Durante a entrevista, o postulante defendeu o fim da Polícia Militar, a descriminalização das drogas, o armamento da população e a estatização de serviços públicos como transporte, saúde e educação.
Ao ser questionado sobre segurança pública, Monteiro afirmou que o modelo atual fracassou e citou as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) como exemplo. "A UPP não serviu de nada. É a prova cabal de que colocar a polícia em um local não vai resolver o problema da criminalidade".
Segundo o candidato, a solução passaria pela organização popular e pela criação de conselhos de bairro formados por moradores. Ele também defendeu a dissolução das atuais forças policiais. "Nós não acreditamos que o Estado e seus órgãos repressivos, como a Polícia Militar e a Polícia Civil, tenham condições de resolver o problema da segurança. A gente defende o armamento da população e que as pessoas possam formar seus próprios conselhos de bairro", disse.
Questionado como isso seria feito na prática, Monteiro argumentou que a criminalidade está ligada a questões sociais e econômicas. Para ele, a descriminalização das drogas contribuiria para enfraquecer o tráfico. "A gente defende a descriminalização de todas as drogas. O problema da repressão policial não resolve a questão da violência."
Questionado sobre como governaria diante de uma Assembleia Legislativa com ampla presença de parlamentares de direita e centro, o candidato disse que suas propostas dependeriam da mobilização popular.
"Qualquer legislação que seja aprovada em benefício da população só será aprovada através da pressão popular. Não vai ser numa base de negociação política tradicional", declarou o candidato.
Na área da saúde, Monteiro criticou a participação da iniciativa privada e defendeu que os serviços sejam totalmente públicos. Segundo ele, hospitais administrados por empresas privadas ou organizações contratadas pelo poder público deveriam ser incorporados à estrutura estatal.
"Tem que garantir que seja tudo público. Serviços essenciais devem estar nas mãos do Estado. Se eles saírem do Rio, melhor. Mas nossa ideia é tomar totalmente para as mãos do estado."
O candidato também apresentou propostas para a educação e o mercado de trabalho. Entre elas, a ampliação do ensino técnico gratuito, investimentos em universidades públicas e a redução da jornada semanal para 35 horas, sem redução salarial. "A redução da jornada abre espaço para mais empregos e melhora a qualidade de vida dos trabalhadores", argumentou.
Sobre mobilidade urbana, Monteiro criticou o atual sistema de transportes do estado e defendeu a reestatização dos modais. Para ele, metrô, trens e ônibus deveriam voltar ao controle estatal. "São serviços essenciais. Não podem ficar nas mãos de empresas privadas que lucram muito oferecendo um serviço ruim para a população", disse.
Ao longo da sabatina, o candidato reforçou diversas vezes que considera a mobilização dos trabalhadores o principal instrumento para implementar seu programa de governo. Segundo ele, mudanças estruturais em áreas como segurança, saúde, educação e transporte só seriam possíveis com participação popular organizada.
As sabatinas promovidas por O DIA e pela Fecomércio RJ reúnem os candidatos ao Governo do Estado para discutir propostas relacionadas a segurança pública, educação, mobilidade urbana, desenvolvimento econômico, geração de empregos e gestão pública.
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