Leandro Aguiar, o 'da Nike', preso na operação contra esquema de tráfico de drogas e armasDivulgação

As buscas pelo cabo da Polícia Militar Eric da Silva Lobato, lotado no 21º BPM (São João de Meriti), mobilizam a investigação sobre um esquema de comércio de armas ligado ao Comando Vermelho exposto em operação do Gaeco e da Polícia Civil deflagrada na última terça-feira. O caso envolve também uma liderança do tráfico em comunidades de Meriti que, segundo a Polícia Civil, recebia informações privilegiadas sobre operações policiais.
O Cabo Eric é acusado de negociar armas, munições e acessórios em articulação com o policial militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro, assassinado em julho deste ano. Os agentes chegaram a procurar o policial em sua residência, mas não o localizaram. O Ministério Público também pediu à Justiça a suspensão cautelar de sua função pública.
Informações chegavam a chefe do tráfico em Meriti
A ligação do esquema com São João de Meriti passa por Luciano Santos de Oliveira, conhecido como “Hot Wheels”. Apontado pela Polícia Civil como liderança do tráfico em diversas comunidades do município, ele está entre os sete denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio (GAECO/MPRJ).
Segundo as investigações, Hot Wheels recebia de Yuri informações privilegiadas sobre operações policiais. O militar teria usado sua condição de agente de segurança para favorecer o traficante, que mantinha vínculos com outros integrantes da estrutura investigada.
As apurações atribuem funções distintas aos dois policiais: Yuri aparece no repasse de informações ao chefe do tráfico e na logística criminosa; Eric é acusado de participar do comércio clandestino de armamentos com o colega. Os elementos divulgados não especificam em quais comunidades o cabo negociava as armas.
Fotos de munições nas negociações
Conversas encontradas pelos investigadores ajudam a detalhar a atuação atribuída a Eric. Segundo reportagem da Band, o cabo enviava fotografias de cartuchos durante negociações com a facção, incluindo munição para fuzil AK-47.
O comércio de armamentos fazia parte de uma estrutura que, de acordo com a Polícia Civil, reunia responsáveis pela aquisição, pelo transporte e pela distribuição de drogas e armas. Outros integrantes exerciam funções de segurança de lideranças e vigilância dos territórios controlados pelo Comando Vermelho.
A investigação aponta que a participação dos agentes públicos incluía tanto o envolvimento nas negociações clandestinas quanto o fornecimento de informações obtidas em razão da atividade policial.
Nova Iguaçu entre os alvos; prisão em Maricá
A operação também alcançou endereços em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. As diligências se estenderam a Maricá, na Região Metropolitana, e a Del Castilho e à Penha, na Zona Norte do Rio. A ação reuniu a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o GAECO/MPRJ e a Corregedoria da Polícia Militar.
Em Maricá, Leonardo Aguiar da Silva, conhecido como “da Nike”, foi preso, segundo a Record. Ele é apontado como integrante do braço armado da facção. De acordo com as investigações, Leonardo, Paulo Victor Soares de Melo e Kauan Soares Omero, o “do Serrão”, exerciam funções relacionadas à proteção de lideranças criminosas e à vigilância territorial.
O MPRJ confirmou também o cumprimento de um mandado contra Kauan, que, segundo a Record, já estava preso por outros crimes. Durante a ação, Kawan Cruzeiro da Cunha foi preso em flagrante após ser encontrado com uma pistola, munições e uma motocicleta roubada.
Apreensão de cocaína revelou a estrutura
O ponto de partida da investigação foi a apreensão de mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil, em outubro de 2023. Na ocasião, Yuri foi preso em flagrante com Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como “Kiko”, durante o transporte da carga.
A análise de provas digitais e as interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça indicaram que a atuação dos envolvidos não se restringia àquele carregamento. Segundo a Polícia Civil, Kiko intermediava o transporte de drogas e articulava o abastecimento de comunidades dominadas pela facção.
As apurações identificaram sua interlocução com Manoel Cinquine Pereira, o “Paulista”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha. Ele é acusado de participar da articulação de atividades de aquisição e distribuição de drogas e armamentos, além de coordenar integrantes responsáveis pelo abastecimento do grupo.
Sete denunciados e prisões decretadas
A 16ª Vara Criminal da Capital recebeu a denúncia contra Eric, Hot Wheels, Kiko, Paulista, Leonardo, Kauan e Paulo Victor e decretou a prisão preventiva dos sete. O cabo responde à acusação de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios. Os outros seis foram denunciados por associação para o tráfico de drogas com emprego de armas de fogo.
Yuri foi assassinado em 12 de julho, quando chegava ao condomínio onde morava, no Pechincha, em Jacarepaguá. A Delegacia de Homicídios da Capital investiga o crime. Sua morte não interrompeu a apuração sobre o esquema, que levou à identificação dos demais envolvidos e à operação de terça-feira.