Paes defende retomada de territórios e fala em 'autoridade moral para reconstruir o Rio'
Candidato do PSD participou de sabatina promovida pelo Movimento Rio em Frente, do Sistema Fecomércio RJ, e apontou a segurança pública como principal desafio do Estado
O candidato ao Governo do Rio pelo PSD, Eduardo Paes, foi o último entrevistado nesta sexta-feira (11) da série de sabatinas promovida pelo Movimento Rio em Frente, iniciativa do Sistema Fecomércio RJ em parceria com o jornal O DIA, Firjan e Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) com mediação da jornalista Mariana Procópio.
Ex-prefeito da capital por quatro mandatos, deputado federal e ex-secretário estadual, Paes centrou boa parte de suas respostas na área de segurança pública, tema que classificou como o principal problema enfrentado pelos fluminenses.
Além disso, Paes associou os problemas do estado à gestão de seus antecessores e à crise política enfrentada pelo Rio nos últimos anos. "O Rio tem a pior educação do Brasil, hospitais em situação precária e serviços públicos deteriorados. Isso não aconteceu por acaso."
Para o candidato, a recuperação do estado passa pela retomada da capacidade de gestão e pelo combate à corrupção. "É preciso autoridade moral para reconstruir o Rio de Janeiro.”
Ao longo da entrevista, o candidato afirmou que a crise na segurança está diretamente ligada ao que considera um processo de degradação institucional do estado nos últimos anos.
"O crime sentou no Palácio Guanabara", afirmou. "O que mais preocupa o cidadão, afasta investimentos e deteriora o ambiente institucional do Rio de Janeiro é a violência."
Segurança pública
Questionado sobre as prioridades para o setor, Paes defendeu a recriação de uma Secretaria de Segurança com poder efetivo de coordenação sobre as forças policiais, além da adoção de medidas voltadas à inteligência e ao combate financeiro das organizações criminosas.
"Nós vamos reunificar e criar uma Secretaria de Segurança que, de fato, seja responsável por coordenar as ações e as políticas públicas na área de segurança pública", disse.
Segundo ele, a influência política sobre as corporações policiais precisa ser interrompida. "É preciso retirar a política da segurança pública. O único agente político na gestão da segurança será o governador." O candidato também prometeu ampliar vagas no sistema penitenciário, investir em tecnologia e fortalecer investigações. "Precisamos reformular o sistema prisional, criar 20 mil vagas, ir atrás do dinheiro do crime organizado e fazer a asfixia financeira dessas organizações."
Retomada de territórios
Um dos pontos mais enfatizados por Paes foi a necessidade de recuperar áreas dominadas por facções criminosas e milícias.
Durante e após a sabatina, ele foi questionado sobre os resultados das antigas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e como impedir que áreas retomadas voltem a ser ocupadas pelo crime e como combater a corrupção dentro da própria polícia.
"A questão da segurança pública é uma questão de Estado. Nós precisamos recuperar a autoridade do Estado do Rio de Janeiro e devolver o território aos homens e mulheres de bem", respondeu.
Paes afirmou que o avanço do crime organizado não está restrito às comunidades da capital e citou cidades do interior que, segundo ele, já convivem com problemas semelhantes.
"Você imagina que Rio das Ostras já tem comunidades dominadas pelo crime organizado. Isso impede o desenvolvimento econômico e turístico dessas regiões."
Ambiente para investimentos
Ao falar sobre desenvolvimento econômico, Paes voltou a relacionar a atração de investimentos à melhoria da segurança. "O Rio de Janeiro hoje praticamente repele investimentos por conta da insegurança pública e da insegurança jurídica."
Ele defendeu a simplificação de processos burocráticos, a manutenção de incentivos fiscais contratados legalmente e a criação de um ambiente mais favorável para novos empreendimentos.
"Com o fim da guerra fiscal, o que vai valer será logística, infraestrutura e mercado consumidor. O Rio tem todas essas condições."
Educação e qualificação profissional
Na área educacional, o candidato afirmou que pretende ampliar o ensino médio em tempo integral e reconstruir a rede de ensino técnico estadual. "Hoje o ensino médio em tempo integral do estado está em torno de 13%. Nossa meta é chegar a 30%."
Paes também defendeu a expansão das Faetecs e a criação de cursos alinhados às vocações econômicas de cada região. "Não é aceitável que a Região dos Lagos, que tem enorme potencial turístico, não tenha uma formação técnica voltada para esse setor."
Saúde
Na saúde, o candidato prometeu ampliar investimentos estaduais, fortalecer hospitais regionais e criar unidades inspiradas no modelo do Super Centro Carioca de Saúde. "Nós vamos criar oito supercentros de especialidades espalhados pelo estado."
Segundo ele, a medida ajudaria a reduzir filas por consultas e exames especializados. "O grande gargalo hoje é a regulação. As pessoas esperam meses para conseguir atendimento especializado A saúde do Estado precisa de mais recursos. O governo estadual precisa cumprir melhor seu papel na média e alta complexidade."
Entre as propostas citadas estão a ampliação da rede de hospitais regionais, a abertura do Hospital do Câncer de Nova Friburgo e a construção de novas unidades especializadas.
Turismo e interiorização do desenvolvimento
Paes também destacou o potencial turístico e econômico do interior fluminense, defendendo investimentos em infraestrutura, acessos rodoviários e promoção turística. "É impressionante o potencial do nosso território. O que falta é Estado funcionando."
Segundo ele, regiões como a Costa do Sol, Serra, Sul Fluminense e Norte Fluminense podem crescer ainda mais caso recebam investimentos em mobilidade e segurança. "Você não vai desenvolver o turismo se não houver uma política adequada para o turismo no estado, se as rodovias estiverem destruídas e se não houver possibilidade de escoamento da produção."
Ao encerrar a entrevista, Paes voltou a criticar o atual cenário político estadual e afirmou que sua experiência administrativa o credencia para comandar o estado.
"O Rio é uma enorme potência econômica. O que existe hoje é uma crise institucional sem precedentes. Eu acredito que minha experiência de gestão pode ajudar a fazer as transformações que o Estado do Rio de Janeiro merece, precisa e pode ter."
As sabatinas do Movimento Rio em Frente reuniram os candidatos ao Palácio Guanabara para discutir propostas nas áreas de segurança, saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e gestão pública.
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