Moradores da comunidade da Mangueira, na Zona Norte, realizam manifestação pacífica devido à falta de água e luzNeemias Gonzaga/Parceiro/Agência O Dia

Às escuras e sem água. É dessa forma que moradores da comunidade da Mangueira, na Zona Norte do Rio, denunciam estar vivendo há pelo menos seis meses. Cansados da situação e sem uma solução para os problemas, um grupo realizou uma manifestação, na noite desta terça-feira (6), para pedir providências à Light e à Águas do Rio, empresas responsáveis pelo fornecimento dos serviços.
Eliane Dos Reis Loureiro, 43, mora há 26 ano na comunidade e relata que tem sido um sacrifício conviver com as constantes instabilidades, principalmente por se tratar de uma região com muitas crianças e idosos. "Tem uns seis meses que a comunidade, todos os dias, sem exagero, fica de cinco a seis vezes por dia sem luz. Imagina a situação? Temos muitas crianças, idosos e trabalhadores. Está um sacrifício chegar do trabalho e não ter luz. Quando começa a chover, é mais certo ainda não ter luz. Tem avenida aqui que está há seis meses sem cair água", reclama.

Carlos da Costa Silva, que mora na comunidade há 75 anos, afirma que há um problema grave acontecendo no local. Segundo ele, eletrodomésticos estão queimando por causa das constantes quedas de energia e os moradores já não sabem mais o que fazer. "Está queimando nossas geladeiras, televisões. Todo dia tem queda de luz. Tem que tomar providência. Não é que tenha ligações clandestinas aqui, não tem 'gato'. Eu pago R$ 400 de conta de luz. O povo daqui é pobre, e o tanto que gastamos com conserto de televisão está demais", desabafa.

A moradora Neuza também reclama da situação e da falta de informações por parte das concessionárias. "Estamos sem água e sem luz, e as coisas acontecem aqui e ninguém toma providência. A luz vai e volta", afirma.

Maria de Fátima Cardoso, também moradora da comunidade, pede urgência para a solução dos problemas. "Estamos há seis meses lutando contra a Águas do Rio e eles sabem que a nossa água não tem força para subir. Disseram que amanhã uma pessoa viria fazer um estudo, mas isso leva tempo. Além disso, toda vez que tem queda de luz, a internet cai e desconfigura o aparelho. Ou seja, são mais problemas", reclama.
A manifestação aconteceu ao longo da noite de forma pacífica. Policiais militares chegaram a acompanhar a movimentação dos moradores. 

O que dizem a Light e Águas do Rio

A Águas do Rio informou vai enviar equipes ao local para verificar o abastecimento na região. Já a Light informou que as ocorrências registradas na comunidade são causadas pelas ligações clandestinas no local. "A prática é ilegal, provoca a queima de transformadores e pode causar incêndios", disse. 
Ainda em nota, a distribuidora estimou prejuízos de aproximadamente R$ 1,3 bilhão por ano em decorrência do furto de energia. "Somente no primeiro semestre de 2026, a Light regularizou mais de 153 mil ligações clandestinas em residências e comércios e recuperou 252 GWh de energia, volume suficiente para abastecer cerca de 84 mil residências durante um ano. Atualmente, a cada 100 clientes regulares da Light, cerca de 36 furtam energia", diz outro trecho da nota.

A Light reforça a importância da colaboração da população no combate às ligações clandestinas e disponibiliza o Disque-Denúncia, pelos telefones (21) 2253-1177 e 0300-253-1177, além dos canais oficiais da companhia.