Bryan Rossi falou da importância da IA no combate ao câncer de mamaWaleria de Carvalho

Costa Rica - Durante o 14º Press Day Roche, realizado em San José no início de outubro, a inteligência artificial (IA) foi um dos temas centrais no combate ao câncer de mama. Segundo Bryan Rossi, diretor da empresa de tecnologia Lunit, com a IA os laudos de mamografia, que levavam quase um mês para ficar prontos, agora saem em apenas duas horas, o que garante tratamento mais rápido às mulheres."O lugar onde você nasce não pode decidir se você vai ter a chance de descobrir uma doença a tempo de se curar", afirma Bryan, alinhado com o pensamento de Álvaro Soto, gerente-geral da Roche para a América Central, o Caribe e a Venezuela. "Detectar o câncer de mama em estágios iniciais pode fazer a diferença entre a vida e a morte", disse Soto.. Ele acrescentou que a tecnologia e os tratamentos avançados só têm impacto real na vida das pacientes quando os sistemas de saúde reduzem o tempo entre a suspeita, a detecção e o início do tratamento.

Cinco minutos com Bryan Rossi
Em entrevista ao O Dia, o executivo falou sobre a importância da inteligência artificial no combate ao câncer de mama.
O Dia: Como países em desenvolvimento, como o Brasil, podem ter um sistema de saúde melhor? Quais medidas devem ser tomadas?
Bryan Rossi: O Brasil é um país muito estratégico para a América Latina, especialmente desde que a Lunit começou a implementar a solução de inteligência artificial para mama, em 2019. Tivemos bastante tempo e, hoje, a adaptação é muito rápida porque o Brasil está muitos anos à frente de outros países que ainda resistem à inteligência artificial. Acho que o Brasil é um país de referência, onde temos muitos centros de referência. No Hospital Israelita Albert Einstein (SP), por exemplo, já usamos nossa solução, e também em diferentes hospitais, para ajudar os radiologistas a identificar cânceres em estágios iniciais.
O Dia: Em relação ao câncer de mama, o que pode ser feito para que a doença seja logo descoberta?
Bryan Rossi: Nós, seres humanos, cometemos muitos erros porque, na América Latina, temos mamas muito densas, inclusive com implantes, o que dificulta a identificação das lesões. Por isso, nosso grande desafio e objetivo é identificar a doença em estágios precoces, para que a taxa de sobrevivência das pacientes aumente. Diz-se que a sobrevivência é três vezes maior quando a doença é descoberta no início, em comparação com a descoberta em estágio avançado, em que o tratamento é mais caro. A solução da Lunit identifica apenas lesões malignas; não identifica cistos ou fibroadenomas, porque são benignos. Identifica apenas cânceres.
O Dia: O  que acontece com os atendimentos, principalmente na América Latina?
Bryan Rossi: Infelizmente, na América Latina, estatisticamente, temos de 1,5 a 2 médicos para atender 100 mil pacientes. O que isso significa? Que um único médico precisa atender 100 mil pessoas, o que é muito trabalho. Isso gera fadiga e leva a muitos erros. Às vezes, sinto dor, faço um raio-X, mas o médico está cansado. Ele diz: 'Não, você está bem'. A paciente vai para casa, mas a dor persiste e só piora. Esse é um dos problemas: a escassez de radiologistas. É por isso que os cânceres são detectados em estágios muito avançados. Com a implementação do software feito pela Lunit,  será possível identificá-los a tempo.
Saiba mais
A Lunit desenvolveu o Lunit INSIGHT MMG, um software de apoio ao diagnóstico do câncer de mama que a empresa descreve como uma das tecnologias de inteligência artificial mais avançadas e utilizadas do mundo em radiologia. O programa é baseado em deep learning (aprendizado profundo) e analisa automaticamente exames de mamografia digital. O principal recurso é a alta precisão: segundo a empresa, o sistema tem taxa de acerto entre 96% e 97% na detecção e na caracterização de lesões suspeitas, o que ajuda a embasar os laudos médicos.
Estado do Rio oferece mamografia em vários municípios
Neste Outubro Rosa, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) reforça a importância da mamografia digital, exame de imagem de alta qualidade que ajuda a identificar alterações suspeitas e, com isso, o câncer de mama em fase inicial. A indicação é para mulheres a partir dos 40 anos. O exame é oferecido em diversas unidades da rede estadual, com encaminhamento do pedido médico por meio do sistema de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS).
"A mamografia permite identificar alterações suspeitas antes mesmo do aparecimento de sintomas ou de lesões palpáveis. Sua realização, nas faixas etárias e nas condições clínicas indicadas, contribui para o diagnóstico em estágios iniciais, quando as possibilidades de tratamento conservador e de cura são maiores", afirma Antonio Braga, coordenador da Área Técnica da Saúde das Mulheres da SES-RJ.
O Rio Imagem Centro, na capital, tem três mamógrafos digitais e realiza cerca de 120 exames por dia, com média mensal de cerca de 2,6 mil em 22 dias úteis. "A tecnologia elevou a precisão no rastreamento e no diagnóstico precoce do câncer de mama. Juntamente com o serviço de navegação, conseguimos oferecer suporte às pacientes que realizam mamografia e biópsia de mama, otimizando o tempo entre o exame, o diagnóstico e o início do tratamento", explica o diretor da unidade, Roger Ancillotti.
Além da unidade do Centro, a mamografia é feita na rede Rio Imagem em Nova Iguaçu, em Campo Grande (zona oeste da capital) e, mais recentemente, em Casimiro de Abreu, na Baixada Litorânea. O exame também é oferecido no Hospital Estadual dos Lagos Nossa Senhora de Nazareth, em Saquarema, e no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti.
Debate sobre o tema
A ginecologista e mastologista Sara Dutra propõe levar o tema ao centro do debate sobre saúde feminina. Idealizadora da conferência Linda por Dentro e por Fora, que chega à quarta edição no dia 31 de outubro, no Rio, a médica reúne especialistas de diferentes áreas e mulheres para discutir prevenção, tratamento, saúde integral e os desafios de reconstruir a vida para além do câncer.
A iniciativa tem motivação pessoal. Sara acompanhou o diagnóstico tardio de câncer de mama da avó, experiência que marcou sua trajetória e reforçou seu compromisso com a prevenção e a conscientização sobre a saúde feminina. A proposta é mostrar que o autocuidado não se limita à estética: envolve escolhas conscientes, informação de qualidade e a possibilidade de continuar construindo planos mesmo diante dos desafios. Ao longo do dia, palestras e experiências de bem-estar conduzem o público por quatro movimentos (prevenir, cuidar, reconhecer e celebrar) até um dos momentos mais simbólicos do encontro: a conversa de Sara com pacientes que compartilham suas histórias e mostram que existem vida, sonhos e novos caminhos depois do diagnóstico.
Serviço
Linda por Dentro e por Fora – 4ª edição
Data: sábado, 31 de outubro de 2026 [incluir horário]
Local: Downtown, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
Idealização: Sara Dutra
Inscrições e informações: https://drasaradutra.com.br/linda-por-dentro-e-por-fora/ [testar o link]
Exposição fotográfica “Mulher por Inteiro: Uma vida além do câncer”
Local: Via Parque Shopping, 2º andar, Rio de Janeiro
Período: até 31 de outubro de 2026
Idealização: Sara Dutra
Fotografia: Larissa Franco
Maquiagem: Sandy Santos
Enviada especial a convite da Roche Farma do Brasil