Crítica às bets foi um ponto em comum entre os debatedoresCarlos Elias Jr/Agência O Dia

As bets estiveram entre os principais temas do debate promovido pelo O DIA em parceria com a OAB-RJ com candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro. O assunto provocou convergência entre os participantes sobre os impactos negativos das apostas, especialmente no endividamento e nos prejuízos à vida financeira e familiar de milhares de brasileiros. Mesmo com a regulamentação do setor, os candidatos defenderam a necessidade de ampliar os mecanismos de controle e proteção aos apostadores.
O candidato Carlos Jordy foi um dos mais contundentes nas críticas e afirmou ser “totalmente contra as bets”. Segundo ele, as apostas estariam associadas à lavagem de dinheiro do crime organizado e à destruição de famílias. Jordy defendeu a proibição das bets no Brasil e citou casos de pessoas que teriam perdido patrimônio, saúde mental e até casamentos em razão das apostas.
Marcos Dias também se declarou “totalmente contra” e afirmou que as apostas estão levando famílias a perder bens e afetando relacionamentos. Para ele, a publicidade das bets, inclusive nos estádios de futebol, contribui para a expansão do problema. “Nós não podemos continuar permitindo que elas cresçam e levando caos na economia e nas famílias”, declarou.
Monica Benicio avaliou que as bets estão “arruinando a vida de milhares de famílias brasileiras” e defendeu uma regulamentação feita “com muita seriedade”. Para a candidata, o Senado tem papel fundamental no enfrentamento do problema, que considera um dos maiores riscos atuais para a economia e para a dignidade das famílias.
O candidato Carlos Portinho destacou que votou contra a regulamentação, mas afirmou ter apresentado medidas para reduzir os danos provocados pelas apostas. Entre elas, citou mecanismos de reconhecimento facial para impedir que crianças e adolescentes apostem e um projeto para restringir a publicidade das bets, diante do que classificou como uma propaganda em massa que estimula o endividamento. “A banca sempre ganha nessa desgraça”, afirmou.
Waguinho também se posicionou contra as apostas e ampliou a crítica para os jogos de azar. O candidato afirmou que qualquer modalidade desse tipo pode contribuir para a destruição das famílias e defendeu que os recursos recebidos pelo trabalhador sejam priorizados para as necessidades básicas dentro de casa.
“Eu sou contra qualquer tipo de bet, qualquer tipo de jogos de azar que vai destruir as famílias”, afirmou. Segundo Waguinho, o dinheiro conquistado pelo trabalhador, inclusive por meio de benefícios do governo federal, deve ser utilizado para cuidar da casa, dos filhos, da esposa e garantir a alimentação. “Não deixa faltar aquilo que é primordial para que uma família tenha uma vida sadia e de alegrias”, declarou.
Já Marcelo Crivella adotou uma abordagem diferente, defendendo que o apostador seja informado sobre as reais chances de ganhar. Para ele, é preciso deixar claro que a possibilidade de sucesso nas apostas é muito pequena, informação que poderia levar as pessoas a apostar
“Eu acho que as bets precisavam ter a informação da chance de ganhar”, afirmou Crivella. Para explicar seu argumento, ele fez uma comparação com um dado: “Quando vai jogar um dado, para acertar o número é um sexto, um sexto, ele tem 14%”.
Na avaliação do candidato, deixar explícita a baixa probabilidade de vitória pode contribuir para reduzir o volume de apostas. “É isso que as pessoas precisam saber, que a bet é muito, muito difícil de acertar. Quando elas se aperceberem disso, tenho certeza que elas vão jogar menos”, declarou.
Democracia e voto consciente
O debate também foi marcado pela defesa da democracia e do voto consciente. O presidente do Grupo de Comunicação O Dia, Thiago Feitosa, destacou a importância da iniciativa para que o eleitor tenha contato direto com os candidatos e possa fazer sua escolha.
“Nós não temos compromisso com o partido político, com o candidato. O nosso compromisso é com o jornalismo e com o eleitor”, afirmou.
A presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basílio, classificou o encontro como um sucesso e ressaltou que o debate alcançou mais de 26 mil visualizações. Segundo ela, a iniciativa contribuiu para o voto consciente e reforçou o papel da OAB na defesa da democracia e na divulgação das propostas dos candidatos.
“A OAB, ela não só tem que zelar pela advocacia, mas também pela sociedade, pela democracia, pelo Estado democrático de direito”, declarou.