Wescrey Portes afirma que ouviu três disparos após manifestação políticaArquivo pessoal

O pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Wescrey Portes denunciou que seu apartamento, na Tijuca, na Zona Norte, foi atingido por disparos de arma após ele exibir uma bandeira do Partido dos Trabalhadores (PT) na varanda e gritar palavras de ordem a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o relato, três disparos atingiram a janela do imóvel. O caso foi encaminhado à 19ª DP (Tijuca).

Em conversa com a reportagem de O DIA, Wescrey contou que o caso aconteceu durante a entrevista que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) dava ao "Jornal Nacional" da TV Globo e que decidiu levar a bandeira para a varanda apesar do receio de repetir uma situação vivida nas eleições de 2022. Ele afirmou que, naquela ocasião, encontrou objetos que pareciam projéteis de uma arma de chumbo no mesmo local, onde havia colocado uma toalha alusiva à vitória do atual presidente

“Na época, eu deparei com projéteis que me pareciam de uma arma de chumbo. Foi uma situação muito semelhante, na mesma varanda”, relatou.

Segundo o pesquisador, a experiência anterior fez com que passasse a ter mais cuidado ao expor símbolos políticos. Desta vez, ele não havia deixado a bandeira permanentemente no local, mas decidiu exibi-la na varanda na noite do episódio.

Wescrey contou que, depois de exibir a bandeira e gritar palavras de protesto contra o candidato do PL e a favor de Lula, voltou para a sala e se sentou no sofá. Foi quando ouviu um barulho na janela, que fica atrás do lugar onde estava. Cerca de dois minutos depois, escutou outros dois disparos.

“Quando voltei para a sala, os projéteis vieram. Estourou a janela. Eu não consegui achar o chumbo dessa vez na sala. Não sei o que aconteceu, não faço ideia de onde foi parar”, afirmou.

Wescrey explicou que o apartamento fica de frente para a rua e que, do outro lado, há casas e, mais adiante, os fundos de prédios de uma via paralela. Por isso, acredita que os disparos possam ter partido de um desses edifícios.

Ele também relatou que, enquanto estava na varanda, ouviu uma pessoa gritar palavras relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O pesquisador suspeita que essa pessoa possa ter ligação com o episódio, mas destacou que não viu quem efetuou os disparos.

“Eu suspeito que foram desses prédios da rua de lá, que dão para os fundos. Enquanto a gente estava na sacada, apareceu uma pessoa que gritou algumas coisas relacionadas ao Bolsonaro. Eu suspeitava que era mais ou menos dali”, contou.

O pesquisador ressaltou, porém, que não tem como confirmar a origem dos tiros. No momento em que ouviu os disparos, ele já estava sentado na sala e não olhava para a janela.

Relato de 2022 aumentou o temor

Ao comentar a decisão de deixar o apartamento, Wescrey afirmou que pretende ficar fora do imóvel pelo menos até a eleição. Segundo ele, o episódio recente trouxe de volta a preocupação provocada pela ocorrência que relata ter vivido há quatro anos.

“Eu não estou mais no apartamento. Vou ficar fora de lá, no mínimo, até a eleição. Estou bem assustado com tudo isso”, disse.

Em nota, a Polícia Civil informou que o caso foi registrado por meio da Delegacia On-line e encaminhado à 19ª DP (Tijuca). “Diligências estão em andamento para apurar os fatos”, declarou a corporação.