eu estava no Senado Federal, havia um projeto de lei que estava parado há muitos anos e criava o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social e o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social. Peguei para relatar, eles diziam que tinham visto iniciativa, provei que não e isso deu a criação do Minha Casa, Minha Vida. Waguinho, você, que veio da Baixada, conhece o problema da moradia, nos diga: como melhorar o Minha Casa, Minha Vida?"

Waguinho iniciou a resposta garantindo que, se eleito, vai destinar recursos para que os policiais tenham melhores salários para combater a criminalidade. Em seguida, respondeu à questão sobre habitação. Segundo o candidato, é necessário fortalecer e destinar recursos, além de dialogar com o Governo Federal e com todo o Congresso Nacional para criar um programa que aumente o número de habitações para aqueles que ainda não têm casa própria.

"Quero parabenizar o senador Crivella que, durante a sua gestão, teve uma preocupação muito grande em levar moradia àqueles que não tinham moradia. Eu contribuirei no Senado para que as pessoas que ainda precisam ter suas casas sejam alcançadas", afirmou.

Na réplica, Crivella apontou a importância de o Senado Federal buscar recursos no orçamento para ampliar o programa Minha Casa, Minha Vida.

"Que ele possa também ser feito em edifícios, e não só pequenas residências. É muito importante que eles tenham placas solares. É muito importante que o financiamento alcance quem está no Serasa. É preciso melhorar a habitação do nosso povo e isso faz parte de uma segurança melhor. Se nós não tivéssemos comunidades tão abandonadas, certamente elas, hoje, não estariam dominadas pelo narcotráfico", disse.

Plataformas de apostas (bets)

Em seguida, Waguinho convidou Portinho para perguntar sobre o tema plataformas de apostas (bets). A pergunta foi: "O Bolsa Família é um programa federal muito importante, que leva comida à casa das pessoas que vivem na miséria e pobreza. A gente tem observado no Brasil que as pessoas têm recebido dinheiro do Bolsa Família e gastado dinheiro nas bets. Quero perguntar ao senhor o que vamos fazer para solucionar essa situação tão grave?"

Em resposta, Portinho disse que votou contra a legalização das apostas, mas, uma vez vencido, aprovou emendas que considerou importantes, como o reconhecimento facial e a determinação de horários restritos para propagandas.

"Inclusive, foi premiada essa proposição por ter afastado os jovens e as crianças das apostas. Sou relator do projeto de lei de autoria do senador Girão que disciplina e restringe a publicidade das bets, essa massificação de propaganda que a gente viu na Copa do Mundo, como se fosse tema novo. Nós já vimos aprovado no Senado Federal um projeto de minha relatoria que corre há dois anos na Câmara dos Deputados", disse.

Na réplica, Waguinho concordou com Portinho e afirmou ser contrário às bets. Na tréplica, Portinho observou que, na política, foi usada a narrativa de que as pessoas continuariam jogando e, por isso, o melhor caminho seria regulamentar.

"Aconteceu as duas coisas: foi aprovada essa desgraça, e as pessoas continuam também jogando nas bets ilegais. Eu vou encaminhar um projeto, já estou estudando, inclusive no meu mandato, pra que a gente possa criminalizar aquele que aposta em bet ilegal. Porque as bets ilegais, geralmente, estão fora do Brasil, estão ligadas à máfia, estão ligadas à lavagem de dinheiro, e a gente não pode permitir isso. A melhor maneira não é derrubando o site, que, no dia seguinte, a gente já viu na Itália, volta o site ilegal de novo pro ar. A melhor maneira é conscientizando as pessoas e criminalizando, sim, para que tenha uma pena pequena, mas que tenha alguma sanção do Estado por estar apostando em bets ilegais."

Violência contra a mulher

Portinho convidou Carlos Jordy para responder à pergunta sobre violência contra a mulher. A pergunta foi: "Eu sou sobrinho-neto de Carmen Portinho, sufragista junto com Bertha Lutz, primeira mulher urbanista do Brasil e, por isso, patrona do urbanismo. Minha mãe trabalha com mulheres vítimas de violência. Na minha família, isso vem no sangue. E isso tem sido uma pauta muito importante no meu mandato. Jordy, homem que bate em mulher merece a confiança do voto?"

Jordy respondeu que o crime de violência contra a mulher é um dos mais bárbaros da sociedade e que é necessário reprimi-lo com muita contundência e veemência, não apenas com leis mais duras, mas também garantindo que o agressor cumpra a pena, muitas vezes sem benefícios penais.

"As mulheres precisam ser protegidas, amadas, acolhidas, precisam de políticas públicas, inclusive para que elas possam ter a sua independência financeira. Hoje, muitas mulheres que sofrem agressões, às vezes deixam de sair de casa, deixam inclusive de denunciar os agressores porque ficam atreladas aos seus abusadores. Nós temos que fazer linhas de crédito, projetos para fazer com que as mulheres possam empreender e assim garantir a sua independência financeira. Isso sim são políticas para garantir, não só a independência, mas a liberdade da mulher. Homem que agride mulher não merece o seu voto, merece cadeia", finalizou.

Em réplica, Portinho disse que tem incentivado emendas parlamentares, como o projeto Empreendedoras do Amanhã, que levou formação a diversas mulheres. Também afirmou ter um projeto que ainda vai apresentar com o objetivo de instalar a tornozeleira eletrônica no agressor já na audiência de custódia.
Jordy, em seguida, complementou avaliando como boa a proposta de Portinho. Acrescentou, ainda, que outra medida importante seria considerar a implementação de medidas protetivas com base na denúncia de um delegado.

"Isso não pode ser exclusividade somente do juiz. O delegado, a partir do momento em que ele enxerga a gravidade da situação, a gravidade do caso, ele pode identificar que é necessário colocar medidas protetivas para proteger aquela mulher e manter o seu agressor longe dela", disse.

Transição energética/Petróleo e Royalties

Jordy perguntou sobre Transição energética/Petróleo e Royalties para Monica Benicio. A pergunta foi: "O nosso país tem uma vocação enorme para a transição energética para recursos renováveis, mas isso muitas vezes tem sido um empecilho para o poder público, tem colocado empecilhos para que a gente consiga fazer essa transição energética. Qual é a sua proposta para que nós possamos, de fato, fazer com que isso se torne realidade em nosso país e beneficiando o cidadão fluminense?"

Em resposta, Monica Benicio defendeu a reestatização plena da Petrobras como forma de garantir a soberania nacional, o controle e a autonomia sobre o petróleo brasileiro. Segundo ela, a medida permitiria gerar renda para a população e fortalecer o Estado democrático.

Para a candidata, os recursos provenientes da exploração do petróleo devem ser destinados à mitigação dos impactos ambientais. Monica disse acreditar que os danos provocados pela exploração desenfreada e sem responsabilidade ambiental têm se agravado.

"Minha postura no Senado será pela defesa de um Estado firme e autônomo e pela soberania nacional acima de tudo. Isso requer a valorização dos trabalhadores brasileiros que produzem a nossa riqueza e que, portanto, precisam ter autonomia para administrá-la", afirmou.

Em réplica, Jordy detalhou suas intenções caso seja eleito para o Senado e afirmou que será um defensor dos royalties do petróleo para o Rio de Janeiro. Segundo ele, é "inaceitável" que os recursos sejam redistribuídos para estados que não produzem petróleo.

O candidato explicou que os royalties não são receitas tributárias, mas compensações financeiras destinadas aos estados produtores pelos possíveis impactos ambientais decorrentes da exploração do petróleo.

Jordy também citou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e questiona a redistribuição dos royalties. Segundo ele, caso seja eleito, pretende atuar no Senado para impedir que os recursos deixem o Rio de Janeiro.

"Vou marcar presença para que os royalties não saiam do Rio de Janeiro e permaneçam aqui, porque nós somos produtores de petróleo", afirmou.

Em nova réplica, Monica defendeu que os royalties permaneçam no Rio de Janeiro, mas ressaltou que é necessário discutir a forma como os recursos são distribuídos.

"Os royalties devem permanecer no Rio de Janeiro, mas, sobretudo, entendendo o que a gente faz com essa distribuição de renda gerada. Porque eu acredito que a gente precisa produzir uma economia forte, um Estado forte, mas que a nossa renda possa ser redistribuída para diminuir as desigualdades. E não só chegar àqueles que lucram com essa produção, não favorecendo aqueles que de fato trabalham para produzir a riqueza do nosso país", afirmou.

Trabalho por aplicativo

Monica Benicio perguntou sobre Trabalho por Aplicativo para Marcos Dias. A pergunta foi: "A gente tem visto uma crescente na desigualdade no nosso país que causa a precarização da vida do trabalhador e da trabalhadora cotidianamente. Muitas das alternativas da necessidade da urgência de dar conta da vida dos trabalhadores é justamente se tornar trabalhador de aplicativo. Como a gente pode fazer um fortalecimento desses serviços, valorizando os trabalhadores sem desprestigiar as plataformas, mas, sobretudo, fortalecendo a economia?"

Em resposta, Marcos Dias afirmou que a falta de oportunidades tem empurrado trabalhadores para a informalidade e para os aplicativos. Embora reconheça a importância dessas empresas na geração de renda, criticou as condições oferecidas aos trabalhadores e considerou abusivas as taxas cobradas pelas plataformas. "O que está acontecendo com o país está empurrando as pessoas para o subemprego. [...] As empresas de aplicativo estão acolhendo, mas elas também exploram muito. As taxas que são cobradas desses trabalhadores são absurdas. E tudo isso precisa ser monitorado, precisa ser revisto", afirmou.

O candidato defendeu ainda que o Estado invista em qualificação profissional e na criação de empregos formais como alternativa à informalidade. Para ele, programas de transferência de renda devem estar associados à capacitação e à possibilidade de reinserção no mercado de trabalho.

Na réplica, Monica afirmou que o Rio de Janeiro tem registrado aumento da informalidade e criticou a falta de políticas públicas voltadas à geração de emprego e renda. Segundo ela, a precarização atinge principalmente trabalhadores em situação de vulnerabilidade.

"O que a gente vê é um impacto grande na nossa economia, mas também vemos um Estado que não se esforça em combater essa situação na produção, geração de trabalho, emprego e renda", afirmou.

A candidata também relacionou o tema ao debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Para Monica, a discussão sobre empregabilidade deve estar ligada à cidadania e à dignidade dos trabalhadores.

"O que a gente viu pôr no centro do debate do país e da democracia é o fim da escala 6x1, porque empregabilidade também é sobre cidadania e dignidade do trabalhador", disse.

Na tréplica, Marcos afirmou ter experiência com o trabalho informal e voltou a defender qualificação e oportunidades de emprego com carteira assinada. Ele também ressaltou que sua atuação no Senado, caso seja eleito, será voltada tanto aos trabalhadores quanto aos empresários.

Terceiro bloco

Regulamentação das redes

Na segunda rodada de perguntas, Monica Benicio deveria perguntar a Crivella sobre a regulamentação das redes sociais. Antes de apresentar a questão, a candidata criticou a gestão do ex-prefeito do Rio e afirmou que a população teria enfrentado abandono nas áreas de saúde, educação e cultura durante o mandato dele, agravado pela pandemia de covid-19.

Em resposta, Crivella defendeu sua gestão e afirmou que precisou destinar recursos para o pagamento de R$ 6 bilhões em empréstimos contraídos anteriormente. O candidato também citou medidas adotadas durante a pandemia, como a compra de 27 tomógrafos, 800 respiradores e 2 mil monitores, além da instalação de um hospital de campanha no Riocentro, com 500 leitos, sendo 100 de UTI.

Crivella também afirmou ter ampliado os recursos destinados às creches e reduzido gastos com publicidade. "Pode ter certeza que eu governei para o povo do Rio e sofri muito, cheguei a ser preso, mas depois, inocentado. Mas tenho a minha consciência tranquila de que não governei para mim", lembrou.

Na réplica, Monica retomou o tema e a pergunta para Crivella foi: "Para voltar ao tema, aproveitando que é regulamentação das redes, as informações que o candidato passou podem ser verificadas nas redes sociais, com acesso a múltiplas ferramentas. Para concluir a minha pergunta no sentido da oportunidade do candidato responder o tema, eu ia dizer que o senhor prometeu cuidar das pessoas do Rio quando foi prefeito, e foi justamente o que não fez. A regulamentação das redes sociais hoje é algo de fundamental importância, sobretudo para a segurança da nossa juventude e para a nossa educação. A gente sabe que grandes plataformas lucram milhões com acessos a milhares de brasileiros sem, hoje, a gente ter regulamentação de que tipo de conteúdo pode ser feito. Sem haver censura, mas também cobrando regulamentação com seriedade, para que a gente possa garantir a segurança do que os brasileiros estão consumindo nas redes sociais, entendendo o que também se tornou um grande espaço de fake news e propagandas de mensagens criminosas, como o senhor pretende fazer essa fiscalização sem censura?"

Na tréplica, Crivella concordou com a necessidade de regulamentação das redes sociais e defendeu medidas contra a disseminação de desinformação e a radicalização do debate político. "As redes sociais precisam ser regulamentadas. Não há dúvida disso. Nós temos que acabar com esse confronto criado no Brasil através de fake news e também radicalizações que não nos conduzem a construir o país dos nossos sonhos", pontuou.

Trabalho e emprego

Na sequência, Crivella questionou Marcos Dias sobre trabalho, emprego e renda. A pergunta foi: "Você é um homem de sucesso, você é um exemplo para nós. Você começou vendendo na feira e hoje é um empreendedor e um político de sucesso. O que que nós precisamos fazer no Senado Federal para melhorar o trabalho, o emprego no nosso país e a renda?"

Em resposta, Marcos criticou a política econômica do governo federal e afirmou que a falta de segurança jurídica e institucional estaria levando empresas a deixar o Brasil. Para ele, o Senado deve priorizar medidas de estímulo à atividade empresarial e à geração de empregos.

O candidato também defendeu uma postura independente no Senado, afirmando que pretende apoiar ou rejeitar propostas de acordo com seu impacto sobre a população, independentemente de quem esteja na Presidência da República. "Eu terei disposição de votar nas matérias que sejam boas para o povo e também para rejeitar [...] as matérias que não sejam favoráveis ao povo. Nós temos que gerar emprego, gerar receita, menos Estado e mais Brasil", prometeu.

Marcos também defendeu a redução da interferência do Estado na atividade empresarial e afirmou que as políticas de trabalho devem buscar equilíbrio entre os interesses de empresários e trabalhadores, com respeito à dignidade e aos direitos dos empregados.

Na réplica, Crivella concordou com a necessidade de estimular investimentos e proteger os trabalhadores, mas defendeu uma maior distribuição dos ganhos econômicos. O candidato sugeriu que empresas de aplicativos compartilhem parte dos lucros com os trabalhadores, tratando-os como parceiros.

"O ideal seria que todos esses aplicativos distribuíssem lucros com os seus funcionários, não os tratasse apenas como empregados, mas como parceiros", opinou. Crivella relacionou ainda a distribuição de renda ao combate à desigualdade e à criminalidade.

Na tréplica, Marcos voltou a defender a revisão dos programas sociais. Ele afirmou ser favorável às políticas de assistência, mas argumentou que elas devem estar associadas à qualificação profissional e à reinserção no mercado de trabalho.

"Eu sou totalmente a favor dos programas sociais, desde que não desencadeie dependência", disse. Para o candidato, o Estado deve priorizar a requalificação de trabalhadores que perderam o emprego e a criação de oportunidades de trabalho.

Saúde pública

Marcos Dias escolheu Waguinho para responder sobre saúde pública. A pergunta foi: "Nós temos visto o SUS, um programa com uma concepção muito boa, mas como tudo que esse governo põe as mãos, vira bagunça. Nós vemos as empresas que prestam serviços profissionais sendo pouco valorizadas, as entregas para a sociedade sendo horríveis, você vê fila de tudo quanto é lado. Quais são as suas propostas para melhorar a saúde do cidadão brasileiro?"

Em resposta, Waguinho defendeu a gestão dele como prefeito de Belford Roxo e citou investimentos realizados durante os oito anos em que esteve à frente do município. Segundo ele, foram construídos hospitais, UPAs, maternidades, policlínicas e unidades de saúde, além da contratação de médicos especialistas.

O candidato também destacou ações realizadas durante a pandemia de covid-19 e afirmou que Belford Roxo apresentou uma das menores taxas de mortalidade do estado no período. "Para a saúde continuar melhorando, precisamos de pessoas que sejam gestoras. Tem que gostar de gente, do povo, do pobre, tem que botar a mão na massa e tem que participar", afirmou.

Na réplica, Marcos contestou a avaliação de Waguinho sobre a saúde de Belford Roxo e afirmou que a realidade encontrada no município é de sucateamento e abandono.

O candidato também criticou o que chamou de "currais de atendimento" na Baixada Fluminense, alegando que o acesso a serviços de saúde pode ser condicionado a relações políticas. Marcos defendeu ainda atendimento universal, cirurgias dignas e parto humanizado, afirmando que esses serviços precisam estar disponíveis para toda a população.

Na tréplica, Waguinho rebateu as críticas e afirmou que Marcos não conheceria a realidade de Belford Roxo durante seus dois mandatos como prefeito. Ele destacou que foi reeleito com 81% dos votos e atribuiu a aprovação à sua atuação na área da saúde. "Se a saúde está indo mal, não é minha culpa. Nos meus oito anos, fui elogiado até pela Presidência da República e pela ministra da Saúde", afirmou.

Mobilidade urbana

Na sequência, Waguinho convidou Carlos Jordy para responder sobre mobilidade urbana. A pergunta foi: "Nós sabemos que a mobilidade urbana do estado do Rio de Janeiro é uma das piores do Brasil. Queria saber o que o senhor, sendo eleito senador, pode fazer no Senado para mudar essa realidade do nosso estado e as pessoas voltarem a ter dignidade na mobilidade urbana?"

"Enquanto senador, vou viabilizar, junto com o nosso candidato a presidente, Flávio Bolsonaro, a linha 3 do metrô. Enquanto senador, Flávio viabilizou um projeto com a COPPE-UFRJ para dar novos contornos e trazer inovação ao projeto da linha 3 do metrô, que deve sair do papel. Nós vamos trabalhar para que isso realmente seja efetivado no nosso governo e para que possamos melhorar a mobilidade e a logística dos cidadãos de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói. Também vamos trabalhar para melhorar o acesso aos portos, como o Porto do Açu, o Porto de Itaguaí e o acesso à capital", disse.

Jordy, porém, desviou a resposta para críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes. O candidato citou uma decisão do ministro André Mendonça e alegações relacionadas ao Banco Master.

"Não dá mais para nós aceitarmos essa afronta constitucional que nós estamos vivendo, esse estado de coisas inconstitucional. Fui o autor da CPI do Banco Master, que não avançou, muito porque também o ministro Alexandre de Moraes e outros ministros fizeram lobby para que ela não avançasse", afirmou.

Jordy também disse que, caso seja eleito senador, pretende atuar para "resgatar o equilíbrio e a harmonia dos poderes".

Waguinho, na réplica, trouxe como tema o feminicídio: "O feminicídio e a agressão à mulher têm crescido cada vez mais no nosso país. Eu, no Senado, vou fazer a priorização da Lei Maria da Penha, que fez 20 anos no dia 7 de agosto deste ano. Agressor de mulher não tem que ter dinheiro para pagar fiança e, na audiência de custódia, não pode ser liberado. Tem que ir direto para a cadeia".

Sidney Rezende, então, chamou a atenção dos candidatos sobre o tema sorteado.

Política de encarceramento

Carlos Jordy direcionou a pergunta sobre política de encarceramento a Carlos Portinho. A pergunta foi: "Nós estamos vendo esse governo, que é totalmente conivente com o crime organizado, que, inclusive, fez o plano Pena Justa, que propõe o desencarceramento em massa da população. Nós temos um candidato à presidência que já falou que buquelizar o Brasil. Que nós vamos construir mais presídios, endurecer penas, acabar com benefícios penais. E na contramão o governo Lula tem essa política de desencarceramento. Inclusive nós vimos aí, recentemente, um preso que saiu na saidinha e cometeu estupro. Qual é a sua proposta pra isso?"

Em resposta, Portinho afirmou que a sociedade precisa reafirmar um "pacto social" sobre o cumprimento das penas. O candidato defendeu que pessoas condenadas por crimes como homicídio, roubo e estupro cumpram as penas e criticou a atuação do Judiciário.

Portinho também destacou que votou contra as chamadas "saidinhas" e criticou candidatos que, segundo ele, se posicionaram contra o fim do benefício. "A gente também tem a família do cidadão de bem, que é essa a família que merece a proteção do Estado. A família do policial que põe seu peito na frente e que, quando morre, deixa sua família desamparada. Essas pessoas devem estar em primeiro lugar", afirmou.

Jordy concordou com Portinho e ampliou as críticas a parlamentares que se posicionaram contra o fim das saidinhas. Segundo ele, criminosos condenados por crimes hediondos não deveriam ter direito ao benefício. O candidato citou casos de pessoas que cometeram novos crimes após deixar temporariamente o sistema prisional e defendeu o cumprimento integral das penas.

Na tréplica, Portinho afirmou que não é contrário à ressocialização de presos, mas defendeu que ela ocorra durante o cumprimento da pena. Como exemplo, citou o modelo adotado em Santa Catarina, onde, segundo ele, presos trabalham e geram renda enquanto cumprem suas penas.

"Eu não sou contra a ressocialização, ao contrário, eu sou um grande incentivador. Mas que, no curso da pena, ele possa contribuir para a sociedade, se ressocializar de alguma maneira, mas dentro do presídio que ele cumpra a pena", afirmou.
Recuperação econômica do Rio de Janeiro

Portinho direcionou a Monica Benicio uma pergunta sobre a recuperação econômica do Rio de Janeiro. A pergunta foi: "Recentemente, nós assistimos uma cena patética. Foi o atual governador em exercício, uma pessoa que eu tenho muito respeito, chamado pelo Lula de interventor, acho que ele não merece isso. Mas estava ao seu colo de Lula, Ricardo Couto aos prantos na assinatura do Propag, o plano de recuperação do nosso estado, da nossa economia. E o Lula vetou esse plano e nós lideramos a derrubada. O que pensa?"

Em resposta, Monica Benicio defendeu que a política deve ser pautada pelo diálogo e por medidas que tenham impacto direto na vida da população. A candidata afirmou ser necessário construir um plano de recuperação econômica para o estado e relacionou a situação financeira à precarização do trabalho e aos problemas enfrentados em áreas como segurança, educação, saúde, habitação e mobilidade.

"A gente precisa fazer alianças e que a gente possa ter um plano de recuperação econômica do nosso estado", afirmou. Monica também criticou o que classificou como "promessas vazias" feitas em períodos eleitorais e defendeu que as políticas públicas sejam acompanhadas de medidas concretas para melhorar a vida da população.

Na réplica, Portinho voltou a criticar Lula e citou outros vetos que, segundo ele, prejudicaram o estado. Entre eles, mencionou uma proposta que classificaria municípios do Norte e Noroeste fluminense como parte do semiárido, com o objetivo de ampliar o acesso de produtores rurais a auxílio e crédito. O candidato também criticou medidas relacionadas ao esporte e afirmou que o setor vem sendo prejudicado.

Na tréplica, Monica afirmou que era a única candidata ao Senado no debate a representar e defender o presidente Lula. A candidata defendeu a ampliação de direitos e de políticas públicas para a população mais vulnerável e afirmou que o aumento do custo de vida tem afetado principalmente as mulheres.

"O Rio se tornou uma das cidades mais caras do mundo para se viver. O estado do Rio vem aumentando o seu índice de precariedade da vida e são as mulheres que mais sofrem com isso", afirmou. Monica também relacionou as dificuldades econômicas à violência contra as mulheres e defendeu políticas públicas de proteção.

Quarto bloco

O quarto e último bloco foi reservado para as considerações finais, com um minuto e meio para cada candidato. Confira:
Monica Benicio
"Gostaria de agradecer mais uma vez ao Grupo O Dia e também à OAB por essa oportunidade tão importante neste momento eleitoral, em que a democracia precisa ser fortalecida e não mais polarizada. Eu entro na política através da dor e escolho transformar essa dor em justiça, em luta e em defesa da democracia. Este ano é decisivo na história do Rio de Janeiro.
O Estado tem uma oportunidade única de eleger duas mulheres progressistas ao Senado. E essas mulheres somos eu, Mônica Benício, do PSOL, número 500, e Benedita da Silva, do PT, número 131. Isso é uma oportunidade que não pode ser perdida, porque a mulher não pode mais ser utilizada como pauta para ganhar eleição e depois não ser reconhecida no planejamento, no orçamento e na priorização das políticas públicas, porque somos nós que movimentamos, sustentamos e cuidamos desse país. Somos nós, mulheres trabalhadoras, que iremos definir essas eleições."
Carlos Jordy 
"Primeiramente, eu quero agradecer a todos. Quero agradecer ao eleitor que nos assistiu aqui. Eu quero dizer que o Senado Federal nunca foi tão importante. O senador tem um papel emblemático, um papel muito relevante, porque tem um orçamento próprio para destinar e para fazer diversas entregas aos municípios. Mas, mais do que isso, eu trouxe aqui algumas notícias, durante o debate, demonstrando a gravidade do momento institucional que nós vivemos, a grave crise institucional que nós vivemos em nosso país.
O Supremo Tribunal Federal se colocou acima dos demais Poderes, como um Poder Moderador, agindo ao arrepio da Constituição, cometendo diversos abusos de autoridade, diversas arbitrariedades, envolvido em diversos escândalos e também se blindando. E é por isso que nós precisamos de um Senado independente, imparcial e com coragem para fazer o que tem que ser feito. E é por isso que eu peço seu voto para os dois senadores do PL: para Carlos Jordy, 221, e para Portinho, 222. Vamos resgatar a independência e a harmonia entre os Poderes."
Crivella
"Lá no Senado Federal, participei de dois mandatos. Temos assuntos importantíssimos em que a experiência do candidato será muito importante. O Rio de Janeiro manda para Brasília, todos os anos, de Imposto de Renda de pessoa física e jurídica, R$ 150 bilhões. Recebe de volta R$ 2,5 bilhões. Com a crise que nós vivemos, isso precisa acabar.
O Supremo Tribunal Federal diz que essa equação tem que mudar. Eu peço a você que me ajude. Eu preciso estar lá. Conheço muitos dos senadores, conheço a tramitação das matérias e nós vamos fazer justiça ao nosso Estado. Com mais recursos, o Rio vai voltar a ser o grande Estado que sempre foi. Deus abençoe o Rio de Janeiro, Deus abençoe a todos e muito obrigado."
Carlos Portinho
"Obrigado ao Grupo O Dia por incentivar esse debate e por toda a grande audiência. Cheguei como senador suplente no Senado, mas sou advogado de formação. Fui líder do governo Bolsonaro no Senado Federal. Sou um defensor da família e da liberdade em todas as situações. Por isso, defendo a pauta da anistia. O país precisa de paz e precisa olhar para frente. São tantos desafios que não dá para perder tempo olhando para trás.

Quero me dirigir, agora, aos advogados, aonde estou hoje, aqui na minha casa, e à presidente Ana Tereza Basílio. No meu mandato, eu pude defender pautas importantes. O projeto de lei que define como de natureza alimentar os honorários advocatícios, eu aprovei, de minha autoria, no Congresso Nacional, e já é lei. O exercício privativo nos Tribunais de Contas, projeto de minha autoria, caminha. E a SAF (Sociedade Anônima do Futebol), que tantas oportunidades deu à nossa classe e investimentos no país."
Marcos Dias
"Obrigado pela oportunidade que nos foi dada esta manhã, a de poder discutir soluções para o Brasil. O Brasil tem que parar com essa radicalização, tem que ter propostas efetivas, com racionalidade e respeito. Torno a dizer: eu fui vítima da violência, perdendo um irmão com um tiro na cabeça. Então, o endurecimento das leis penais, acabar com as saidinhas de presos, a redução da maioridade penal, a castração química... são agendas muito importantes. Eu estou preparado para discutir Economia, discutir infraestrutura. Estou preparado para representar no Senado, mas essa agenda da segurança é imprescindível.
Quero deixar um abraço todo especial para Belford Roxo, que conheço bem. Aliás, eu conheço as 92 cidades do Estado do Rio de Janeiro e estou preparado para cuidar de você com amor e responsabilidade. Eu sou o único candidato que pode pedir aqui o primeiro voto para Marcos Dias e, você que ainda não escolheu, o segundo voto também para Marcos Dias, 200."
Waguinho 
"Quero chamar a atenção de toda a Baixada Fluminense e dizer que nós somos mais de três milhões de eleitores. Chegou a vez de a Baixada ter um representante raiz no Senado Federal. Sou de Belford Roxo, da Baixada. Não vamos perder essa oportunidade. Fui prefeito duas vezes, deputado duas vezes e vereador. Tenho uma experiência muito grande. Sei e conheço tudo o que nosso povo precisa no Estado do Rio de Janeiro. E você que já tem seu primeiro voto, posso ser seu segundo voto.

Quero também mandar um abraço para minha mulher, que é a deputada federal Daniela do Waguinho.
Peço voto para Waguinho, senador 101, e para Crivella, senador 100. Um forte abraço para todos."