Em todas os bairros do Rio, assaltos e tiroteios são comunsDivulgação

A violência armada continua presente no cotidiano dos moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro. Em setembro, 14 pessoas foram baleadas durante assaltos, cinco delas mortas e nove feridas. Na prática, uma pessoa foi atingida a tiros em um roubo a cada dois dias. Os dados são do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado.O número é 55,5% maior que o de setembro de 2025, quando nove pessoas foram baleadas em crimes do tipo, com cinco mortes e quatro feridos.
Um dos casos aconteceu no dia 30, na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste da capital. Um policial militar da reserva tomava café em um estabelecimento comercial quando foi abordado por dois homens. Ao ser identificado como agente de segurança, foi baleado no pé.
Para o Instituto Fogo Cruzado, o episódio retrata uma realidade em que ninguém está a salvo nas atividades mais simples do dia a dia. "O crescimento expressivo de pessoas baleadas durante assaltos evidencia como a violência armada está diretamente associada à rotina da população, especialmente em crimes que ocorrem em deslocamentos, no trabalho e em atividades rotineiras. Esses números mostram que o roubo deixou de ser apenas um crime patrimonial para se consolidar como um fator central de produção de violência armada. A média de uma vítima baleada a cada dois dias em assaltos é um dado preocupante e exige respostas urgentes do poder público, com políticas de prevenção, inteligência e proteção da população, sobretudo nas áreas que mais concentram esse tipo de crime", explica Terine Husek Coelho, gerente de pesquisa do Instituto Fogo Cruzado.

122 baleados em um mês, incluindo crianças e idosos

Mesmo com queda de 15% no total de tiroteios (154, contra 181 em setembro de 2025), a região metropolitana somou 122 pessoas baleadas no mês, 56 delas mortas e 66 feridas. Um ano antes, foram 143 vítimas, com 88 mortes e 55 feridos. A violência não poupou os mais vulneráveis: duas crianças de até 11 anos, quatro adolescentes e quatro idosos estão entre os atingidos. Os adultos de 18 a 59 anos somam 112 vítimas.

Ações policiais

Operações e intervenções policiais estiveram ligadas a 67 casos de disparos, nos quais 57 pessoas foram baleadas: 20 morreram e 37 ficaram feridas.

Capital concentra a violência

A cidade do Rio registrou 97 tiroteios, quase dois terços (63%) dos 154 ocorridos na região metropolitana.

Municípios mais afetados:

Rio de Janeiro: 97 tiroteios, 28 mortos e 48 feridos
Duque de Caxias: 13 tiroteios, 5 mortos e 5 feridos
Nova Iguaçu: 10 tiroteios, 5 mortos e 3 feridos
Maricá: 8 tiroteios, 2 mortos e 3 feridos
São Gonçalo: 6 tiroteios, 4 mortos e 1 ferido

Bairros mais afetados:

Inoã (Maricá): 5 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
Vila Kennedy (Rio): 5 tiroteios, 2 mortos e 4 feridos
Cascadura (Rio): 5 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
Taquara (Rio): 4 tiroteios e 2 mortos
Vila Isabel (Rio): 4 tiroteios e 1 ferido
Vigário Geral (Rio): 4 tiroteios
Alguns casos somente no segundo semestre
- Tijuca, 25 de julho: bandidos interceptaram o carro de um policial civil de folga, houve troca de tiros e uma mulher foi atingida na perna. Ela foi socorrida em estado estável.
- Tijuca, 11 de setembro: o farmacêutico Carlos Alexandre Resende, de 40 anos, foi morto com um tiro na cabeça na Praça Carlos Paolera, e os criminosos levaram seu carro. A mulher dele chegava de viagem de ônibus fretado e chorava por não conseguir falar com o marido, que ia buscá-la no ponto de parada; ela soube da morte ao ser abordada pela imprensa. 
- Olaria, início de agosto: um pedestre foi abordado por um assaltante de moto, tentou fugir e foi perseguido e baleado pelas costas, em ação registrada por câmeras de segurança. Ele morreu no Hospital Balbino. As imagens ajudaram a dar visibilidade ao crime.