Fachada do Hospital Universitário Pedro ErnestoEstefan Radovicz / Arquivo O Dia

Rio - Das seis principais categorias do 64º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe/Uerj), quatro ficaram com pesquisadores da Urologia, incluindo o Prêmio Pedro Ernesto, principal do evento. Três desses foram para a técnica cirúrgica destinada ao tratamento de câncer de próstata, chamada AORP (Prostatovesiculectomia Retropúbica Anatômica Anterógrada).
Idealizada em 2015 e aperfeiçoada desde então, a técnica foi desenvolvida no próprio hospital da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) pelo urologista e pesquisador Fabrício Borges Carrerette. A proposta é utilizar, na cirurgia aberta, princípios e conceitos empregados na cirurgia robótica, criando uma alternativa para hospitais e pacientes que não têm acesso aos equipamentos robóticos, de custo elevado.
"Esse reconhecimento é resultado de 11 anos de trabalho, pesquisa e, principalmente, de uma equipe que nunca deixou de acreditar. A AORP não nasceu pronta. Foi construída com estudo, rigor científico, pesquisa clínica e muito trabalho dentro de um hospital público", afirmou Carrerette.
A pesquisa seguiu todas as etapas exigidas para um estudo clínico, com aprovação ética pela Plataforma Brasil e registro no banco de dados ClinicalTrials.gov. O desafio é ampliar o conhecimento sobre a técnica e formar profissionais capazes de reproduzi-la em outros centros.
Para o pesquisador, o significado da premiação vai além dos troféus. "Tenho um orgulho enorme de toda a equipe. São médicos, pesquisadores, residentes, enfermeiros, estudantes de medicina, profissionais de diferentes áreas e tantos outros que participaram dessa trajetória. Esse prêmio pertence a todos eles e mostra que é possível fazer ciência de excelência, inovação e impacto internacional dentro de uma universidade pública e a serviço do SUS."
A equipe também trabalha para disseminar a técnica por meio do PAI (Prostate Access Initiative), iniciativa criada para ampliar a capacitação de profissionais e o acesso à cirurgia. "Se uma pesquisa desenvolvida no HUPE pode transformar conhecimento científico em uma possibilidade concreta de tratamento para quem não tem acesso à tecnologia mais cara, então estamos cumprindo a função maior da universidade pública: produzir conhecimento e fazer com que ele chegue à sociedade", concluiu o pesquisador.
Premiação
A premiação ocorreu no dia 28 de agosto e contou com convidados, como o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o Secretário de Saúde do Estado do Rio, Ronaldo Damião; a Reitora da Uerj, Gulnar Azevedo; a diretora científica da Faperj, Eliete Bouskela; e o Diretor geral do Hupe, Rui Teófilo.