Brenda de Azereto destacou a luta por direitos dos estudantesÉrica Martin / Agência O Dia

Rio - Após meses de greve, os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) retornaram às salas de aulas nesta segunda-feira (13). Os servidores técnico-administrativos mantiveram a paralisação iniciada em abril. No campus do Maracanã, na Zona Norte, alunos ouvidos por O DIA celebraram a retomada das atividades, mas lamentaram o período de incertezas.
Pedro Lucas, 28 anos, é estudante de Ciências Biológicas e está na reta final do curso. Ele contou que ficou aliviado com a volta das aulas, porém perdeu uma oportunidade de estágio com as mudanças repentinas de horário provocadas pela greve.
"Está complicado. Eu ia começar em um estágio, mas agora não posso mais porque as aulas voltaram e os horários entrariam em conflito. O pior da greve é não saber quando as aulas vão voltar, então ficamos reféns. O retorno é um alívio, mas fica sempre um medo da greve voltar. Precisamos um reajuste de calendário, mas não tivemos essa opção", explicou.
A estudante de Enfermagem Brenda de Azereto, 20, destacou que os alunos voltaram às salas mesmo com demandas pendentes.
"A expectativa está muito grande para a volta às aulas, mas também uma frustração pelo que está acontecendo. Os docentes conseguiram os seus direitos, mas os estudantes ainda estão tendo que lutar pelos auxílios por causa dessa crise orçamentária. Ou seja, nós paramos por eles e estamos tendo que voltar por ordem deles, mas ainda não tivemos nossos direitos garantidos", lamentou Brenda.
Os docentes da Uerj decidiram pela suspensão da greve logo no início de julho, logo após a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovar o Projeto de Lei Complementar que cria o Adicional de Desenvolvimento Funcional (ADF). Essa era uma das principais reivindicações apresentadas pelos grevistas.
O novo benefício estabelece uma progressão remuneratória baseada em critérios como desempenho profissional, qualificação e tempo de exercício. O texto prevê percentuais incorporados à remuneração dos servidores que cumprirem metas de avaliação e capacitação, alcançando até 60% sobre a base de cálculo ao longo da carreira.
Apesar da suspensão da greve, parte das reivindicações segue em pauta. Questões como recomposição orçamentária da universidade, ampliação do auxílio-saúde e melhorias estruturais continuam sendo acompanhadas pelas entidades representativas.
A paralisação dos servidores técnico-administrativos, no entanto, segue em andamento. Segundo o movimento, embora os docentes tenham decidido suspender a greve e retornar às salas de aula, as principais reivindicações dos técnico-administrativos estão sem resposta.
Entre elas está a retomada do pagamento dos auxílios, considerada condição indispensável para o encerramento da paralisação. Durante assembleia realizada no último dia 6, os participantes ainda reforçaram que a reformulação do plano de carreira permanece entre as prioridades.
Já na última quinta-feira (9), servidores e alunos realizaram uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do Rio. O ato aconteceu durante uma reunião entre a reitora Gulnar Azevedo com o governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, para discutir demandas da instituição.