Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (HCTCO) é o maior prestador de serviços de saúde para o município de TeresópolisThiago Pereira Dantas

A proposta da Prefeitura de reduzir os valores de repasses ao Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (HCTCO) provocou uma forte reação da direção do hospital e acendeu debates sobre o futuro do atendimento de saúde pública na cidade.

A gestão municipal apresentou uma proposta de redução de cerca de 40% no valor do contrato firmado com o HCTCO, justificando que parte dos leitos estaria “ociosa” ou pouco utilizada. Segundo nota do hospital, mantido pela Fundação Educacional Serra dos Órgãos (Feso), essa readequação teria consequências imediatas como: desativação de 43 leitos de internação, deixando a capacidade operacional cair de 150 para 107 leitos; redução de cerca de 126 internações mensais de média complexidade; queda de 76 cirurgias por mês; e diminuição significativa de exames e consultas ambulatoriais.

A direção do hospital refutou, na mesma nota, a alegação de leitos ociosos, afirmando que em praticamente todas as especialidades a ocupação está acima de 90%, e que o fechamento de vagas compromete o atendimento à população.
DÍVIDAS DO MUNICÍPIO COM O HCTCO SE ACUMULAM

A administração do HCTCO argumenta que a redução proposta pela Prefeitura não acompanha a realidade dos custos e da demanda. Entre os pontos defendidos estão: não existe capacidade “ociosa” para justificar cortes; déficit acumulado de mais de R$ 120 milhões em repasses municipais, segundo a própria nota do é composto por três grandes parcelas referentes a períodos distintos: R$ 58.697.072,61 — débitos referentes aos anos de 2013 a 2017, atualizados de um precatório originado na gestão do ex-prefeito Arlei Rosa; R$ 34.789.872,14 — valores referentes ao ano de 2024, durante a gestão do ex-prefeito Vinicius Claussen; e R$ 29.714.286,53 — montante relativo ao ano de 2025, sob a administração atual do prefeito Leonardo Vasconcellos.

Por sua vez, a gestão municipal defende a readequação contratual como forma de equilibrar o orçamento e afirma que o modelo vigente estava gerando pagamentos por leitos que estariam subutilizados. A Prefeitura também afirma que continua comprometida com a manutenção de serviços essenciais e que eventuais ajustes são necessários dentro das limitações financeiras do município.
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LIDERANÇAS POLÍTICAS SE POSICIONAM
Políticos também se posicionaram. O subsecretário de Estado do gabinete do governador, Alex Castellar, publicou um vídeo com posição firme e crítica sobre a saúde municipal. Ele aponta que a saúde pública foi colocada como a principal promessa do governo, mas acabou se transformando em um conjunto de decisões improvisadas e contraditórias:
“A saúde pública foi tratada como a principal promessa deste governo, mas o que se vê é um conjunto de decisões improvisadas e contraditórias. Projetos anunciados sem clareza, mudanças constantes de rumo, promessa de hospital sem definição concreta, desapropriações caras mesmo com prédios públicos disponíveis e a tentativa de financiar tudo por meio de uma loteria que acabou derrubada pela Justiça. Enquanto isso, a prefeitura não consegue pagar os serviços que já existem, acumula dívidas com hospitais e clínicas, provoca demissões e reduz atendimentos", disse.
O deputado estadual Júlio Rocha também se posicionou nas redes sociais: "Pessoas morrem diariamente na UPA esperando transferências. Equipes estão sendo cortadas, profissionais não recebem e a dívida com o hospital só cresce. A saúde de Teresópolis pede socorro", afirmou.
Dos 21 vereadores da cidade, apenas a Professora Amanda comentou o caso: "A redução de atendimentos de média complexidade anunciada pelo HCT em nota oficial somada à dificuldade de transferência de pacientes que aguardam leitos por ordem judicial, revela um cenário grave, que impacta diretamente vidas. Nosso mandato vai agir com responsabilidade, cobrando informações oficiais, e exigindo transparência do poder público", comentou em vídeo publicado também nas redes sociais.
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