Andréa Marins Dias foi baleada ao sair da casa dos pais idososReprodução / Redes Sociais

A Justiça do Rio tornou réu dois policiais militares pela morte da médica Andréa Marins Dias, de 61 anos, em Cascadura, na Zona Norte, em março. Ela foi alvejada pelos PMs após ter o carro confundido com o de criminosos quando saía da casa dos pais idosos.

A 2ª Vara Criminal da Capital aceitou a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) contra o subtenente José Jorge Ferreira Dias e o segundo-sargento Raphael Gomes Damasceno, nesta quarta-feira (9).

O crime aconteceu em 25 de março, quando os policiais faziam buscas por veículos suspeitos de envolvimento em roubos na região. Os agentes passaram a perseguir um Corolla Cross prata, mas perderam o carro de vista. Em seguida, localizaram o Corolla Cross branco da médica e efetuaram os disparos sem confirmar se era o mesmo automóvel.

A vítima foi atingida no tórax e no abdômen e morreu ainda no local. De acordo com a denúncia, os policiais agiram com dolo eventual ao efetuarem os disparos mesmo sem terem certeza de que se tratava do mesmo carro, assumindo o risco de atingir uma pessoa sem relação com os fatos.

A acusação é baseada em imagens de câmeras de vigilância privadas e da Prefeitura, além de laudos periciais. Ainda segundo as investigações, os tiros atingiram a traseira do veículo e foram efetuados de surpresa, dificultando a defesa da vítima.

Além disso, a Justiça determinou o afastamento dos policiais das atividades operacionais e do policiamento ostensivo e suspendeu o porte funcional de arma. Os agentes deverão permanecer em funções internas e estão proibidos de manter contato com testemunhas e familiares da vítima ou de se aproximar deles a menos de 300 metros.
O DIA tenta localizar as defesas dos PMs. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.