O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) - segundo mais votado no Rio com 197.178 votos - e o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil, foram presos, na manhã desta quinta-feira (15), durante uma operação contra um grupo suspeito de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro. As prisões integram a oitava fase da Operação Unha e Carne.
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Segundo a Polícia Federal, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que a organização investigada movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Além de Canella e Amim - que foram detidos, respectivamente, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, e em Niterói, na Região Metropolitana - policiais federais prenderam outras quatro pessoas nesta quinta-feira (15), incluindo policiais civis. Todos os seis alvos estavam com mandados de prisão preventiva em aberto.
As equipes também foram às ruas para cumprir 16 mandados de busca e apreensão na cidade do Rio; em Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana; Angra dos Reis, na Costa Verde; Petrópolis, na Região Serrana; Armação dos Búzios, na Região dos Lagos; e em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
As investigações descobriram que a organização investigada conta com a participação de agentes públicos e tem uma articulação política-institucional. A Justiça determinou o sequestro de bens e valores de suspeitos, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Do total, 96 são postos de combustíveis.
Além do crime de organização criminosa armada, os investigados ainda podem responder, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações. A ação desta quinta se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, uma iniciativa coordenada pela Polícia Federal que tem o objetivo de desarticular organizações criminosas atuantes no estado do Rio, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral da corporação participa da operação, em apoio à Polícia Federal. A instituição destacou que não compactua com desvios de conduta de seus funcionários.
"A Polícia Civil não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades. A instituição mantém atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle, respeitando as atribuições de cada instituição, para garantir a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, quando cabível", disse.
A reportagem busca contato com a defesa dos suspeitos. O espaço está aberto para manifestação.
Fases da operação
A sétima fase da Operação Unha e Carne foi deflagrada em setembro. Na época, policiais federais prenderam o vereador Jorge Canella (União Brasil) por posse irregular de arma de fogo de uso restrito. Com ele, os agentes apreenderam dois fuzis e uma submetralhadora. A PF informou que o armamento estava em desacordo com a legislação, o que levou à prisão em flagrante.
Apesar de usar o sobrenome Canella, Jorge não tem parentesco com Márcio. Contudo, a utilização do nome não é por acaso, sendo adotado nas eleições de 2024. Aliados políticos há anos, os dois já se referiram publicamente um ao outro como "irmão que a vida me deu".
A quinta fase também aconteceu em julho. A PF fez buscas para auxiliar as investigações sobre a lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e possível esquema com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. Os três alvos de prisão preventiva foram o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho; o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar; e o pastor Márcio Poncio. Agentes ainda cumpriram mandado de busca e apreensão contra o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
Na quarta fase, policiais prenderam o ex-deputado estadual Thiago Rangel (Avante). A ação investigou fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços da Secretaria de Educação do Estado do Rio (Seeduc). Segundo a PF, o parlamentar teria oferecido cargos ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como "Júnior do Beco".
A terceira fase terminou com o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar voltando a ser detido.
A primeira fase ocorreu em dezembro de 2025. Teve como alvo Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativo do Rio (Alerj). Ele foi preso por vazamento de informações sigilosas de uma investigação que prendeu TH Joias, mas acabou sendo solto posteriormente.
Segundo deputado estadual mais votado
Segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 197.178 votos, Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella (União Brasil), foi escolhido pelos eleitores do Estado do Rio para voltar à Alerj depois de ter comandado a Prefeitura de Belford Roxo, cidade da Baixada Fluminense.
A trajetória política começou em 2012, quando se elegeu vereador do município. Em 2014, chegou à Alerj pela primeira vez. Depois, foi eleito vice-prefeito de Belford Roxo. Posteriormente, retornou ao Legislativo estadual, onde cumpriu três mandatos consecutivos.
Em 2024, Canella venceu a eleição para prefeito de Belford Roxo. No ano seguinte, deixou o cargo para tentar disputar uma vaga no Senado nas eleições desse ano. No entanto, a estratégia eleitoral mudou e Canella desistiu da candidatura para tentar retornar à Alerj, conseguindo o que queria.
Ex-secretário de Polícia Civil
Natural de Niterói, cidade Região Metropolitana do Rio, e formado em Direito, em 2003, pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcus Amim tem mais de 20 anos na Polícia Civil. Como delegado titular, ele comandou as delegacias de Repressão a Entorpecentes (DRE), a Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e a 27ª DP (Vicente Carvalho).
Em junho de 2023, assumiu a presidência do Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ). Quatro meses depois deixou o cargo para assumir o posto de secretário de Polícia Civil. Isso foi possível após a Alerj aprovar um Projeto de Lei que modificou a Lei Orgânica da Polícia Civil.
A alteração permitiu que a corporação seja comandada por delegados que estejam há 15 anos na instituição, independentemente do cargo. Anteriormente, a legislação previa que o comando fosse exercido somente por quem ocupa o cargo de delegado há 15 anos. Na época, apesar de ter 21 anos na instituição, Amim era delegado há 12 anos, e não poderia assumir a pasta com a legislação anterior.
Marcus foi exonerado em setembro de 2024. No mesmo mês, assumiu o Departamento de Segurança da Alerj. Ele ficou pouco mais de um ano na Casa até ser exonerado, em dezembro de 2025.
O delegado já recebeu, em 2018, a Medalha Tiradentes, concedida pela Alerj, e a Medalha José Clemente Pereira, em 2021, pela da Câmara dos Vereadores de Niterói. Na Polícia Civil, Amim também ganhou como reconhecimento pelos bons serviços prestados a Medalha de Fidelidade, em 2020, a Medalha de Honra, em 2019, e a Medalha de Devotamento, em 2018.
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