Mansão na Região Serrana do Rio, cobertura de frente para o mar na Região Metropolitana e residência de alto luxo com píer para barcos na Costa Verde Fluminense. Esses imóveis foram encontrados por policiais federais na manhã desta quinta-feira (15), durante buscas por suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro. A operação terminou com a prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella, do delegado Marcus Amim e de quatro policiais civis.
Angra dos Reis, na Costa Verde Fluminense, agentes fizeram buscas na casa do inspetor Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. De acordo com as investigações, ele é integrante do núcleo financeiro e de lavagem de dinheiro do grupo, sendo o principal operador econômico da quadrilha, exercendo controle de uma extensa rede de postos de combustíveis, formalmente registrada em nome de terceiros, e usando essas empresas para ocultar o patrimônio, movimentar recursos ilícitos e lavar dinheiro.
O imóvel, localizado em um condomínio, possui um campo de futebol, uma quadra de areia, piscina e um píer para estacionamento de barcos.
Em Camboinhas, bairro de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, as equipes estiveram em uma cobertura avaliada em R$ 22 milhões. O apartamento fica de frente para o mar. No mesmo bairro, houve a apreensão de R$ 40 mil em espécie, que estavam escondidos em um armário.
Em Itaipava, distrito de Petrópolis, na Região Serrana, policiais localizaram um mansão pertencente a José Carlos Alves de Souza Júnior. As apurações identificaram como gestor operacional e financeiro do grupo, responsável pelo controle da arrecadação e distribuição de valores entre os integrantes. Documentos apreendidos durante as investigações mostraram que o inspetor passou dinheiro para membros da organização.
A residência tem academia própria, piscina e vista para a serra. Confira:
Polícia Federal faz buscas em mansão, em Itaipava, na Região Serrana do Rio, durante oitava fase da Operação Unha e Carne Crédito: Divulgação / Polícia Federal https://t.co/eLJMYMDcVn
A operação realizada nesta quinta-feira (15) terminou com seis presos e 16 mandados de busca e apreensão cumpridos. O objetivo da ação é desarticular uma organização suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis, na Região Metropolitana do Rio, para lavar dinheiro.
De acordo com a PF, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. As investigações descobriram que a organização conta com a participação de agentes públicos e tem uma articulação político-institucional.
A Justiça determinou o sequestro de bens e valores de suspeitos, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Do total, 96 são postos de combustíveis.
Além do crime de organização criminosa armada, os investigados ainda podem responder, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.
Deputado estadual eleito e ex-secretário presos
Segundo a Polícia Federal, Márcio Canella (União Brasil) - eleito deputado estadual como o segundo mais votado - integra o núcleo político e institucional da quadrilha. Ele é apontado como o patrono político e articulador de alto escalão do grupo, exercendo papel de ligação entre os integrantes do núcleo econômico, agentes públicos e estruturas políticas.
As apurações indicaram que o ex-prefeito de Belford Roxo, cidade da Baixada Fluminense, seria beneficiário recorrente de valores provenientes da atividade ilícita do organização, além de ter atuado na indicação de agentes para cargos estratégicos da administração pública.
De acordo com a PF, o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil, faz parte do mesmo núcleo de Canella. Ele teria atuado como operador institucional da organização criminosa, proporcionando proteção administrativa e policial ao grupo, além de receber recursos por meio de empresas vinculadas a seus familiares.
A reportagem ainda não localizou a defesa dos suspeitos. O espaço está aberto para manifestação.
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