PM foi encaminhado à Cidade da Polícia para prestar esclarecimentosReginaldo Pimenta/Agência O DIA
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), que identificou e indiciou nove integrantes do grupo. Para impor as cobranças ilegais, os criminosos recorriam a ameaças de violência e de expulsão dos moradores de suas próprias residências, além de interferir diretamente na administração do condomínio. Dessa forma, a organização mantinha o controle sobre o complexo residencial e explorava economicamente as vítimas.
Ao todo, os agentes tentam cumprir dois mandados de prisão preventiva contra Felipe Alves da Silva, conhecido como Felipinho ou Portugal, apontado como homem de confiança de Juninho Varão e responsável pelo comando operacional das cobranças; e Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, o MJ, identificado como um dos principais executores das cobranças e intimidações contra moradores.
As investigações revelaram ainda uma estrutura criminosa organizada para controlar e arrecadar dinheiro, com divisão de tarefas, fiscalização sistemática dos pagamentos e prestação de contas à milícia.
Além disso, as equipes cumprem dez mandados de busca e apreensão. Entre os investigados está o 3º sargento da Polícia Militar da ativa Carlos Luis Torres Correia, o Carlão, apontado como figura de influência na administração do condomínio e na estrutura de intimidação do organização. Ele é lotado do 7ºBPM (São Gonçalo). A operação conta com o apoio da Corregedoria da PM.
Segundo as investigações, o agente mantinha contato direto com integrantes do núcleo de comando e interferia na gestão do complexo residencial. Sua condição de autoridade e o temor que provocava nos moradores seriam explorados pela organização criminosa para pressionar o pagamento das cobranças ilegais.
Grupo arrecadava até R$100 mil por mês
"Após a análise dos aparelhos de telefone celular e o aprofundamento das investigações, nós identificamos uma estrutura administrativa que foi criada naquele condomínio, na qual síndicos regulares foram retirados e foram colocados síndicos vinculados à milícia, que então eram responsáveis por realizar as cobranças aos moradores. Tudo isso era feito de modo coercitivo, com ameaças, inclusive de retirada das residências. Então, esses moradores pagavam, por certo temor naquela localidade, valores fixados mensalmente”, explicou.
De acordo com as investigações, os moradores pagavam cerca de R$ 70 por mês, e o grupo arrecadava entre R$ 85 mil e R$ 100 mil mensalmente.
"Marcos era como se fosse uma espécie de responsável pela coação dos moradores. Ele ia de residência em residência e realizava a coação e as ameaças, conforme era determinado pelos síndicos. Depois que o síndico informava que um determinado morador estava resistindo à cobrança ou tinha algum comportamento considerado inadequado pela milícia, isso era repassado ao nível superior, exercido por Felipe e sua esposa que determinavam que Marcos fosse até o local e praticasse atos de violência contra esses moradores”, detalhou.
A delegada destacou ainda que o policial militar tinha um papel importante na organização criminosa.
"Este policial militar possui relação íntima com essas lideranças naquela localidade. Ele era apontado como participante da própria administração, da gestão, inclusive dos grupos de WhatsApp utilizados por essa estrutura criminosa. Ele também participava das reuniões e era mencionado pelos síndicos, que ressaltavam a necessidade da presença dele nesses encontros para realmente coagir os moradores, que se sentiam obrigados diante da presença dele", afirmou.
Durante as buscas na casa do policial militar, apenas a companheira dele estava na residência.
A delegada frisou mais uma vez que os milicianos ameaçavam os moradores de morte. "Nós temos, inclusive, o indicativo de que, no início do ano, ocorreu uma morte decorrente da atuação dessa milícia. Um morador foi retirado da sua residência e, dias depois, foi localizado morto no interior do Rio Guandu. Ao que tudo indica, segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, isso foi fruto da atuação desse grupo miliciano naquela localidade", relatou.














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