Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos, morreu em tiroteio entre PMsReprodução / Redes sociais
DHC pede imagens de câmeras corporais de PMs após morte de subtenente
Gláucio Marcelo Fonseca da Silva foi baleado durante ocorrência com policiais do 18º BPM na Gardênia Azul; outros cinco agentes ficaram feridos
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) requisitou as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais militares envolvidos na ocorrência que terminou com a morte do subtenente do Bope Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos, na manhã de domingo (11), na Zona Sudoeste do Rio. Os agentes já prestaram depoimento na unidade, e as armas utilizadas por eles foram apreendidas para a realização de exames periciais. A Polícia Civil também busca testemunhas e realiza outras diligências para esclarecer as circunstâncias do tiroteio.
O caso aconteceu na Rua Guilherme Moreira, na divisa entre a Gardênia Azul e a Freguesia. De acordo com informações da Polícia Militar, uma equipe do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) realizava uma abordagem a um carro quando agentes do 18º BPM (Jacarepaguá) chegaram ao local.
Conforme a versão apresentada pela PM, os policiais do batalhão de Jacarepaguá teriam confundido a ação dos colegas com uma ocorrência criminosa por causa da baixa luminosidade. Em seguida, foram realizados disparos contra os integrantes do Bope. A investigação deverá esclarecer como a situação se desenrolou e as circunstâncias em que os agentes abriram fogo.
Gláucio e outros cinco policiais militares foram atingidos. Entre os feridos, quatro eram integrantes do Bope e um pertencia ao 18º BPM. Todos foram levados para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. O subtenente chegou à unidade sem vida.
Na ocasião, a direção do hospital informou que seis policiais militares deram entrada na unidade. Dois precisaram passar por cirurgia e permaneciam estáveis após os procedimentos, enquanto outros três receberam alta depois de serem avaliados.
Além da DHC, a Corregedoria Interna da Polícia Militar, por meio da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (2ª DPJM), também apura o caso. A análise das imagens das câmeras corporais poderá auxiliar na reconstrução da ocorrência, em conjunto com os depoimentos e os resultados dos exames periciais.
Irmão de Gláucio também era do Bope e morreu há 11 meses em operação
A morte do subtenente ocorreu quase um ano após a perda de seu irmão, o sargento Héber Carvalho da Fonseca, que também integrava o Bope e morreu durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, em outubro de 2025.
No dia 28 de setembro, Gláucio publicou uma homenagem ao irmão nas redes sociais, relatando a saudade e a dificuldade de lidar com a ausência. Na mensagem, o policial lembrou os momentos que compartilhavam e destacou a falta que Héber fazia tanto na vida pessoal quanto no trabalho.
“Onze meses, nada faz sentido ainda. Todos os dias eu sinto sua falta e hoje você iria vibrar com a operação no Complexo da Maré. Você também faz falta no teatro de operações, você fazia a diferença, mas é do meu irmão que eu sinto mais falta, do seu sorriso, das resenhas e de tudo que tínhamos em comum”, escreveu.
Na publicação, Gláucio também afirmou que manteria viva a memória do irmão. “Não há um dia sequer que eu não sinta sua falta. Como é difícil sem você aqui, eu sempre vou amar e lembrar de você até o meu último suspiro. Até breve, irmão”, concluiu.
O subtenente tinha 26 anos de serviço na Polícia Militar, a maior parte deles no Bope, e deixou três filhos. Em seu perfil nas redes sociais, compartilhava registros de atividades profissionais com a unidade. Sua última publicação havia sido feita na sexta-feira (9), dois dias antes de morrer, com a legenda: “Bora que o crime não para”.




Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.