Luan Monteiro (PCO), André Marinho (Novo) e Eduardo Paes (PSD) em sabatina, nesta sexta-feira (11)Carlos Elias Junior/ Agência O Dia

O terceiro dia das sabatinas realizada pelo O Dia e promovida pela Fecomércio RJ, em parceria institucional com a Firjan e a ACRJ, contou com a participação de três candidatos ao Governo do Rio. O primeiro a ser entrevistado foi Luan Monteiro (PCO). No período da tarde, André Marinho (Novo) e Eduardo Paes (PSD) responderam as perguntas das jornalistas Mariana Procópio e Aline Pacheco.
Os postulantes ao cargo falaram sobre suas propostas na área de segurança pública, saúde, educação, mobilidade, desenvolvimento econômico, geração de empregos, infraestrutura e políticas sociais. Confira como foi cada sabatina:

Luan Monteiro

Durante a entrevista, o postulante defendeu o fim da Polícia Militar, a descriminalização das drogas, o armamento da população e a estatização de serviços públicos como transporte, saúde e educação.

Ao ser questionado sobre segurança pública, Monteiro afirmou que o modelo atual fracassou e citou as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) como exemplo. "A UPP não serviu de nada. É a prova cabal de que colocar a polícia em um local não vai resolver o problema da criminalidade".

Segundo o candidato, a solução passaria pela organização popular e pela criação de conselhos de bairro formados por moradores. Ele também defendeu a dissolução das atuais forças policiais. "Nós não acreditamos que o Estado e seus órgãos repressivos, como a Polícia Militar e a Polícia Civil, tenham condições de resolver o problema da segurança. A gente defende o armamento da população e que as pessoas possam formar seus próprios conselhos de bairro", disse.

Questionado como isso seria feito na prática, Monteiro argumentou que a criminalidade está ligada a questões sociais e econômicas. Para ele, a descriminalização das drogas contribuiria para enfraquecer o tráfico. "A gente defende a descriminalização de todas as drogas. O problema da repressão policial não resolve a questão da violência."

Questionado sobre como governaria diante de uma Assembleia Legislativa com ampla presença de parlamentares de direita e centro, o candidato disse que suas propostas dependeriam da mobilização popular.

"Qualquer legislação que seja aprovada em benefício da população só será aprovada através da pressão popular. Não vai ser numa base de negociação política tradicional", declarou o candidato.

Na área da saúde, Monteiro criticou a participação da iniciativa privada e defendeu que os serviços sejam totalmente públicos. Segundo ele, hospitais administrados por empresas privadas ou organizações contratadas pelo poder público deveriam ser incorporados à estrutura estatal.

"Tem que garantir que seja tudo público. Serviços essenciais devem estar nas mãos do Estado. Se eles saírem do Rio, melhor. Mas nossa ideia é tomar totalmente para as mãos do estado."

O candidato também apresentou propostas para a educação e o mercado de trabalho. Entre elas, a ampliação do ensino técnico gratuito, investimentos em universidades públicas e a redução da jornada semanal para 35 horas, sem redução salarial. "A redução da jornada abre espaço para mais empregos e melhora a qualidade de vida dos trabalhadores", argumentou.

Sobre mobilidade urbana, Monteiro criticou o atual sistema de transportes do estado e defendeu a reestatização dos modais. Para ele, metrô, trens e ônibus deveriam voltar ao controle estatal. "São serviços essenciais. Não podem ficar nas mãos de empresas privadas que lucram muito oferecendo um serviço ruim para a população", disse.

Ao longo da sabatina, o candidato reforçou diversas vezes que considera a mobilização dos trabalhadores o principal instrumento para implementar seu programa de governo. Segundo ele, mudanças estruturais em áreas como segurança, saúde, educação e transporte só seriam possíveis com participação popular organizada.

As sabatinas promovidas por O DIA e pela Fecomércio RJ reúnem os candidatos ao Governo do Estado para discutir propostas relacionadas a segurança pública, educação, mobilidade urbana, desenvolvimento econômico, geração de empregos e gestão pública.

André Marinho

O candidato ao Governo do Rio, André Marinho (Novo), defendeu a recuperação de territórios dominados pelo crime organizado, a criação de políticas voltadas para jovens das comunidades e a extensão do metrô. Entre as propostas apresentadas, está o programa "Sai Fuzil, Entra Brasil".

Segurança

Para Marinho, o enfrentamento ao crime organizado precisa ser acompanhado de ações para oferecer oportunidades aos jovens que vivem em áreas dominadas por grupos criminosos. "Temos que ser capazes de recuperar talentos que estão represados nas 1.900 comunidades do Rio de Janeiro afora. Uma coisa leva à outra, porque o jovem de 13 anos está sendo aliciado pelo tráfico, muitas vezes, por uma promessa, por uma sedução para ganhar um status, com um ambiente escolar totalmente depredado. Isso repele esses jovens em todos os sentidos. O pior terror é imaginar que o jovem de 13 anos é o mesmo que está fora do mercado de trabalho e se tornando um inimigo do Estado”, destacou.
Sobre o programa "Sai Fuzil, Entra Brasil", o candidato afirmou que a iniciativa reúne profissionais com experiência operacional e conhecimento técnico. Além disso, ele também defendeu a criação de uma corregedoria externa e autônoma para as polícias.
"Os objetivos são reintegrar territórios, expandir nossa capacidade carcerária e estrangular as fontes de financiamento do crime, porque bandido sem dinheiro é bandido sem poder, porque a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Temos que fortalecer nossos policiais, com corregedoria externa e autônoma, fazendo rondas aleatórias dentro das delegacias e batalhões que estão eventualmente corrompidos. De nada adianta uma operação que vai trazer uma retomada de território se a matéria-prima humana que está largada dentro das comunidades não tiver o mínimo de perspectiva de seguir a vida."
Marinho relatou ainda uma situação que teria presenciado na comunidade do Pau Branco, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Segundo ele, um casal teria sido ameaçado por um miliciano após se recusar a pagar uma taxa de estacionamento.
"O relato de um casal que chegou sem bateria no telefone e a cobrança da taxa de estacionamento na frente do próprio casebre humilde deles por um miliciano. O miliciano pegou a autoridade para si, como o dono não só da viela, do território, mas também do destino da integridade física daquele casal. Falou: ‘Vai ser você ou ela?’. Eles, obviamente, ficaram desesperados. Acelerando a linha do tempo, o morador acordou com vários traumatismos ali no Hospital Municipal de São João de Meriti. Ou seja, onde o poder público não opera, o poder paralelo impera e faz essa maldade permanentemente."
O candidato defendeu também a ampliação do intercâmbio de inteligência e a modernização dos equipamentos utilizados pelas forças de segurança. "Eu vou promover o maior intercâmbio de inteligência com a maior potência militar aberta do planeta. As nossas polícias estão lidando com um carro blindado completamente deteriorado, na Idade da Pedra, fuzis arranhados contra um exército de 80 mil faccionados armados até os dentes com armas de guerra. Ou seja, se eles têm um AK-47, os nossos heróis da polícia precisam de um AR-15 com mira holográfica. Eu não vou poupar esforços em também trazer esses equipamentos, claro, tudo dentro da lei brasileira e da lei estadual."

Logística e transporte

Na área de transporte, o candidato criticou a sobreposição entre diferentes modais e classificou como "absurdo normalizado" a situação do trânsito no estado.
Entre as propostas apresentadas, Marinho citou a conclusão de projetos já previstos para o metrô e a ampliação da rede na capital. "Na questão do metrô, terminar urgentemente projetos que já estão provisionados, já estão estudados e viabilizados tecnicamente. Ou seja, terminar o compartilhamento de trilhos entre a Linha 1 e a Linha 2, serão oito vagões ali para a Linha 2, que vai aumentar a demanda em 35%, estendendo também a Estácio até a Praça XV. Isso será um ponto central ali na capital do Rio de Janeiro."
Marinho também defendeu a abertura de um túnel no Maciço da Tijuca. "Eu não posso deixar de mencionar também, antes de continuar aqui nas extensões do metrô na capital, vou falar aqui: furar o Maciço da Tijuca. Estação Uruguai, favorecendo a Zona Norte também, Grajaú, Méier, Tijuca, em vez de ter que fazer todo o perímetro em torno da cidade do Rio de Janeiro, em cinco minutos, finalmente, furando o Maciço da Tijuca, chegando lá na Estação Gávea."
Sobre a estrutura portuária e ferroviária, Marinho destacou o potencial econômico do Porto do Açu, em São João da Barra, e defendeu investimentos para ampliar a capacidade de transporte de cargas. "Nós temos o principal, com verdadeiras plataformas ali potentes, colossais, verdadeiros transportadores ali de navios titânicos, para realmente exportar o nosso minério de ferro, toda a nossa balança comercial, o petróleo. O Porto do Açu, em São João da Barra, está um completo descaso. Ou seja, a gente precisa começar a pulverizar essas riquezas regionais e o dinheiro ir para o povo e não para político", afirmou.

Economia

Na área econômica, André Marinho afirmou que pretende facilitar a chegada de investimentos ao estado e aproximar o governo do setor produtivo. Entre as propostas, está a criação de um "balcão único de investimentos".
"Pretendo criar um balcão único de investimentos para facilitar, trazer todas as associações de classe e todo o empresariado que, muitas vezes, se sente repelido no RJ", disse.
O candidato também criticou problemas relacionados ao abastecimento de água e à fiscalização das concessionárias. Ele citou a Estação de Tratamento de Água do Guandu, em Nova Iguaçu, e questionou a falta de acesso regular à água em municípios da Baixada Fluminense.
"De acordo com o Guinness World Records, nós temos a maior estação de tratamento de água do planeta, a do Guandu, em Nova Iguaçu. Em Engenheiro Pedreira, a poucos quilômetros de distância, temos águas barrentas e torneiras secas. Isso mostra o fracasso total e essa indústria dos hidrômetros sendo instalados estado afora, mas sem o mínimo de marco regulatório e fiscalização omissa. Temos que fortalecer nossos mecanismos de fiscalização e lidar diretamente com as concessionárias e fazer com que todos os repasses da Cedae sejam usados", destacou.
Marinho defendeu ainda a redução dos custos para o estado e afirmou que o Rio tem condições de superar os problemas atuais. "O custo do Rio vai começar a decrescer. O RJ tem jeito, sim."

Saúde

Em relação à saúde, o candidato destacou que leito não é favor e hospital não é curral eleitoral. "Eu vou decretar o código vermelho da saúde como uma política de governo. A gente precisa investir pesado em policlínicas regionais de polos de média e alta complexidade. Evitar que o morador do interior tenha que pegar a RJ-116 vindo pra capital, para o Hospital do Cérebro, vomitando, com diarreia, só para conseguir um exame e, quiçá, atendimento. Saúde é direito!".
Ao O DIA, o candidato propôs também uma política pública voltada para inclusão e acolhimento de pessoas com deficiência. "A gente tem que trabalhar em conjunto não só com o Senai e o Senac, mas também com a Firjan e a Fecomércio, e trazer isso como uma política pública definida, junto aos centros regionais do Estado. Para que a gente possa dar uma mão absolutamente acolhedora a todas as famílias que lidam com membros neurodivergentes, dando prioridade também à terapia ocupacional para as crianças autistas, que muitas vezes ficam largadas à própria sorte. É uma tragédia silenciosa que vem, enfim, destruindo diversas famílias. Mas o que sustenta essas famílias é a fé inabalável e o amor incondicional. A gente precisa de um Estado que também lide essa guerra por amor", concluiu.

Eduardo Paes

O candidato ao Governo do Rio pelo PSD, Eduardo Paes, foi o último entrevistado nesta sexta-feira (11). Ex-prefeito da capital por quatro mandatos, deputado federal e ex-secretário estadual, Paes centrou boa parte de suas respostas na área de segurança pública, tema que classificou como o principal problema enfrentado pelos fluminenses.

Além disso, Paes associou os problemas do estado à gestão de seus antecessores e à crise política enfrentada pelo Rio nos últimos anos. "O Rio tem a pior educação do Brasil, hospitais em situação precária e serviços públicos deteriorados. Isso não aconteceu por acaso."

Para o candidato, a recuperação do estado passa pela retomada da capacidade de gestão e pelo combate à corrupção. "É preciso autoridade moral para reconstruir o Rio de Janeiro.”

Ao longo da entrevista, o candidato afirmou que a crise na segurança está diretamente ligada ao que considera um processo de degradação institucional do estado nos últimos anos.

"O crime sentou no Palácio Guanabara", afirmou. "O que mais preocupa o cidadão, afasta investimentos e deteriora o ambiente institucional do Rio de Janeiro é a violência."

Segurança pública

Questionado sobre as prioridades para o setor, Paes defendeu a recriação de uma Secretaria de Segurança com poder efetivo de coordenação sobre as forças policiais, além da adoção de medidas voltadas à inteligência e ao combate financeiro das organizações criminosas.

"Nós vamos reunificar e criar uma Secretaria de Segurança que, de fato, seja responsável por coordenar as ações e as políticas públicas na área de segurança pública", disse.

Segundo ele, a influência política sobre as corporações policiais precisa ser interrompida. "É preciso retirar a política da segurança pública. O único agente político na gestão da segurança será o governador." O candidato também prometeu ampliar vagas no sistema penitenciário, investir em tecnologia e fortalecer investigações. "Precisamos reformular o sistema prisional, criar 20 mil vagas, ir atrás do dinheiro do crime organizado e fazer a asfixia financeira dessas organizações."

Retomada de territórios

Um dos pontos mais enfatizados por Paes foi a necessidade de recuperar áreas dominadas por facções criminosas e milícias.

Durante e após a sabatina, ele foi questionado sobre os resultados das antigas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e como impedir que áreas retomadas voltem a ser ocupadas pelo crime e como combater a corrupção dentro da própria polícia.

"A questão da segurança pública é uma questão de Estado. Nós precisamos recuperar a autoridade do Estado do Rio de Janeiro e devolver o território aos homens e mulheres de bem", respondeu.

Paes afirmou que o avanço do crime organizado não está restrito às comunidades da capital e citou cidades do interior que, segundo ele, já convivem com problemas semelhantes. "Você imagina que Rio das Ostras já tem comunidades dominadas pelo crime organizado. Isso impede o desenvolvimento econômico e turístico dessas regiões."

Ambiente para investimentos

Ao falar sobre desenvolvimento econômico, Paes voltou a relacionar a atração de investimentos à melhoria da segurança. "O Rio de Janeiro hoje praticamente repele investimentos por conta da insegurança pública e da insegurança jurídica."

Ele defendeu a simplificação de processos burocráticos, a manutenção de incentivos fiscais contratados legalmente e a criação de um ambiente mais favorável para novos empreendimentos.

"Com o fim da guerra fiscal, o que vai valer será logística, infraestrutura e mercado consumidor. O Rio tem todas essas condições."

Educação e qualificação profissional

Na área educacional, o candidato afirmou que pretende ampliar o ensino médio em tempo integral e reconstruir a rede de ensino técnico estadual. "Hoje o ensino médio em tempo integral do estado está em torno de 13%. Nossa meta é chegar a 30%."

Paes também defendeu a expansão das Faetecs e a criação de cursos alinhados às vocações econômicas de cada região. "Não é aceitável que a Região dos Lagos, que tem enorme potencial turístico, não tenha uma formação técnica voltada para esse setor."

Saúde

Na saúde, o candidato prometeu ampliar investimentos estaduais, fortalecer hospitais regionais e criar unidades inspiradas no modelo do Super Centro Carioca de Saúde. "Nós vamos criar oito supercentros de especialidades espalhados pelo estado."

Segundo ele, a medida ajudaria a reduzir filas por consultas e exames especializados. "O grande gargalo hoje é a regulação. As pessoas esperam meses para conseguir atendimento especializado
A saúde do Estado precisa de mais recursos. O governo estadual precisa cumprir melhor seu papel na média e alta complexidade."

Entre as propostas citadas estão a ampliação da rede de hospitais regionais, a abertura do Hospital do Câncer de Nova Friburgo e a construção de novas unidades especializadas.

Turismo e interiorização do desenvolvimento

Paes também destacou o potencial turístico e econômico do interior fluminense, defendendo investimentos em infraestrutura, acessos rodoviários e promoção turística. "É impressionante o potencial do nosso território. O que falta é Estado funcionando."

Segundo ele, regiões como a Costa do Sol, Serra, Sul Fluminense e Norte Fluminense podem crescer ainda mais caso recebam investimentos em mobilidade e segurança. "Você não vai desenvolver o turismo se não houver uma política adequada para o turismo no estado, se as rodovias estiverem destruídas e se não houver possibilidade de escoamento da produção."

Ao encerrar a entrevista, Paes voltou a criticar o atual cenário político estadual e afirmou que sua experiência administrativa o credencia para comandar o estado.

"O Rio é uma enorme potência econômica. O que existe hoje é uma crise institucional sem precedentes. Eu acredito que minha experiência de gestão pode ajudar a fazer as transformações que o Estado do Rio de Janeiro merece, precisa e pode ter."

As sabatinas do Movimento Rio em Frente reuniram os candidatos ao Palácio Guanabara para discutir propostas nas áreas de segurança, saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e gestão pública.