A 19ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa acontece, neste domingo (20), na orla de Copacabana, Zona Sul do Rio. O evento reúne participantes em uma programação voltada à valorização da diversidade religiosa, ao diálogo entre diferentes tradições e à promoção de uma cultura de paz. A iniciativa é promovida pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP).
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As atividades começaram com um café da manhã por volta das 8h, no Hotel Pestana Rio Atlântica, localizado na Avenida Atlântica, 2964. O encontro ocorreu antes da caminhada e integrou a programação oficial do evento.
A concentração para a 19ª edição da caminhada começou às 10h, no Posto 5 da Avenida Atlântica. A partir do local, os participantes seguiram pela orla de Copacabana em uma mobilização que tem como foco a defesa da liberdade religiosa e o respeito à diversidade de crenças.
Segundo a organização, a programação busca reforçar a liberdade religiosa como um direito de todos e estimular o convívio respeitoso entre pessoas de diferentes religiões e tradições. A proposta também envolve a promoção do diálogo e da cultura de paz.
A programação termina à tarde, com um show de encerramento previsto para começar às 15h, no Posto 2 da Avenida Atlântica. A atividade musical encerra o encontro na orla de Copacabana.
"Nós merecemos respeito"
A professora Carolina Rocha, conhecida como Dandara Suburbana, afirmou ao jornal O DIA que a caminhada ocorre em defesa dos direitos, da dignidade e do respeito.
Professora Carolina Rocha, conhecida como Dandara SuburbanaCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
"Então a gente precisa estar aqui hoje, caminhando, pra lembrar que nós merecemos respeito, pra cobrar as autoridades políticas públicas que defendam a liberdade religiosa. Isso não pode ser só uma abstração, não pode ser só uma teoria, um discurso", disse.
"A gente caminha com alegria, a gente celebra, a gente não marcha porque a nossa gramática não é de guerra. A nossa gramática é pela defesa dos nossos direitos, por dignidade, por respeito, e pela necessidade que a gente tem de reconhecer os povos de terreiro como contribuição ao patrimônio brasileiro", destacou a professora.
"Defender o direito das religiões de existir é defender também o direito da cultura brasileira de continuar sendo essa cultura diversa que encanta o mundo inteiro e que a gente precisa defender como dignidade", concluiu Carolina.
O Sumo Sacerdote da Wicca no Brasil, Og Sperler, compartilhou as expectativa positivas que tem para o evento.
Og Sperler, Sumo Sacerdote da Wicca no BrasilCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
"A expectativa para a gente é sempre que as pessoas que não estão na caminhada, ou que têm algum tipo de preconceito, procurem se informar, procurem conhecer mais as outras religiões, porque é através do conhecimento que a gente diminui parte do preconceito. E conhece a cultura, conhece o porquê de cada pessoa estar usando um traje, ou uma ferramenta, ou um instrumento, é importante o conhecimento da cultura", defendeu Og.
"A nossa população é plural, entendeu? E a visão tem que ser uma visão plural. Nós temos políticas públicas que elas já existem, só faltam ser colocadas em prática", completou.
Já Ijaz Ahmad Zafar, presidente da Organização Juvenil da Comunidade Muçulmana do Brasil, ressaltou que a caminhada é essencial em um momento de grande polarização no mundo.
Ijaz Ahmad ZafarCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
"Essa caminhada tem uma importância fundamental, principalmente nos dias de hoje, em que vemos no mundo inteiro uma grande polarização, o crescimento da intolerância e dos problemas sociais. Então, essa união entre diferentes religiões, entre diferentes pessoas, entre diferentes culturas, é extremamente importante. E, por isso, acreditando na força dessa união, na tolerância e na paz, isso traz a nós aqui nesse evento", contou.
O arcebispo Corrêa do Budismo Primordial destacou a importância da união entre diferentes religiões.
Arcebispo Corrêa do Budismo PrimordialCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
"Nós estamos presentes nessa caminhada aqui pelo 16º ano consecutivo. A gente precisa aprender a libertar o coração das pessoas dessas amargas culturais, raciais, que só gera discriminação, sofrimento com as pessoas. E, a partir desse momento de interação das religiões, a gente consegue se encontrar melhor."
"O budista também passou por muita dificuldade, já são 120 anos no Brasil. Então essa diferença é muito importante para todos nós. A gente vem de São Paulo, Palmaté, Itaguaia aqui do Rio de Janeiro, prestigiar. Todo ano é muito bom", concluiu.
O professor de Educação Física Thiago Feijão frisou que o evento é uma forma importante de manifestação da fé.
Thiago Feijão, professor de educação físicaCarlos Elias Junior/ Agência O Dia
"A importância da caminhada religiosa é muito importante por podemos ocupar um lugar que é muito importante que é a avenida atlântica e pra poder demonstrar que existimos e resistirmos, a Fé que carregamos e o amor temos merece ser comemorada anualmente e poder a cada vez mais mostrar a força do nosso povo e da nossa religião", disse.
Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa
O evento, que ocorre tradicionalmente no terceiro domingo de setembro, aconteceu, no ano passado, no dia 21, também na orla de Copacabana.
Na ocasião, a concentração ocorreu no Posto 5, e contou com apresentações culturais e falas de representantes de diferentes tradições religiosas ao longo do trajeto.
A caminhada foi criada após episódios de violência contra praticantes de religiões de matriz africana no Morro do Dendê e, ao longo dos anos, se consolidou como um ato de resistência e de união entre pessoas de diferentes crenças. O evento também busca ampliar o debate sobre a intolerância religiosa, chamando a atenção da sociedade e do poder público para o crescimento desses casos e para os impactos que a violação da liberdade religiosa pode provocar na democracia.
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