Zuenir Ventura foi um dos maiores nomes do jornalismo brasileiroDivulgação
Mineiro de Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir construiu sua trajetória profissional e pessoal no Rio de Janeiro, cidade que adotou como lar e que se tornou cenário de grande parte de sua obra. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, destacou-se como um dos principais nomes do jornalismo brasileiro, além de se consolidar como escritor e cronista da realidade fluminense.
Em nota, a Prefeitura ressaltou a contribuição de Zuenir para a imprensa, a literatura e a defesa da democracia, classificando-o como um dos mais importantes jornalistas do país. O decreto destaca ainda sua atuação em defesa da liberdade de expressão e sua relação com o Rio de Janeiro, tema recorrente em seus trabalhos.
Autor de obras marcantes como 1968: O Ano que Não Terminou e Cidade Partida, Zuenir recebeu diversos reconhecimentos ao longo da carreira, incluindo o Prêmio Jabuti.
Segundo a ABL, o velório será realizado nesta quarta-feira (23), das 10h às 14h, na sede da instituição, no Centro do Rio. Em seguida, o corpo será sepultado no mausoléu da Academia, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
Zuenir deixa a esposa, Mary Ventura, e os filhos Elisa e Mauro. A morte do jornalista gerou manifestações de pesar de autoridades, escritores, jornalistas e instituições culturais de todo o país. Em 6 de março de 2015, Zuenir Ventura passou a ocupar a cadeira nº 32 da ABL, sucedendo o dramaturgo Ariano Suassuna.
Governo do Estado do Rio lamenta perda
O Governo do Estado do Rio lamentou a perda de Zuenir por meio de nota oficial:
Foram mais de seis décadas de carreira, com passagens por alguns dos principais veículos de comunicação do país, deixando uma contribuição marcante para o jornalismo, a literatura e a memória do país.
Neste momento de tristeza, o Governo do Estado do Rio de Janeiro se solidariza com familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores das obras de Zuenir Ventura."
Câmara do Rio manifesta pesar
Membro da ABL desde 2015, onde ocupava a cadeira 32, Zuenir Ventura deixa uma contribuição permanente para o jornalismo e para a cultura brasileira. A Câmara do Rio se solidariza com familiares, amigos, colegas de profissão e leitores que tiveram suas vidas marcadas pelo trabalho, pelo olhar sensível e pelo talento de um dos grandes da imprensa nacional.
Carreira
Zuenir nasceu no dia 1º de junho de 1931, no município mineiro de Além Paraíba. Aos 11 anos, mudou-se para Nova Friburgo, no Rio de Janeiro e, sem abandonar os estudos, ajudava seu pai, que era pintor, e chegou até a trabalhar como office boy.
Queria ser professor e, ainda jovem, ganhou uma bolsa de estudos no colégio, em troca de dar aulas para as crianças do então primário. Aos 20 anos, se mudou para o Rio, onde cursou Letras Neolatinas na Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ).
No fim de 1969, realizou para a Editora Abril uma série de 12 reportagens sobre "Os anos 60 - a década que mudou tudo", posteriormente publicada em livro. Em 1985, foi convidado a reformular a revista Domingo, do Jornal do Brasil, onde ocupou depois outras funções de chefia.
Em 1988, Zuenir Ventura lançou o livro 1968 - o ano que não terminou, cujas 48 edições já venderam mais de 400 mil exemplares. O livro serviu também de inspiração para a minissérie "Os anos rebeldes", produzida pela TV Globo. O capítulo "Um herói solitário" inspirou o filme "O homem que disse não", que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.



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