Professora Amanda vai apresentar denúncia à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e pedir o afastamento do vereador das comissões das quais participaReprodução IG

Após deixar a plenária da Câmara Municipal de Teresópolis durante a sessão de terça-feira (12), depois de um embate verbal com o vereador Doutor Amorim (União Brasil), a vereadora Professora Amanda (Republicanos) informou que vai protocolar medidas judiciais e institucionais contra o vereador por entender que foi alvo de agressões verbais, descredibilização pública e violência política de gênero.
A discussão começou quando Amanda pediu que a Comissão de Saúde encaminhasse à Secretaria Municipal de Saúde um pedido de resposta a ofícios e requerimentos do seu gabinete que já estariam com prazo vencido. Segundo a vereadora, o parlamentar - que é presidente desta comissão - afirmou que não faria o encaminhamento por considerar o pedido “particular”. Amanda rebateu dizendo que a solicitação estava amparada pelo Regimento Interno da Câmara e tinha caráter institucional e fiscalizatório. Em seguida, passou a ser descredibilizada em plenário, inclusive com críticas à sua atuação nas redes sociais, e decidiu deixar a sessão diante da situação e da ausência de manifestações de defesa dos demais parlamentares.
Após a saída da vereadora, Doutor Amorim pediu desculpas pelo tom utilizado durante a discussão, “mas não pelo conteúdo das declarações”, defende Amanda.
Medidas e denúncias
A parlamentar informou que vai apresentar denúncia à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) e pedir o afastamento do vereador das comissões das quais participa.
“Jamais usei minha condição de mulher para exigir privilégios ou tratamento especial. Sempre atuei de igual para igual. Mas existem limites quando o objetivo passa a ser intimidar e desqualificar uma parlamentar pelo exercício da fiscalização, que é dever do cargo que ocupo”, declarou.
Amanda afirmou ainda que o comportamento do vereador é recorrente: “Venho sendo reiteradamente descredibilizada e enfrentando situações de constrangimento. Sempre conversei com o presidente da Casa buscando providências. O que aconteceu agora foi um acúmulo de várias ocorrências”, afirmou.
A vereadora também informou que já procurou a Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, que o caso foi citado em sessão da Assembleia Legislativa e que vai encaminhar representações a órgãos de enfrentamento à violência contra a mulher, além de comunicar o episódio às direções estadual e nacional do Republicanos.
Nas redes sociais, a vereadora tem recebido inúmeras manifestações de apoio de eleitores e políticos da cidade.
Na sessão desta quinta-feira (14), não houve quórum para realização dos trabalhos legislativos. Compareceram apenas a Professora Amanda e os vereadores Rangel, Paulinho Nogueira, Pastor Luciano e Igor Faraco. A ausência dos demais parlamentares, segundo à vereadora, teria relação com o desconforto em retomar o debate sobre o episódio ocorrido na sessão anterior.
Atuação fiscalizatória e percepção de perseguição
Segundo a vereadora Professora Amanda, os episódios recentes reforçam sua percepção de que a atuação fiscalizatória exercida por seu mandato tem causado incômodo. Para ela, tanto a postura adotada dentro da Câmara quanto episódios externos revelam um ambiente de pressão e tentativa de intimidação diante do trabalho desenvolvido por seu gabinete.
Amanda revelou ainda ter recebido ameaças de morte em abril, por ligação telefônica e mensagens de WhatsApp, após um episódio de furto de seu carro no Rio de Janeiro. As mensagens, apresentadas à reportagem, diziam que a parlamentar estaria “trabalhando muito”, ameaçando a segurança de sua família, inclusive com o envio de uma foto de uma arma para intimidá-la. A ocorrência foi registrada e o caso segue sob investigação policial.
A reportagem tenta contato com a Câmara Municipal para posicionamento sobre as declarações da vereadora.
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