PM foi encaminhado à Cidade da Polícia para prestar esclarecimentosReginaldo Pimenta/Agência O DIA

Investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) apontam que o 3º sargento da Polícia Militar da ativa, Carlos Luis Torres Correia, conhecido como Carlão, participava de reuniões da milícia do Juninho Varão para extorquir moradores do Condomínio Jardim Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (14).


Os agentes estiveram na residência do PM, que estava de serviço. Posteriormente, ele esteve na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, na Zona Norte, para prestar esclarecimentos. No local, Carlos negou envolvimento com a organização criminosa e disse: "Vou provar minha inocência." Já o advogado que o acompanhava revelou que ainda não teria tido acesso aos autos.

De acordo com a delegada Luciana Fonseca, da Draco, a condição de autoridade do PM e o temor que provocava nos moradores eram explorados pela milícia para pressionar o pagamento das cobranças ilegais.

"Pela busca que foi realizada na data de hoje, a gente já identifica uma residência bem robusta, luxuosa, possivelmente incompatível com o soldo recebido por ele na função de policial militar", afirmou Luciana.
De acordo com as investigações, os moradores pagavam cerca de R$ 70 por mês, e o grupo arrecadava entre R$ 85 mil e R$ 100 mil mensalmente.
"Este policial militar possui relação íntima com essas lideranças naquela localidade. Ele era apontado como participante da própria administração, da gestão, inclusive dos grupos de WhatsApp utilizados por essa estrutura criminosa. Ele também participava das reuniões e era mencionado pelos síndicos, que ressaltavam a necessidade da presença dele nesses encontros para realmente coagir os moradores, que se sentiam obrigados diante da presença dele", frisou a delegada.

Ainda segundo a delegada, os milicianos ameaçavam os moradores de morte. No entanto, não há indícios de que o PM fazia cobranças presencialmente.

"Nós temos, inclusive, o indicativo de que, no início do ano, ocorreu uma morte decorrente da atuação dessa milícia. Um morador foi retirado da sua residência e, dias depois, foi localizado morto no interior do Rio Guandu. Ao que tudo indica, segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, isso foi fruto da atuação desse grupo miliciano naquela localidade", relatou.

Na ação, os agentes também buscam cumprir dois mandados de prisão preventiva contra Felipe Alves da Silva, conhecido como Felipinho ou Portugal, apontado como homem de confiança de Juninho Varão e responsável pelo comando operacional das cobranças; e Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, o MJ, identificado como um dos principais executores das cobranças e intimidações contra moradores.

Até o momento, as equipes já apreenderam aparelhos eletrônicos, celulares, computadores e anotações. Dentro do condomínio, os policiais também encontraram um veículo cuja propriedade ainda não foi identificada. No interior do automóvel, havia uma espécie de porrete, que poderia ser utilizado para coagir pessoas, além de um distintivo da Polícia Militar com suspeita de falsificação.