O corpo da menina foi encaminhado para o IML de Tribobó Ana Fernanda Freire/Agência O DIA

Morreu na manhã de segunda-feira (12) a segunda irmã vítima de um incêndio que atingiu a casa onde as duas estavam sozinhas, no bairro Guaxindiba, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A menina M.J.S., de 2 anos, sofreu queimaduras em 90% do corpo e não resistiu aos ferimentos após ficar internada no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê. A irmã mais velha, A.S.S., de 6 anos, morreu no dia 8 de outubro. O corpo da bebê foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Tribobó.
As crianças foram atingidas pelas chamas em 30 de setembro, enquanto estavam sozinhas em casa. A mãe havia saído do imóvel e, após o ocorrido, foi presa em flagrante por abandono de incapaz. Ela deixou a prisão no dia seguinte, após decisão judicial durante audiência de custódia, e responde ao caso em liberdade.

Imagens gravadas depois do incêndio mostram a destruição provocada pelo fogo. Nos registros, é possível ver um carrinho de bebê, materiais escolares, uma cama carbonizada, vidros estilhaçados e paredes cobertas de fuligem.

Mãe foi solta após audiência de custódia

Ao analisar o caso, o juiz Matheus Marum Barbosa Baptista considerou que o episódio teria ocorrido em um contexto de “negligência circunstancial”, associado a um possível acidente provocado pela fiação antiga da residência. A decisão ressaltou que, naquele momento, não havia elementos que apontassem premeditação, perversidade ou intenção de ferir as filhas.

O magistrado também levou em conta a ausência de anotações criminais anteriores e de investigações em andamento contra a mulher. Conforme a decisão, ela não tentou fugir, acompanhou o atendimento das crianças no hospital, colaborou com os policiais e não apresentou indícios de que pretendesse interferir na apuração ou ameaçar testemunhas.

Mãe apresentou versões diferentes à polícia

Em depoimento, a mulher afirmou que mora com os filhos em uma casa alugada, cuja instalação elétrica seria antiga e precária. Segundo sua versão, ela saiu por cerca de dez minutos durante a madrugada para devolver um carregador de celular na casa de uma amiga que vive nas proximidades.

A mãe relatou que levou consigo o filho de 4 anos, que, de acordo com ela, tem transtorno do espectro autista e necessita de cuidados contínuos. As duas meninas teriam permanecido dormindo no quarto durante sua ausência.

Ainda conforme o relato, ao retornar, encontrou o imóvel em chamas e viu um vizinho retirando as crianças da residência. Em seguida, foi ao hospital para acompanhar o atendimento das filhas.

A mulher também declarou estar grávida de seis meses, negou fazer uso de álcool ou drogas e disse estar profundamente abalada com o ocorrido. Durante o interrogatório, afirmou que pretende continuar cuidando da família.

No entanto, segundo o delegado Antônio Silvino, titular da 74ª DP, a mãe apresentou versões divergentes sobre quem estaria com as meninas no momento do incêndio e o motivo de sua saída.

“Ela a cada hora fala uma coisa diferente. Primeiro que não estava sozinha, que tinha deixado com um camarada que era o namorado dela há uma semana”, afirmou o delegado ao O DIA.
Até o momento, não há informações sobre o sepultamento.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Isabelle Rosa