De acordo com a publicação, foram desapropriados os imóveis de números 857 e 343 da Rua Cosme Velho. O segundo, inclusive, se trata do casarão conhecido como Residência Cândido Portinari. O local foi a moradia do artista brasileiro entre os anos de 1943 e 1950 e possui, ainda, um ateliê-galpão projetado por Oscar Niemeyer.
A Casa de Cândido Portinari fica localizada bem em frente ao casarão que atingiu mãe e filha. Dentre outros, o imóvel também era um dos motivos de reclamação dos moradores, que chamam a atenção para o estado de conservação da estrutura.
Já o casarão localizado no número 857 era onde funcionava a sede da instituição cultural Solar dos Abacaxis. O local é conhecido por este nome até hoje. A construção histórica também já foi residência da poetisa Anna Amélia Carneiro de Mendonça e do primeiro goleiro da seleção brasileira e historiador Marcos Carneiro de Mendonça, além de ser um dos grandes pontos de encontro da intelectualidade carioca.
Na decisão desta terça-feira, a prefeitura afirmou que os imóveis foram desapropriados “para fins de renovação urbana, por meio de licitação na modalidade leilão, sob condição suspensiva de aquisição da propriedade do bem pelo município”.
"Precisamos evitar cenas como a de hoje, causadas pela falta de preservação e de responsabilidade dos proprietários. É papel da prefeitura intervir, desapropriar e levar esses imóveis a leilão público, para que ganhem um novo destino e voltem a servir à população", destacou.
O casarão que desabou e o imóvel ao lado dele foram interditados pela Defesa Civil Municipal, que destacou a necessidade de demolição do segundo andar das propriedades. A pasta informou ainda que já havia realizado três vistorias no local antes do desabamento. Desde 2023, o proprietário vinha sendo orientado a realizar uma obra de recuperação. Em 2025, outras duas vistorias foram realizadas, e indicaram que as obras não haviam sido feitas.
Por muitos anos, o casarão que desabou era utilizado como casa de cômodos. No imóvel ao lado, funcionou uma padaria. Ambas as edificações estavam abandonadas, com diversas infiltrações, emboço descolando das fachadas, esquadrias danificadas e telhados com grande quantidade de plantas que se proliferaram no local.
Desabamento feriu mãe e filha
Na manhã de sábado, mãe e filha ficaram feridas ao serem atingidas pelos escombros. A mulher foi identificada como a professora Flávia Lima, do curso de Engenharia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
De acordo com o Corpo de Bombeiros, as vítimas foram encaminhadas ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, também na Zona Sul, com ferimentos moderados. Não há informações sobre seus estados de saúde atuais.
Nesta segunda-feira (21), a Associação de Docentes da Universidade do Estado do Rio Janeiro (ASDUERJ) emitiu uma nota de solidariedade à professora e sua filha. “Que, neste momento, nossa colega possa receber o companheirismo que marca sua luta junto à comunidade uerjiana. Desejamos pronta recuperação à Flávia e à sua filha L., com a expectativa da recuperação de ambas, a certeza de que o pior já passou e a nossa irrestrita solidariedade e carinho a elas”, afirmou.
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